Um legado de liberdade assim como eu não seria escravo, tampouco seria



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Promessa cumprida

Em 22 de setembro de 1862, 

Lincoln promulgou um decreto 

que se tornou conhecido como 

a Proclamação Preliminar da 

Emancipação. Esse decreto 

anunciava sua intenção de, em 1˚ de 

janeiro de 1863, promulgar outro 

declarando que “todas as pessoas 

mantidas como escravos dentro de 

qualquer estado ou parte designada 

de um estado, cujo povo estiver em 

rebelião contra os Estados Unidos, 

estarão, a partir dessa data em 

diante, e para sempre, livres”.

Com a chegada do novo ano, 

Lincoln cumpriu sua promessa. 

A Proclamação da Emancipação 

declarava que todos os escravos 

dentro da Confederação “estão e 

daqui por diante serão livres; e que 

o governo executivo dos Estados 

Unidos, incluindo suas autoridades 

militares e navais, reconhecerá e 

manterá a liberdade dessas pessoas”. 

Ela também anunciava os planos 

Acima: a primeira leitura da 

Proclamação da Emancipação 

para o gabinete de Lincoln. À 

esquerda: com a Proclamação, 

o Exército da União recrutou 

soldados negros, como os do 

2º Regimento de Artilharia de 

Pessoas de Cor dos Estados 

Unidos



da União para recrutar e colocar 

soldados negros em serviço.

O futuro líder afro-americano 

Booker T. Washington tinha 

cerca de 7 anos de idade quando a 

Proclamação da Emancipação foi lida 

em sua fazenda. Como relembrou 

em suas Memórias de Um Negro, de 

1901:

À medida que o grande dia se 

aproximava, cantava-se mais do 

que de costume nos alojamentos 

dos escravos. O canto era mais 

audacioso, mais envolvente e 

prolongava-se até mais tarde da 

noite. A maioria dos versos das 

canções das fazendas (plantation 

songs) fazia alguma referência à 



liberdade. … Um sujeito que parecia 

ser desconhecido (funcionário do 

governo, imagino) fez um pequeno 

discurso e depois leu um longo 

documento — a Proclamação da 

Emancipação, penso eu. Terminada 

a leitura, nos disseram que todos 

estávamos livres e podíamos ir onde 

quiséssemos. Minha mãe, em pé 

ao meu lado, inclinou-se e beijou 

seus filhos, enquanto lágrimas de 

alegria escorriam pela sua face. Ela 

nos explicou o que significava tudo 

aquilo e que aquele era o dia pelo 

qual rezava há tanto tempo, mas 

temia que não vivesse para vê-lo.

Na frente política, Lincoln 

continuava a defender a emancipação 

como uma necessidade militar. 

“Nenhum poder humano conseguiria 

subjugar essa rebelião sem usar a 

alavanca da Emancipação como eu 

fiz”, escreveu.



Se eles [os afro-americanos] arriscam 

a vida por nós, eles devem ser 

impelidos por um motivo muito 

forte. … E, feita a promessa, precisa 

ser cumprida. … Por que dariam 

a vida por nós sabendo de nossa 

intenção de traí-los? (...) Eu seria 

condenado aqui e na eternidade se 

fizesse tal coisa. O mundo saberá que 

cumprirei a palavra dada a amigos e 

inimigos, haja o que houver.

Mais de uma década após a morte 

de Lincoln, Frederick Douglass 

tentou explicar a relação de Lincoln 

com a causa da emancipação. 

Comparando Lincoln com os 

demais abolicionistas, escreveu: 

“Lincoln parecia lerdo, frio, 

obtuso e indiferente.” Contudo, 

“avaliando-o pelo sentimento 

de seu país, um sentimento 

que ele, como estadista, era 

obrigado a considerar”, Lincoln 

“era rápido, entusiasta, radical e 

determinado”. Talvez nenhum 

estadista conseguisse realizar 

mais.

O grande abolicionista 



Frederick Douglass 

avaliou Lincoln pelo 

sentimento da nação 

e o qualificou como 

“rápido, entusiasta, 

radical e determinado” 

a acabar com a 

escravidão

ABRAHAM LINCOLN: UM LEGADO DE LIBERDADE

 




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