Uma Mulher no Escuro



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Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes (2)
EXAME 013052022, A Cinco Passos de Voce - Rachael Lippincott, WORKSHOP TER 25JAN protected
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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais
lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a
um novo nível."


Victoria também passou um bom tempo atrás dela na internet. Havia encontrado
cinco Sofia Bravo — entre perfis em redes sociais, menções em artigos
acadêmicos e notícias —, mas nenhuma delas parecia a certa: a idade de três não
batia e as outras duas moravam no Brasil (uma em Salvador, outra em Brasília) e
eram casadas com brasileiros. Era provável que Sofia usasse o sobrenome do
marido americano, que ela não sabia qual era. Certa noite, Victoria se lembrou
das duas caixas de papelão guardadas debaixo de sua cama e resolveu investigá-
las. Além de alguns objetos de infância (paninhos, chupetas e bonecas antigas),
encontrou ali recordações dos pais, álbuns de família e documentos em geral.
Algumas fotos eram anteriores ao nascimento dela, como uma de Eric bebê e
outra do casamento dos pais. Depois de algumas horas de busca, sentiu-se
frustrada. Sofia não aparecia em nenhum lugar. Era como um fantasma.
No final do mês, Aquino voltou a ligar para Victoria. O caso Átila não havia
evoluído. Não tinham nenhuma pista, ninguém vira nada de estranho nas
redondezas. Era como se o assassino tivesse evaporado. Ela tentou conseguir o
contato de Sofia com o delegado ou pelo menos o sobrenome do marido dela,
mas ele não sabia. Victoria adoraria esquecer aquela história, mas não era tão
simples. Por mais que tentasse relaxar, havia uma sombra, uma ameaça discreta,
mas sempre presente. Onde estava Santiago? Por que ele tinha pichado a parede,
matado o próprio pai e desaparecido? O que queria com ela? A sensação era de
que algo muito ruim aconteceria a qualquer momento e daria um fim à felicidade
recém-descoberta.
Nas sessões com o psiquiatra, ela contou que voltara a falar com o delegado após
a morte de Átila e finalmente confessou sobre o diário de Santiago. Por último,
mencionou a descoberta de Sofia.
“É um incômodo natural”, ele disse. “Ser surpreendida pela existência de uma
parente tão próxima…”
“Quero encontrar essa mulher.”
“Por quê?”
“Sofia trabalhava na Ícone na época que Santiago estudou lá”, Victoria disse.
“E acho estranho ela nunca ter me procurado e tia Emília não ter me falado sobre


“E acho estranho ela nunca ter me procurado e tia Emília não ter me falado sobre
ela.”
O psiquiatra comentou sua postura firme, algo novo até então. Perguntou se algo
havia acontecido para motivar sua disposição. Victoria hesitou, mas revelou
que vinha se encontrando com Georges. Já haviam se passado três semanas
desde o primeiro beijo. Ela percebeu que o psiquiatra não gostou que tivesse
demorado tanto para falar a respeito. Ele mencionou a confiança que haviam
estabelecido ao longo dos anos e enfatizou que era essencial que continuassem
daquele jeito.
“Você só precisa tomar cuidado para não ir de um extremo a outro”, o dr. Max
disse. “O excesso de amor é tão perigoso quanto a falta.”
Victoria entendia o temor dele, mas não via razão para alarde. Era verdade que
em pouco tempo Georges havia se tornado muito importante para ela. Victoria
havia se acostumado com ele, ao seu olhar quente, à textura de sua pele com
pintas nos ombros e ao seu perfume. Mas tomava cuidado para não se colocar
em risco. Fazia questão de que as coisas avançassem com calma, e ele a
respeitava: passara a acompanhá-la até em casa, mas não insistia em subir.
Quando Georges tentou levá-la para a cama numa noite em que bebera um
pouco demais, ele recuou assim que ela disse que não estava pronta.
“Você é virgem?”, Georges perguntou, mas não em um tom grosseiro.
Victoria teve vergonha. Sentia-se mal por ser virgem naquela idade, mas preferia
não mentir. Fez que sim com a cabeça, temendo que ele ficasse decepcionado e
desaparecesse. Mas não foi o que aconteceu. Georges ligou no dia seguinte:
“Vamos fazer tudo no seu tempo.”
Victoria gostou muito de ouvir aquilo. Juntos, criaram uma brincadeira: a cada
encontro, experimentavam coisas novas e registravam tudo com uma câmera
imaginária (assim como ela, Georges odiava fotos). Naqueles dias, fizeram um
piquenique no Alto da Boa Vista, dançaram juntos, foram ao Teatro Municipal,
tudo pela primeira vez. Então conheceram a feira do Lavradio, a poucas quadras
do prédio dela. Passaram a tarde caminhando pela rua cheia, observando as
antiguidades e as peças de roupa à venda. Georges ficou meia hora escolhendo
discos de vinil em uma barraca, enquanto Victoria tomava um suco e observava


discos de vinil em uma barraca, enquanto Victoria tomava um suco e observava
o movimento.
Almoçaram em um restaurante ali perto, onde um grupo de chorinho se
apresentava. No fim da tarde, ele a acompanhou até seu prédio, na rua
Riachuelo. Ao dobrar a esquina, Victoria viu Arroz próximo ao portão, com uma
mochila nas costas e o rosto enfiado em um livro grosso. Ela continuou a
conversar com Georges enquanto pensava no que fazer, tentando disfarçar o
nervosismo. Era impossível dar meia-volta.
Estavam a poucos metros de Arroz quando ele levantou os olhos e reparou nela.
Ao perceber que Victoria estava de mãos dadas com outro homem, o sorriso dele
se dissolveu em uma expressão de desgosto. Arroz desencostou da
parede e foi até o casal, olhando apenas para Victoria, como se Georges não
existisse.
“Você prometeu que não ia sumir de novo e sumiu”, ele disse, fechando o
exemplar de A dança dos dragões e guardando-o debaixo do braço. “Faz quase
um mês que a gente não se fala, Vic.”
Ela engoliu em seco, constrangida. Não sumi, só estou vivendo, quis responder.
Encarou Arroz com um misto de carinho e piedade. Ele era um bom amigo, e
nada mais. Não conseguia vê-lo de outro modo. Naquele momento, era como se
eles não tivessem mais assunto.
“Te liguei três vezes”, Arroz insistiu, como uma criança magoada.
“Finalmente consegui o que me pediu.”
Georges deu um passo à frente e estendeu a mão.
“A gente ainda não se conhece”, ele disse. “Sou o namorado da Vic, Georges.”
Arroz o cumprimentou no automático, piscando repetidas vezes à espera de uma
confirmação dela.
“Você deve ser o Arroz”, ele continuou.
Um silêncio constrangedor se fez. Embora muito mais alto, Arroz parecia mais
frágil, com os ossos pontiagudos e a pele fina que o deixavam com um aspecto
cadavérico.


cadavérico.
“Não tenho muito tempo, Vic”, Arroz disse. “Vamos instalar as câmeras?”
“Câmeras? Que câmeras?”
“Assunto nosso.” Arroz deu um meio sorriso e se dirigiu a Victoria. “Vamos
subir?”
Ela concordou com a cabeça e olhou para Georges, suando frio.
“A gente conversa amanhã.”
Queria dizer que tinha amado o dia com ele, mas a presença de Arroz a inibiu.
“Quer que eu suba com você?”, Georges perguntou.
“Não precisa”, Arroz se adiantou, parecendo louco para começar uma briga.
“A gente já se conhece há bastante tempo, amigo.”
Georges lançou um olhar breve mas fulminante a ele antes de se voltar para ela.
“Quer?”
“Não precisa.”
Victoria fez um carinho rápido nas mãos dele e tentou sorrir. Quando Georges se
inclinou para beijá-la, ela virou o rosto sutilmente, oferecendo a bochecha.
Logo depois, percebeu certa decepção no olhar dele.
“Te ligo mais tarde”, ela disse, tentando soar natural.
Georges concordou com um gesto lento de cabeça e se afastou sem dizer mais
nada. Arroz sorriu para ela.
“Deu um trabalho enorme conseguir as câmeras. O que eu não faço por você,
hein?”
Nas horas seguintes, ele mexeu na fiação do apartamento e conectou as duas
câmeras que havia levado: a primeira na sala, em um ângulo que enquadrava a


câmeras que havia levado: a primeira na sala, em um ângulo que enquadrava a
entrada, o sofá e parte da bancada da cozinha. A segunda, num canto alto
próximo ao armário, enquadrando a cama e a porta do quarto. Ele também
instalou um alarme, ligado ao trinco da entrada principal. Se o assassino voltasse
e tentasse arrombar a porta, o barulho ensurdecedor chamaria a atenção da
vizinhança. Antes de ir embora, Arroz ainda instalou um aplicativo no celular
dela e a ensinou a acessar as câmeras pelo celular. A imagem era de ótima
qualidade, mas em preto e branco e sem som.
“Dá pra acompanhar em tempo real”, ele explicou. “E as últimas doze horas
ficam gravadas, caso você queira procurar alguma coisa.”
Victoria agradeceu e pediu desculpas pelo sumiço. Ainda estava chateada com o
jeito como ele havia tratado Georges, mas preferiu não entrar no assunto.
Arroz arrumou suas coisas e jogou a mochila nas costas.
“Aquele é o cara que estava te ameaçando?”, ele perguntou, já de saída.
Ela ficou horrorizada.
“Não, claro que não.”
“Há quanto tempo vocês estão juntos?”
“Arroz…”
“Você está feliz?”
Ela suspirou:
“Estou.”
Ele ficou em silêncio. Girou a maçaneta e seguiu cabisbaixo até o final do
corredor. Já começava a descer o lance de escada quando disse, fora do campo
de visão dela:
“Se cuida.”
Só então Victoria conseguiu relaxar de verdade. Tirou a roupa e pegou Abu no
armário, onde o havia escondido. Deitou na cama abraçada ao ursinho e ligou
para Georges. Ele não atendeu, o que a deixou receosa. Teria ficado chateado a


para Georges. Ele não atendeu, o que a deixou receosa. Teria ficado chateado a
ponto de não querer falar com ela? Foi invadida por uma tristeza estranha. Cinco
minutos depois, Georges retornou a ligação dizendo que estava no banho.
Ela pediu desculpas pela atitude infantil de Arroz e garantiu que ele era apenas
um amigo ciumento. Georges disse que ela não precisava se preocupar e quis
saber das câmeras. Victoria explicou tudo e, para mostrar quanto gostava dele,
insistiu para que almoçassem juntos no dia seguinte. Georges se fez de difícil,
mas acabou aceitando. Combinaram para o meio-dia em um restaurante árabe do
largo do Machado.
Depois de desligar, ela ficou na cama olhando as câmeras pelo celular: os
móveis da sala mergulhados no breu, a porta com diversos trincos mais
parecendo de uma cela de prisão e sua própria sombra debaixo das cobertas, com
a tela brilhante iluminando apenas seu rosto. No escuro e no silêncio, Sofia
voltou aos seus pensamentos. A princípio, ela não tinha nada a ver com
Santiago, mas Victoria não conseguia deixar de pensar que as duas histórias
estavam conectadas de algum modo. Era muito estranho que Sofia não tivesse
aparecido depois do assassinato brutal da família. Do que estaria fugindo?
Sentada a uma das mesinhas da Rotisseria Sírio-Libanesa, Victoria olhou o
relógio. Meio-dia e vinte. Teria Georges se esquecido do almoço? Ele costumava
se atrasar, só que nunca mais de dez minutos. Quando ela já cogitava ligar, viu
Georges se aproximar com um sorriso constrangido. Usava uma camisa
chamativa com marcas de suor debaixo dos braços e um chapéu de feltro.
Victoria gostava da bagunça sutil na aparência dele. Era uma pessoa que não
ligava para as imposições sociais.
“Desculpa, o metrô demorou a passar”, ele disse, ofegante.
“Não tem problema. Eu estava esperando.”
Georges lhe deu um beijo rápido, que em seguida se transformou em um beijo
longo que a deixou sem ar por alguns segundos.
“‘Eu estava esperando’ é uma maneira educada de dizer ‘Você está muito
atrasado’?”, ele perguntou, irônico.
“Exatamente”, ela concordou, e os dois riram.
Eles pediram um quibe cru e miniesfirras de sabores variados para dividir


Eles pediram um quibe cru e miniesfirras de sabores variados para dividir
enquanto conversavam.
“De onde vem o nome Georges?”
“É grego. Minha avó paterna veio pra cá fugida da guerra”, ele disse.
“Significa ‘aquele que trabalha na terra’. Nada muito animador…”
“Não combina com você, com essas mãos macias de quem passa o dia digitando
e esse chapéu…”
“Estou sendo avaliado?”, Georges perguntou, com um meio sorriso. “O
chapéu faz com que eu me sinta mais novo. Estou ficando careca. É a crise dos
quarenta, acho.”
“Quarenta?”
“Tenho trinta e seis. E quatro anos passam voando.”
Victoria ficou surpresa. Nunca tinham conversado sobre aquilo, mas pensava
que ele tivesse no máximo trinta ou trinta e poucos. Trinta e seis era bastante.
“A diferença de idade te incomoda?”
Incomodava, mas ela não sabia o motivo. Negou depressa e acrescentou:
“Meu pai também era mais velho do que minha mãe. Ele tinha trinta e cinco e
ela tinha vinte e três quando se conheceram. Meu pai nunca tinha se apaixonado
por nenhuma mulher antes dela.”
Georges suspirou antes de dizer:
“Eu também nunca tinha me apaixonado.”
“E a artista plástica inglesa?”
“Ela foi só um teste.” Ele fez um gesto vago com as mãos: “Eu também estava
esperando, Vic”.
Ela entrou na brincadeira:


Ela entrou na brincadeira:
“É uma maneira educada de dizer que estou atrasada?”
“Vamos dizer que você chegou na hora certa…”
Ele colocou a mão sobre a dela, apertando-a de leve. Victoria ficou observando
Georges em silêncio antes de perguntar:
“E seus pais? Como eles eram?”
“Meus pais?” Ele pigarreou, pego de surpresa. “Minha mãe era durona.
Nasceu no interior e foi fazer faculdade em Belo Horizonte contra a vontade dos
pais. O sonho dela era ser neurologista. Foi na faculdade que conheceu meu pai,
que era um sujeito bem família. Era o mais velho de cinco irmãos e tinha o
mesmo nome do meu avô. Adivinha qual era.”
“Georges?”
Os dois caíram na gargalhada.
“Tem toda uma linhagem de Georges”, ele confirmou. “Meu pai também fazia
medicina e conheceu minha mãe no bandejão. Demorou um tempo pra ela
aceitar sair com ele, mas logo ela se apaixonou também. Tipo a gente.”
Victoria abriu um sorriso defensivo.
“E eles viveram felizes para sempre?”
“É.”
“Os dois ainda moram em Belo Horizonte?”
Georges engoliu em seco, baixando os olhos.
“Eles morreram em 2012. Eu estava na Europa. Minha mãe teve um aneurisma e
morreu três dias depois. Voltei pra fazer companhia ao meu pai por um tempo,
mas mesmo assim… Ele ficou sozinho demais, tudo o que fazia era com ela,
sabe? Não aguentou. Seis meses depois, morreu também. Dormindo.”
Georges suspirou antes de perguntar: “E seus pais? Como eles eram?”


Georges suspirou antes de perguntar: “E seus pais? Como eles eram?”
Victoria se lembrava de poucas coisas dos pais. Depois de tanto tempo, sua
imaginação havia tratado de preencher os pontos obscuros, de modo que ela não
conseguia separar o que era recordação do que era invenção.
“Meu pai era mais calmo, silencioso, apaixonado pela ideia de ensino. Não à
toa, quis abrir uma escola. Já minha mãe era mais extrovertida, temperamental,
cheia de rompantes.”
“Você parece com ela, então”, ele ironizou.
Victoria revirou os olhos.
“Acho que eles se completavam. Ela fazia tudo por ele, e ele fazia tudo por ela.”
“Você pensa em casar? Ter filhos?”
Victoria deu de ombros.
“Não sei.”
Ela achava que Georges seria um bom pai, daqueles que fazem tudo pelos filhos,
mimam de todos os jeitos, carregam no colo para cima e para baixo. Não tinha
tanta certeza de que poderia ser uma boa mãe nem de que queria ser uma, então
achou melhor mudar de assunto.
Depois do árabe, tomaram café em uma padaria na praça São Salvador e
caminharam até o prédio dele, na Glória, passando por um sebo e pelo Museu da
República, onde ficaram alguns minutos conversando num dos banquinhos
próximo ao lago. Georges a chamou para subir ao apartamento dele, mas ela
sabia o que estava implícito no convite e ainda não se sentia pronta, mesmo que
soubesse que era com ele que queria dar aquele passo.
Pegou um táxi para a Lapa e chegou rapidamente em casa. Enquanto subia os
lances de escada do prédio, ficou se perguntando o que a impedia de ir além com
Georges. Algo parecia estar faltando, mas ela não sabia o quê. Havia como que
uma ranhura interna, um alarme baixinho no peito que avisava que ainda não era
hora. Girou a chave na fechadura e destrancou as tetras. Ao abrir a porta, reparou
em um pequeno monte de folhas no chão. Apoiada à parede, inclinou-se para
observar a caligrafia mais de perto e percebeu a garganta secar. Santiago havia


observar a caligrafia mais de perto e percebeu a garganta secar. Santiago havia
deixado novas páginas.
16.
DIÁRIO DE SANTIAGO

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