Uma Mulher no Escuro



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Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes (2)
EXAME 013052022, A Cinco Passos de Voce - Rachael Lippincott, WORKSHOP TER 25JAN protected
22 de junho de 1993, terça
Fiz doze anos. Não sei muito bem o que isso significa, mas acho que não sou
mais criança. Também não sei se quero ser adulto. Adulto tem muito problema.
Ter doze anos é ficar tipo no meio do caminho. Queria muito que nascesse logo
pelo no meu sovaco e no meu peito. Outro dia, o Igor mostrou o pinto no
vestiário, e ele já tem pelo. Fiquei pensando se eu tenho algum problema.
Minha festa de aniversário foi o máximo. D. Teresinha ajudou e meu pai
comprou bolo, chiclete, cachorro-quente e refrigerante. Tinha muita Sprite, que
eu ADORO. Veio quase todo mundo da escola, menos a Luytha, a Carol e o
Lauro. O
Lauro eu nem queria que viesse. O mais incrível foi que a Rayane veio. E me
trouxe um presente: um relógio de cabeceira que brilha no escuro.
Antes da festa, meu pai me levou para cortar o cabelo e me deu um sapato novo,
que parece uma bota de guerreiro da selva. Usei na festa e todo mundo achou
legal. Ganhei bastante presente. Camisas maneiras, bonecos de luta e um
tabuleiro de damas. O Igor me deu um spray e falou pra eu deixar escondido no
armário.
Esse foi meu primeiro aniversário sem minha mãe. Se ela estivesse aqui, ficaria
andando de um lado para outro daquele jeito dela, anotando quem deu o que de
presente só pra poder falar mal mais tarde. Na hora de assoprar a vela, meu pai
me disse para eu fazer um pedido, e eu pensei nela.
[…]


[…]
25 de junho de 1993, sexta
Acho que fiz uma coisa muito, muito errada. Nem sei se deveria escrever isso
aqui. Eu estava no quarto, vendo televisão e pensando na Rayane. Me deu
vontade de tocar punheta, aí nem pensei: coloquei a mão no pinto e comecei.
Meu pai entrou no quarto e botei o pinto pra dentro da cueca na hora, acho que
ele não notou nada. Estava com a cabeça em outro lugar, todo arrumado e se
olhando no espelho. Ele disse que ia sair com uma amiga e perguntou se eu me
importava de ficar sozinho. Achei bom, porque eu ia poder tocar punheta em
paz. Apaguei a luz do quarto e ficou só a luz do relógio que a Rayane me deu.
Coloquei o pinto pra fora e comecei a mexer nele. Depois de um tempo, veio a
ardência. E aí aconteceu uma coisa estranha. Eu comecei a tremer. Vi que estava
saindo uma coisa branca, gosmenta, meio transparente. Não era xixi. Era outra
coisa. Achei que ia morrer. Fiquei apavorado e tive vontade de chorar. Entrei
correndo no banho, tentando fechar o pinto com a pele pra não vazar mais.
Agora parou, mas estou com medo. Não sei se conto o que aconteceu pro meu
pai quando ele chegar. Ele pode ficar muito chateado comigo. O Igor e o Gabriel
vão saber me ajudar, na segunda. Espero que eu não tenha estragado meu pinto.
Nunca mais vou tocar punheta.
[…]
28 de junho de 1993, segunda
Levei o dinheiro para o fim de semana na serra. A Rayane também vai. Eu vi ela
pagando hoje. Da minha turma, acho que só o Lauro não vai. E não vai fazer
falta. Na hora do recreio, o Igor disse pra gente combinar de sair no próximo fim
de semana. Ele falou pra eu levar o spray, mas não sei. A d. Teresinha ficou
muito triste por causa do gato… Fico mal toda vez que vejo o bicho mancando
no quintal, arrastando a patinha de trás, metade dele em carne viva. O gato ficou
cego de um olho, e tenho certeza que me reconhece. Ele sabe que fui eu que fiz
isso com ele.
[…]


[…]
11 de julho de 1993, domingo
Hoje foi a festa de encerramento da semana de atividades na serra e do primeiro
semestre. O Gabriel e o Igor falaram que a Rayane sabia de tudo e que a gente ia
ficar. Tomei banho pensando nela. Coloquei minha melhor roupa e a bota que
meu pai me deu de aniversário.
Mais tarde, a gente sentou em roda, umas vinte pessoas, e começou a jogar
verdade ou consequência. Sentei bem na frente da Rayane, que sorriu para mim.
Estava tocando aquela música “Cigana”, do Raça Negra, que eu adoro. Não

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