Um legado de liberdade assim como eu não seria escravo, tampouco seria


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ABRAHAM LINCOLN: UM LEGADO DE LIBERDADE



Um ato necessário sob o ponto 

de vista militar

Uma ferramenta que Lincoln 

empregou em sua tentativa de evitar 

o reconhecimento diplomático da 

Confederação foi o sentimento 

antiescravista entre os europeus. Logo 

após a vitória apertada da União em 

Antietam no último trimestre de 

1862, Lincoln exerceu seus poderes 

militares como comandante-em-chefe 

para declarar que, a partir de 1º de 

janeiro de 1863, todos os escravos nos 

estados ainda em rebelião estavam 

libertos. Ele qualificou essa histórica 

Proclamação da Emancipação como 

um ato “necessário sob o ponto de 

vista militar”, com a finalidade de 

encorajar os escravos a abandonar as 

plantações e unirem-se aos exércitos 

da União em seu avanço.

Como sempre, Lincoln fez um 

balanço cuidadoso entre objetivos 

conflitantes enquanto avançava rumo 

a um objetivo maior. A Proclamação 

da Emancipação não citava os escravos 

em estados de fronteira, como 

Kentucky, Missouri, Maryland e 

Delaware, que não haviam se juntado 

à Confederação (bem como partes 

do Tennessee já sob ocupação da 

União). Lincoln assim conservou o 

apoio desses estados importantes 

e evitou indispor-se com nortistas 

conservadores e possíveis legalistas 

da União no Sul. Mesmo assim, 

Lincoln sabia que sua Proclamação 

da Emancipação era moralmente 

justa. Ele reconheceu também que 

isso levantaria o moral da União ao 

elevar a guerra ao nível de cruzada 

humanitária. E, naturalmente, contou 

com a emancipação para evitar que 

os britânicos e os franceses, que se 

opunham à escravidão, entrassem na 

guerra do lado dos sulistas.

Os instintos diplomáticos do 

presidente provaram estar certos. 

Muitos líderes britânicos e franceses 

haviam calculado que a divisão dos 

Estados Unidos em duas nações 

rivais serviria melhor aos objetivos 

de seus países. A Proclamação da 

Acima: os comissários da Confederação 

James Mason e John Slidell sendo 

retirados do Trent. O presidente Lincoln 

ordenou a libertação dos confederados 

para evitar mais danos às relações com 

a Grã-Bretanha e o risco de perder 

o apoio britânico à Confederação. À 

esquerda:  John Bull, à direita na charge 

britânica, ameaça os Estados Unidos: 

“Faça o que é direito, meu filho, se não 

eu o faço em pedaços”



ABRAHAM LINCOLN

: UM LEGADO DE LIBERDADE

 

 

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Emancipação era uma ferramenta 

potente para sobrepujar esse 

sentimento. No princípio, alguns 

estadistas britânicos consideraram 

o documento um esforço hipócrita 

da União para arrancar a vitória da 

derrota certa, incitando rebeliões 

de escravos. Se a guerra era sobre a 

escravidão, por que Lincoln havia 

declarado que seu objetivo era 

preservar a União?

De fato, em novembro seguinte, 

o gabinete britânico, liderado 

pelo primeiro-ministro Lorde 

Palmerston, considerou uma 

proposta intervencionista de 

reconhecer a Confederação e assim 

forçar a União a discutir a paz. 

O gabinete votou unanimemente 

contra isso, principalmente porque 

não desejava que a Grã-Bretanha 

fosse vista do lado dos escravistas 

contra Lincoln e a emancipação.  

Juntamente com os russos, a Grã-

Bretanha então rejeitou a proposta 

do imperador francês Napoleão 

III de exigência de armistício 

apoiado por forças multilaterais se 

qualquer dos dois lados beligerantes 

americanos rejeitasse a exigência 

(na realidade, era uma ameaça cujo 

alvo era o Norte, uma vez que um 

armistício ratificaria efetivamente 

a independência sulista). No final 

de 1982, o ministro Palmerston 

entendeu que, fosse qual fosse a 

mistura de realpolitik e instinto moral 

que levou à proclamação de Lincoln

ainda que seus motivos não fossem 

100% puros, os resultados seriam 

desejáveis e justos.




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