Um legado de liberdade assim como eu não seria escravo, tampouco seria



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PR EFÁCIO

GEORGE CLACK

No centro do Memorial Lincoln 

(acima), a escultura de Daniel 

Chester French (na página ao 

lado) retrata Lincoln voltado para 

o leste, em direção ao Monumento 

Washington




ABRAHAM LINCOLN

: UM LEGADO DE LIBERDADE

 

 

3



obstáculos que o presidente teve 

de superar para criar um Exército 

da União eficaz e um quadro de 

generais para comandá-lo. Por fim, 

o historiador diplomático Howard 

Jones, em “Lincoln, o Diplomata”, 

descreve os desafios internacionais 

enfrentados por Lincoln como 

presidente da guerra e como ele os 

superou.


Apesar de todos os livros, artigos 

e conferências sobre Lincoln, além 

das inúmeras homenagens feitas a 

ele, um certo mistério ainda paira no 

ar. No fim, a figura de Lincoln parece 

tão grandiosa, tão diversificada, 

tão cheia de significados que os 

americanos de todas as estirpes quase 

sempre o convocam para suas causas. 

Em entrevista recente, Andrew 

Ferguson talvez tenha sido o que 

melhor entendeu o poder do ícone: 

“Lincoln também nos remete a algo 

essencial do nosso credo nacional. O 

ícone de Lincoln nos faz lembrar da 

ideia de que a União, por si só, não é 

suficiente. A União tem de se dedicar 

a uma proposta: a de que todos os 

homens são criados iguais.”

George Clack é diretor do 

Escritório de Publicações no Bureau 

de Programas de Informações 

Internacionais do Departamento  

de Estado




4

 

 

ABRAHAM LINCOLN: UM LEGADO DE LIBERDADE



nós buscamos sua orientação. Na verdade, não 

podemos fazer nada melhor do que imitar o nosso 

16o presidente: um homem de ambição tenaz, que é 

tão americana, mas também alguém cuja intenção foi 

sempre temperada pela determinação inabalável de 

nunca comprometer sua integridade pessoal.

Nunca enfadonho, o nosso Lincoln. Ele era 

um homem simples, um homem complexo, um 

trabalhador, um anedotista, um recluso, um homem 

de ação, um visionário. Justamente quando achamos 

que o entendemos, ele foge à nossa compreensão. Não 

é um homem para ser rotulado. Há um Lincoln para 

todas as estações e todas as razões.

Os acadêmicos encontram solo fértil nas muitas 

manifestações de Lincoln. Eles debatem a substância 

de sua vida e o significado mais amplo da sua morte 

trágica. Como se desenvolveram suas visões sobre 

raça? Por que agiu tão cautelosamente com relação 

à emancipação? Foi movido apenas pelo imperativo 

do sucesso no campo de batalha e a consequente 

necessidade de obter apoio externo? Quando foi que 

abraçou a ideia de cidadania plena para os ex-escravos? 

O seu plano de Reconstrução reuniria com sucesso 

o Norte e o Sul e ao mesmo tempo garantiria aos ex-

escravos sua plena igualdade legal?

Apenas Lincoln poderia ter nos desviado do 

trágico curso das relações raciais que se seguiu após 

a sua morte. Como colocou John Hope Franklin, o 

acadêmico afro-americano frequentemente chamado 

de decano dos historiadores americanos: “De todos os 

presidentes americanos, apenas Lincoln varou noites 

preocupado com o destino da minha gente.”

Embora Lincoln conte hoje em dia com a 

admiração quase universal de seus compatriotas, 

durante sua vida ele não foi exatamente um homem 

de todas as estações e de todas as razões. Muitos 

sulistas e abolicionistas não gostavam dele. Frederick 

Douglass, o ex-escravo que se tornou autor, editor e 

reformador político abolicionista (também o homem 

mais admirado na Inglaterra), culpou Lincoln por não 

ter agido rapidamente com relação à emancipação. 

Douglass acreditava que Lincoln se preocupava 

demais com os estados escravistas das fronteiras que 

não se juntaram à rebelião sulista. Apenas mais tarde 

Douglass percebeu a maestria política de Lincoln: 

finalmente ele veio a entender que o presidente era um 

político pragmático e habilidoso que sabia exatamente 

o quão rápido e até onde poderia impelir o povo 

americano rumo à abolição.

Sempre ansioso por aprender, Lincoln convidou 

para a Casa Branca pessoas sem papas na língua. Ele 

respeitava a honestidade dessas pessoas. Douglass 

foi uma delas. Outra foi Anna Dickinson, uma 

ativista quaker abolicionista, defensora dos direitos 

das mulheres e grande admiradora de Lincoln. Mas 

ela acabou se voltando contra Lincoln porque ele não 

EILEEN MACKEVICH




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