Top destinos do hipismo internacional



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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Jean Maurice Bonneau

ARTE EQUESTRE



Os cavalos de Roma

Aachen

Saint-Tropez

Cannes

Rotterdam

TOP DESTINOS DO 

HIPISMO INTERNACIONAL







6

|       H O R S E   S O C I E T Y   L i f e s t y l e

Esporte de alto nível

AIDA DE MENDONÇA NUNES, publisher

 @aidamnunes

Publisher

Aida de Mendonça Nunes

aida@horsesociety.com.br

 

Direção de arte: 



Nilmon Filho e Aida Nunes

Jornalista Responsável: 

Amanda Julieta

Foto de capa: 

Aida Nunes

 

Fotografia: 



Aida Nunes

w w w. h o r s e s o c i e t y. c o m . b r

A Horse Society Lifestyle é uma publicação da Horse Society Lifestyle LTDA. Todos os direitos estão reservados. Fica proibida qualquer reprodução do conteúdo. 

Os artigos de opinião são de exclusiva responsabilidade dos autores. A Horse Society Lifestyle não se responsabiliza pelos anúncios e mensagens publicitárias 

incluídos nessa edição.

Fotografia de moda: 

Pedro Accioly

 

Colaboraram nesta edição:



 Márcia Nunes, Patsy Zurita, Bruna Matos, Rogério Saito, Elizabeth 

Brosnan, Manuela Cunha, Carola May e Sara Paes

 

Projeto gráfico e diagramação: 



Nilmon Filho

Contato comercial: 

atendimento@lemidia.com

Tel. +55 (11) 3078-5840

EDITORIAL

Com o campeão olímpico 

Nino des Buissonnets

N

ão nos restam dúvidas de que o coração 



do hipismo mundial bate na Europa. É lá 

que o esporte equestre de alto rendimen-

to impera soberano, onde todos os finais 

de semana, competições de altíssimo nível aconte-

cem em praticamente todos os países europeus, dis-

tribuindo milhares de euros em premiações diárias.

É lá que a seleção brasileira montou a sua base, e a 

equipe da Horse Society foi conferir de perto o que 

eles estão fazendo e como estão vivendo.

Acompanhamos o time Brasil em ação nos torneios 

mais importantes do mundo, começando pela Alema-

nha, no CHIO Aachen, passando pela Riviera Francesa, 

onde fomos prestigiar o Athina Onassis Horse Show, 

nas proximidades da pequena vila de Saint Tropez. 

Também fomos ali, na sua vizinha Cannes, onde acon-

teceu a 6a etapa do Global Champions Tour, o maior 

circuito hípico do mundo. Neste meio tempo, fomos 

procurar pelos cavalos no Museu  Olímpico, que fica na 

cidade de Lausanne, na Suiça, onde também funciona 

a sede da FEI (Federação Equestre Internacional) e, em 

seguida, passamos por 

Roma para apreciar um 

pouco das históricas 

obras de arte equestre 

espalhadas por toda a 

lendária cidade.

Ainda na Europa, visita-

mos a top Camila Mazza 

Smit na pequena cidade 

de Knegsel e quase não 

conseguimos ir embora da Holanda, país onde o hipis-

mo é fortíssimo! Aproveitamos para dar uma passadi-

nha em Rotterdam, principal polo econômico dos Paí-

ses Baixos, para ver de perto a performance da equipe 

brasileiro na Copa das Nações, competição que serviu 

como teste para o PAN 2015 onde, aliás, tivemos um 

dos piores resultados da historia do nosso hipismo.

O técnico do time, o ex-cavaleiro  francês  Jean Maurice 

Bonneau,  fez uma análise do desempenho do Brasil  na 

ocasião, e nos contou com exclusividade os detalhes  

sobre o trabalho que vem realizando junto à CBH (Con-

federação Brasileira de Hipismo) para desenvolver o hi-

pismo nacional e formar novos cavaleiros que tenham 

condições de competir no circuito de alto rendimento .

Entre os que já chegaram lá, trazemos nesta edição, 

Marlon Zanotelli, o ginete maranhense que conquistou 

a Europa e o Brasil com a sua humildade e determina-

ção, e o paulista Pedro Veniss que defende a bandeira 

brasileira desde criança e hoje é o principal cavaleiro 

da equipe de alta performance do nosso país.

Voltando para o Brasil, vimos o Nordeste reinar abso-

luto nas categorias de base e corremos para a nossa 

fantástica Bahia para saber o que vai acontecer na 

comemoração dos 10 anos de Copa Chuin, sem dú-

vida a mais bonita festa do mundo hípico nacional. 

Quer saber mais? Confira tudo isso e mais um pouco 

nas próximas páginas e divirta-se como nós nos di-

vertimos preparando este material!

Um forte abraço,



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Rapidinhas

Horse Society Tour Brasil

CHIO Aachen

Brazucas pelo mundo

Athina Onassis Horse Show

Arte equestre

Entrevista com Jean-Maurice Bonneau

Moda


Global Champions Tour

Papo Vet


Museu olímpico

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16

22

26



34

38

42



52

56

58



CHIO Rotterdam

O Brasil na Holanda

Pan 2015

Ping Pong

Campeonatos brasileiros

Perfil Novos Talentos

Especial: Copa Chuin

Filantropia

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66

68



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72

76



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82

34



66

52

Sumário




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Testando

Construído em 2007, o Centro de Hipismo das 

Olímpiadas do Rio 2016, em Deodoro, teve o 

seu primeiro evento-teste para os jogos, após 

uma série de ajustes. A prova, realizada em 

agosto, foi vencida pelo cavaleiro Márcio Jor-

ge e acompanhada de perto pelo prefeito do 

município, Eduardo Paes. A paisagista e artista 

plástica Marta Villela também participou do 

evento e assina os obstáculos Paraty e Festa 

Junina, que estarão nos percursos montados 

nos Jogos Olímpicos.

RAPIDINHAS

Durante a realização do Longiness Rio Equestrian Festival, ao som da música “Maluco Beleza” de Raul Seixas, 

o medalhista olímpico Luiz Felipe de Azevedo tentou quebrar os recordes brasileiro e mundial de salto em 

altura em muro. O carioca, conhecido como Felipinho, precisava bater sua própria marca, de 2.32m, e a do 

cavaleiro alemão Franke Sloothaak, que saltou incríveis 2.40m em 1991. O cavaleiro, infelizmente, acabou 

batendo no muro. Não foi dessa vez.

Recorde Mundial

Foto: Marta Villela




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Horse Bar

Os amantes do hipismo têm um novo 

ponto de encontro em São Paulo, o Horse 

Bar. Inaugurado em agosto deste ano na 

Sociedade Hípica Paulista, o charmoso 

espaço é ideal para quem quer desfrutar de 

boas bebidas e bate-papo na companhia 

de amigos e familiares. Tudo isso com uma 

vista privilegiada para a pista de grama e o 

picadeiro coberto.

A Câmara Municipal de Curitiba aprovou em primeiro turno o projeto da Prefeitura que prevê a 

proibição do uso de carroças e charretes na cidade. O projeto proíbe o uso de veículos de transporte 

de cargas ou de pessoas e a também a exploração dos animais. Quem descumprir a norma pode ter 

o animal apreendido definitivamente e pagar multas, que podem chegar a R$ 200mil.

Curitiba proíbe carroças e charretes

De malas prontas

O carioca João Eduardo Ferreira de Carvalho está 

pronto para o próximo grande passo da sua carrei-

ra. O top está de malas prontas para a Europa e vai 

acompanhado da noiva, a amazona Karina Rocha 

Mello, que é proprietária do Haras Equiprime. 

Disponível para os sistemas operacionais Android 

e IOS, o HorseWorld 3D é um jogo para quem não 

dispensa a diversão com os cavalos nem no mundo 

virtual. Neste game gratuito você aprende a cuidar do 

seu próprio cavalo, tem aulas no picadeiro e, claro, 

participa de competições em busca de prêmios. 

HorseWorld 3D

Foto: Car

ola May


Fotos: divulgação


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HS TOUR BRASIL

Confira o lançamento da edição 8 no Brasil

Diego Gomes e 

Ricardo Castelar

Andre Giovanini, Yane Marques e Carlos Avelar

Ivo Roza


João Manuel e Cecilia Gentile

Mariana Cassetari e Felipe Braga

Erica de Lorenzo e Beth Miranda

João Coelho

Zé Luís Carvalho e Stephanie Foster

Cesar Almeida




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Pelé

Emanuela Canuto



Gustavo e Luciana Rabelo

Thiago e Lara Freitas

Alberto de Souza

Francisco Costa Carvalho e 

Stephanie Macieira

Renato Junqueira

Mário Zanotelli Filho e familia

Gabriel Marques e Anita Schmidek




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INTERNACIONAL

A Alemanha foi mais uma vez destaque internacional com a realização de um dos principais concursos 

de hipismo do mundo, o Chio Aachen 2015. O tradicional evento, que acontece desde 1924, agitou a 

primavera alemã e teve a participação de 70 cavaleiros de 17 nacionalidades diferentes e 180 cavalos, 

que competiram nas disciplinas de Salto, Adestramento e Atrelagem.

Q

uem foi a Aachen entre os dias 29 e 31 



de maio teve a oportunidade de confe-

rir os melhores atletas do hipismo inter-

nacional em ação. Localizada no oeste 

da Alemanha, próxima às fronteiras da Bélgica e 

dos Países Baixos, esta cidade histórica, que foi 

decretada capital do Sacro Império Romano-Ger-

mânico pelo imperador Carlos Magno, é referência 

mundial no esporte equestre.

Anualmente, Aachen atrai turistas apaixonados 

pela equitação vindos de diversos países. Só nes-

te ano, foram cerca de 100 mil espectadores, que 

lotaram o Main Stadium e o Deutsche Bank Sta-

dium para ver de perto as emocionantes disputas 

por prize-money de nada menos que 1,4 milhão 

de euros. 

Além dos prêmios do concurso, os tops internacio-

nais tiveram mais um motivo para correr atrás do tro-

féu na cidade: o Rolex Grand Slam. Trata-se de um 

desafio histórico criado em 2013 pelos três maiores 

eventos hípicos do mundo, que premia com 1 milhão 

de euros o ginete que vencer sucessivamente os GPs 

do Chio Aachen, CSIO Spruce Meadows Masters 

(Canadá) e CHI Geneva (Suíça).  

CHIO AACHEN

Luciana Diniz e Fit For Fun



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Com uma estrutura completa, o Chio 

Aachen 2015 contou também com uma 

programação voltada para o entreteni-

mento e cultura, com a apresentação da 

Symphony Orchestra Aachen e o Con-

cours d’Elegance, um desfile de 25 car-

ruagens tradicionais da Alemanha, Bélgi-

ca e Holanda, além de uma área gourmet 

com o melhor da cozinha internacional e 

especialidades regionais.

“Sem dúvida, é o concurso mais 

importante do calendário. Eu 

acho que aqui é considerada a 

Meca do hipismo, então você 

sempre quer participar com seus 

melhores cavalos”

Rodrigo Pessoa



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INTERNACIONAL

Meca do Hipismo

Mesmo com uma edição mais enxuta em 2015, o 

CHIO Aachen continua sendo a menina dos olhos do 

hipismo mundial. Rodrigo Pessoa que o diga: ele é o 

brasileiro que mais participou da competição na histó-

ria, estreando nas pistas do evento em 1989.  

“Sem dúvida, é o concurso mais importante do ca-

lendário. Eu acho que aqui é considerada a Meca do 

hipismo, então você sempre quer participar com seus 

melhores cavalos, ter um bom desempenho. Ganhar 

uma prova aqui quer dizer que você realmente está em 

boa forma e que você ganhou de excelentes concor-

rentes”, avalia o campeão olímpico. Pessoa não saltou 

com seu cavalo principal, Status, que teve um abces-

so no casco e só pôde saltar nos concursos seguintes 

da agenda internacional, em Saint-Tropez e Cannes. 

Além dele, o maranhense Marlon Zanotelli também re-

presentou o Brasil no concurso, conquistando o 5º lu-

gar na prova a 1.50m e o 3º lugar na prova de cavalos 

novos, com obstáculos a 1.45m.

Montando Rock´n Roll Semilly, Zanotelli foi o único 

brasileiro a saltar o GP de Aachen, a 1.60m, prova 

mais importante do concurso, e terminou na 31ª 

posição, com dezesseis pontos perdidos. Quarenta 

conjuntos participaram da primeira volta e apenas 

os 18 melhores foram classificados para a segunda 

rodada. O britânico Scott Brash foi o grande vence-

dor do Grand Prix após o jump-off, zerando o per-

curso. O segundo e terceiro lugares ficaram com o 

alemão Daniel Dausser e o francês Simon Delestre

respectivamente. 

1. Hello Sanctos - Scott Brash, GBR

2. Cornet d´Amour - Daniel Deusser, ALE

3. Ryan Des Hayettes - Simon Delestre, FRA

4. Chiara 222 - Ludger Beerbaum, ALE

5. Voyeur - Kent Farrington, EUA

6. SFN Zenith N.O.P. - Jeroen Dubbeldam, HOL

R E S U LTA D O S

Kent Farrington




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CHIO AACHEN

Scott Brash

Mario Zanotelli

Katty King

Patsy Zurita

Elizabeth Madden

Alexandre Gadelha

Ludger Beerbaum




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Jeroen Dunbledan

Luciana Diniz

Daniel Deusser

Steve Guerdat

Rodrigo Pessoa

Thereza Tourinho

Maristela e Marcel Zanotelli



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BRAZUCAS PELO MUNDO

À 

frente de nomes de peso como Pius 



Schwizer, Michael Whitaker e Eric Lama-

ze, Marlon Modolo Zanotelli não está en-

tre os 30 melhores cavaleiros do mundo 

por acaso. A conquista é o resultado de uma pitada 

de sorte e muito trabalho, já que competir entre os 

tops internacionais exige dedicação quase que ex-

clusiva ao hipismo.  A fórmula para o sucesso pode 

até parecer simples, mas é tão difícil, que muitos 

atletas acabam desistindo no caminho. 

Desde abril de 2008, Marlon vive na pequena cida-

de de Bolchot, localizada na província de Limburg, 

na Bélgica. Cercado por muito verde, o município 

faz fronteira com a Holanda e é uma área de grande 

importância ecológica, abrigando algumas espécies 

de animais em risco de extinção e aves raras. Bol-

chot também é conhecida no país pela produção de 

cerveja e tem até um museu dedicado à bebida.

A região tem a localização perfeita para quem quer 

se dedicar ao hipismo na Europa, próxima aos lo-

cais onde são realizadas as grandes competições 

internacionais. Mas nem tudo são flores. Além das 

diferenças culturais entre a Bélgica e o Brasil, o frio 

exagerado e a distância da família e dos amigos fo-

ram as maiores dificuldades encontradas por Marlon 

no continente. O ritmo de trabalho foi outro ponto 

ao qual ele teve que se habituar: ao longo do dia, o 

cavaleiro monta diversos cavalos e realiza serviços 

como limpeza do material e cuidados com os ani-

mais. Apesar de não ser comum na terra tupiniquim, 

ajudar a executar as atividades relacionadas à equi-

tação é praxe entre os cavaleiros no exterior. 

Brazucas 

pelo Mundo

Quando deixou o Brasil em busca de um so-

nho, Marlon ainda não sabia, mas esse seria o 

passo decisivo que colocaria o seu nome entre 

os melhores cavaleiros do país. A vida no exte-

rior tem sido árdua para o jovem maranhense, 

mas já começou a render bons frutos: sete anos 

depois, ele vive a felicidade de ser o brasileiro 

mais bem colocado no ranking da Federação 

Equestre Internacional (FEI). 

Para estar no centro do hipismo mundial, treinando 

e competindo com atletas de alto nível de diversos 

países, Zanotelli acorda cedo todos os dias e, antes 

mesmo do café da manhã, já está montando o pri-

meiro cavalo. “Não tenho dia de folga”, diz. Mas o 

sacrifício, ele garante que vale a pena. 

Marlon abriu um espaço na agenda e recebeu a re-

portagem da Horse Society na propriedade Asford 

Farm, onde trabalha para o empresário Enda Carrol. 

O resultado você confere nas próximas linhas. 




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QUANDO VOCÊ DECIDIU MORAR NA EUROPA?

 Eu 


vim no dia 1º de abril de 2008. Fazia muito tempo 

que eu queria vir, mas meu pai, graças a Deus, nunca 

deixou. Sempre me fez estudar, aprender o inglês e, 

pelo menos, começar minha faculdade. 

E COMO FOI O PROCESSO PARA VOCÊ MORAR 

AQUI? PARA CONSEGUIR UM VISTO? 

Nos primei-

ros três meses, eu fiquei aqui com o visto de turista 

e, depois, dei entrada nos meus papéis como inde-

pendente. Aí que eu digo graças a meu pai, de eu ter 

a faculdade, de eu ter terminado meu curso e tudo. 

Senão, não conseguiria. 

SEM A ESCOLARIDADE, VOCÊ NÃO CONSEGUE?

 

Não, não consegue. Eu me formei em Marketing.



COMO É A SUA ROTINA DE TRABALHO?

 Hoje, eu 

tenho uma situação bem confortável. A gente con-

seguiu organizar um “sistema” em que os cavaleiros 

começam a montar o primeiro cavalo 7h30, todo dia. 

Todo mundo prepara o seu primeiro cavalo. Os tra-

tadores começam às 6h30, limpando a cocheira e 

tudo. Normalmente, 8h15, por aí, a gente terminou de 

montar esse primeiro cavalo e os tratadores termina-

ram com as cocheiras. A gente toma café da manhã 

juntos, 20 minutos. Mas quando você chega... Acho 

que todo mundo passa por isso. Você acorda de ma-

nhã e tem que bater seis, sete, oito boxes. Você tem 

que preparar, montar, sete a dez cavalos sozinho, 

sem tratador. Você tem que fazer tudo. Você tem que 

limpar, aprender a tosar um cavalo, faz tudo. Muitas 

vezes, quando você chega aqui, você não sabe co-

locar uma bandagem no cavalo, não sabe botar uma 

liga no cavalo. Tudo isso, você vai aprendendo. Essa 

experiência, eu acho que não tem preço. Porque o 

montar em si é relativamente mais fácil. Essa admi-

nistração por trás, esse gerenciamento dos cavalos, 

eu acho que é o mais importante e o mais delicado. 

A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HIPISMO JÁ TE 

APOIOU DE ALGUMA FORMA? COMO É QUE VOCÊ 

VÊ O INCENTIVO AO ATLETA POR PARTE DAS INS-

TITUIÇÕES NO BRASIL?

 Agora, com a questão das 

Olimpíadas, a CBH tem dado apoio financeiro para 

os cinco melhores cavaleiros do ranking mundial. 

Então, isso, pra gente, principalmente pra mim, tem 

sido muito importante. 

Entrevista com 

Marlon Zanotelli

“Agora, com a questão das 

Olimpíadas, a CBH tem 

dado apoio financeiro para 

os cinco melhores cavaleiros 

do ranking mundial. 

Então, isso, pra gente, 

principalmente pra mim, tem 

sido muito importante”

Marlon Zanotelli



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BRAZUCAS PELO MUNDO

COMO É QUE FUNCIONA ESSE APOIO? É UMA 

BOLSA?

 É como se fosse um salário mensal, uma 



ajuda de custos em geral.

QUANTO É? PODE FALAR?

 Não sei se eu posso 

falar (risos).

É BOM OU RUIM?

 Não, é bom. A ideia deles é po-

der focar nos cavalos, naquela questão de você 

não ter que estar preocupado se vai ter dinheiro pra 

pagar o fisioterapeuta, se você vai ter dinheiro pra 

pagar o seu básico. Pra você ter como estar bem 

estruturado se você precisar de um preparador fí-

sico, um preparador mental. Pra você ter como ter 

essas coisas, entendeu?

E O QUE VOCÊ DIRIA PARA OS CAVALEIROS BRA-

SILEIROS QUE PENSAM EM VIR FAZER CARREIRA 

NA EUROPA?

 Todo mundo fala “ah, é loucura”. Eu 

não acho que seja. Você tem que estar consciente 

de que você tem que pagar o preço porque você vai 

trabalhar muito, as pessoas aqui não te aliviam em 

nada. Você tem que fazer tudo. Agora, se é o que 

você quer realmente, vale a pena, não tem outro lu-

gar melhor. Tanto é que os americanos estão aqui. 

Todo mundo, do mundo inteiro, japonês, o pesso-

al do Qatar, tá todo mundo aqui. Não é à toa que 

aqui é o centro do esporte. Você aprende muito e, 

é lógico, tudo tem que caminhar. Você tem que ter 

talento, tem que ter força de vontade. São tantos 

fatores que influenciam pra você conseguir chegar, 

mas o mais importante é você trabalhar e acreditar 

que vai conseguir. Muitos vêm e desistem no meio 

do caminho. Porque é normal, é complicado, não 

é uma coisa fácil. Não só a questão dos cavalos e 

você trabalhar muito. Mas também a questão cultu-

ral, você está longe da família, você está longe dos 

seus amigos, você tem que abrir mão de festa, abrir 

mão de fim de semana. 



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HS



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Athina Onassis 2015

Fruto do casamento e parceria entre a grega Athina Onassis e o brasileiro Álvaro Affonso de Miranda 

Neto, o Doda, o AOHS 2015 deu o que falar. Em sua segunda edição fora da Brasil, o evento levou 

para a deslumbrante cidade francesa de Saint-Tropez os melhores cavaleiros e amazonas do mundo.

temperatura subiu na tropical Praia da Pam-



plona, localizada no sul da França. De 4 a 6 

de junho, a famosa praia naturista se tornou 

o centro das atenções em Saint-Tropez, por 

um motivo que vai muito além de suas águas transpa-

rentes ou do agito de seus clubes. É que a Pamplona 

sediou o evento mais badalado do hipismo internacio-

nal, o Athina Onassis Horse Show 2015. Foram três 

dias de tirar o fôlego de qualquer amante do esporte, 

com direito a paisagens incríveis, provas disputadíssi-

mas e, claro, muita elegância e diversão.

Não é novidade que Saint-Tropez é, todos os anos, 

um dos destinos internacionais mais procurados 

por turistas do mundo inteiro. A região, que já foi 

uma pacata vila de pescadores e ganhou os holo-

fotes após se tornar a queridinha do ícone Brigitte 

Bardot, hoje é frequentada por milionários e estrelas 

de diversos setores artísticos, mas mantém os ares 

de cidadezinha interiorana. Essa combinação entre 

vida pacata, sempre em contato com a natureza, e 

eventos luxuosos parece ser o ingrediente do su-

cesso deste destino turístico.

Foi nesse clima que aconteceu a sétima edição do 

AOHS. O concurso levou para as pistas francesas os 

35 melhores atletas do hipismo mundial, no CSI 5*, 

mas também abriu espaço para a competição entre 

atletas amadores no CSI 2*, incluindo celebridades 

como o ator Guillaume Canet e a herdeira real Char-

lotte Casiraghi. Ao todo, cerca de 119 cavaleiros e 

200 cavalos, oriundos de mais de 20 países, compe-

tiram nas 14 provas do AOHS, que teve um total de 

561 mil euros de prêmios em dinheiro.

Vista aérea do 

aeroporto de 

Nice - França

INTERNACIONAL



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O evento

Como já é tradição, os anfitriões Doda e Athina ofe-

receram ao público e atletas que estiveram no Athina 

Onassis Horse Show um evento completo. Uma área 

VIP ofereceu diversas opções gastronômicas em um 

espaço que lembrava as tradicionais “boulangeries” 

da França, com ingredientes da culinária internacional 

e comidas típicas de região. Uma pequena cozinha or-

gânica servia sucos e saladas e os convidados pode-

riam se servir à vontade de frutas e amêndoas em uma 

cascata de chocolate ou de bebidas como whisky, 

champanhe e vinho rosé típico da região Cote d’Azur. 

Neste espaço, nomes de destaque internacional mar-

caram presença, como o sheik árabe e cavaleiro Ali 

Bin Khalid Al Thani e o estilista italiano Giorgio Arma-

ni, que ofereceu um jantar para Doda, Athina e alguns 

convidados em sua casa em Saint-Tropez.

Seja da área VIP, reservada apenas para convidados, 

ou das democráticas arquibancadas, o público teve 

a oportunidade de conferir os melhores conjuntos do 

mundo nas pistas e o que não faltou foi emoção. 

E teve brasileiro fazendo bonito da competição. O 

destaque verde-amarelo foi o maranhense Marlon 

Modolo Zanotelli, que levou o terceiro lugar no pódio 

do Longines Gran Prix, além de conquistar o segundo 

lugar no Prix Midway Labs, na quinta-feira, e a sétima 

posição no Prix Julius Baer, que aconteceu na quin-

ta-feira. Zanotelli completou o percurso do GP sem 

faltas em um tempo de 44s77, saltando obstáculos 

a 1.60m com o seu cavalo Zerlin M, e foi o único bra-

sileiro entre os colocados, ficando atrás apenas do 

espanhol Sergio Alvarez Moyá e do alemão Marco 

Kutscher, grande campeão da prova.

Praia da Pamplona

Athina Onassis de Miranda



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INTERNACIONAL

Ainda na série 5*, o cavaleiro olímpico Pedro Veniss 

venceu o Prix Ville de Ramtuelle, a 1.45m, montan-

do Rissoa d’Ag Bois Margot. Ele cumpriu a prova 

de duas fases sem faltas, desbancando 33 conjun-

tos. Já Rodrigo Pessoa foi o único brasileiro en-

tre os colocados no Prix Giorgio Armani, prova de 

1.50m, alcançando o 9º lugar com o cavalo Ferro 

Chin v. Lindenhof. 

Para o paulista Pedro Andrade Costa e o seu AD 

Argos, que integram a equipe do casal Athina e 

Doda, foi só alegria. O conjunto se sagrou cam-

peão do Prix Talent Advisors CSI2*, a 1.45, cum-

prindo o percurso sem penalidades. Os brasileiros 

Nando Miranda, Carlos Ribas, Katty King, Luciana 

Lossio e Viviane de Miranda também participaram 

das disputas.

Doda Miranda




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Restaurante L’Opera

1. Cornet’s - Marco Cristallo Kutscher, ALE 

2. Carlo 273 - Sergio Alvarez Moya, ESP

3. Zerlin M - Marlon Modolo Zanotelli, BRA 

4. Deauville S - Laura Kraut, EUA

5. Olympique Libellule - Timothee Anciaume, FRA

6. Concordija - Sheikh Ali Bin Khalid Al Thani, QAT

R E S U LTA D O S

Este ano, o concurso foi também 

a terceira etapa do prestigiado 

French Tour da Federação Eques-

tre Francesa (FFE), que reúne oito 

competições internacionais de 

salto, no nível 5 estrelas (CSI 5*). 

As outras etapas do tour são rea-

lizadas nas cidades de Bordeaux, 

La Baule, Cannes, Paris, Chantilly, 

Dinard e Lyon.

Ao  final  da  competição,  os  cava-

leiros comemoraram os resultados 

em duas badaladas festas parale-

las. A primeira teve um espaço re-

servado para Doda e convidados 

na boate Les Caves de Roi, do Ho-

tel Byblos, um dos mais famosos 

de Saint-Tropez. No dia seguinte, 

o agito foi à beira-mar e o local es-

colhido para festejar foi o badala-

do Bagatelle Beach.

ONDE FICAR: 

HOTEL BYBLOS

Situado no coração de Saint-Tropez, pertinho do porto e das 

praias, o Hotel Byblos é uma boa pedida para quem não 

dispensa charme e conforto. O local foi inaugurado em 1967, 

com a presença de personalidades ilustres, como as atrizes 

Mireille Darc e Brigitte Bardot. Foi lá, em 1971, que o astro do 

rock Mick Jagger passou a lua de mel com sua primeira esposa, 

a então modelo e atriz Bianca Perez. Além das acomodações 

5 estrelas que fizeram do hotel o favorito entre celebridades, o 

Byblos mantém o nightclub Les Caves du Roy, spa, fitness center 

e oferece deliciosas opções gastronômicas, com o melhor da 

cozinha mediterrânea.

ONDE JANTAR:

 L’OPERA


A vista privilegiada para o porto de Saint-Tropez é apenas uma 

das muitas maravilhas do restaurante L’Opera, o lugar perfeito 

para passar a tarde ou a noite desfrutando de frutos do mar e 

um bom vinho. À noite, o destaque fica com a performance de 

dançarinas e apresentação de DJs, sempre acompanhados de 

pratos da culinária francesa e drinks de dar água na boca.

ONDE CURTIR O DIA: 

NIKKI BEACH

Quando o assunto é praia, o Nikki Beach é uma das melhores 

opções para se divertir em Saint-Tropez. O clube é uma espécie 

de “balada na piscina” e, além de bebidas, oferece restaurante, 

loja de biquínis e festas temáticas durante a alta temporada. 

Localizado na praia da Pamplonne, a apenas 20 metros do 

AOHS, o beach club oferece a infraestrutura ideal para quem 

quer badalação diurna.



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ATHINA ONASSIS HORSE SHOW

Sheik Ali Bin Khalid Al Thani

Alexa Pessoa

Alan Guimarães

Ben Maher

Guilherme Jorge e Angela Covert

Maristela, Mario Zanotelli e Claudia Mathy

Carlos Iaconelli

Marco Kutscher



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Maria Luiza Paiva e Luiza Leão

Sergio Moya

Carlos Ribas

Diego Bilbao e Carolina 

Drummond

Doda Miranda

Nando Miranda

Marlon Zanotelli

Pedro Cebulka

Laura Kraut




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ARTE EQUESTRE

Cavalos de 

Roma

U

ma cidade cheia de história para contar. 



É o mínimo, é claro, que se espera de 

Roma, essa simpática senhora milenar, 

que contabiliza mais de 2.500 anos. Fun-

dada em 753 a.C, data que ainda gera divergências 

entre os estudiosos, a capital da Itália é a quarta cida-

de mais populosa da União Europeia e já foi cenário 

de inúmeros episódios relevantes da história mundial.

Passear pelas ruas da cidade é como mergulhar no 

tempo, com destaque para o patrimônio arqueológi-

co e artístico que deram ao Centro de Roma o títu-

lo de Patrimônio Histórico da Humanidade. Prédios, 

monumentos, praças e vielas ilustram a história da 

Antiguidade, época em que os imperadores domina-

vam a região e travavam terríveis guerras pela sobe-

rania e expansão territorial. 

É lá que estão localizados os maiores símbolos do 

Império Romano, como o Coliseu, construído em 

Roma é um dos poucos lugares do mundo que proporcionam um contato tão próximo com os 

primórdios da civilização oriental. A cidade, que tem um papel de importância única na história 

da humanidade, sobreviveu à passagem dos milênios e até hoje guarda objetos e construções 

de valor inestimável.

uma área que, anteriormente, abrigava o palácio de 

Nero, imortalizado nos registros da história como um 

imperador tirano e cruel. O governante foi um gran-

de incentivador da cultura e dos esportes, tendo até 

mesmo participado dos Jogos Olímpicos de 67, com 

o objetivo de melhorar as relações com a Grécia. 

Como atleta, Nero quase morreu em uma queda na 

competição, ao conduzir um carro de dez cavalos. 

Os cavalos, aliás, tiveram participação fundamen-

tal na história da humanidade. Não se sabe ao cer-

to quando ocorreu a domesticação destes animais, 

mas eles acabaram fazendo uma grande revolução 

no cotidiano rural e urbano. Os cavalos passaram a 

ser usados como meio de transporte, mão de obra 

na agricultura e até mesmo como armas de guerra, 

recurso muito utilizado na Roma Antiga. 

No combate, o poder equestre poderia determi-

nar o vencedor da batalha. Quanto mais guerrei-

Vista aérea do Vaticano

Coliseu



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ARTE EQUESTRE

ros montados, maior a probabilidade de vencer o 

inimigo. No início da República Romana, o servi-

ço na cavalaria era exclusivo para os membros 

dos équites, uma classe abastada que logo se 

tornou uma elite social. Os carros de guerra, ou 

bigas, tipo de carruagem que se utilizava da tra-

ção dos cavalos, também foram muito comuns 

em Roma, bem como as corridas entre cavaleiros 

no circo romano. Reza a lenda que o imperador 

Calígula chegou a nomear seu cavalo como côn-

sul, cargo público oficial que tinha a função de 

comandar as tropas.

Estátua equestre de Marco 

Aurélio na praça do Capitólio



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Não é à toa que os cavalos estão presentes em pra-

ticamente todos os lugares da Roma contemporâ-

nea. É impossível passear pelas ruas da cidade e 

não se deparar com a arte equestre, seja em monu-

mentos, prédios públicos, lojas ou museus. Os equi-

nos têm papel de destaque na cultura romana, que 

tem justamente na arte uma das suas manifestações 

mais importantes. 

Ao longo dos milênios, o berço da arte no mundo, 

como é conhecida a Itália, fez o favor imortalizar es-

tes animais através de obras belíssimas. É o caso da 

estátua equestre do imperador Marco Aurélio. A obra, 

talvez a mais icônica representação da arte equestre 

na cidade, é a única estátua de bronze sobreviven-

te de um imperador romano da era pré-cristã. Ela só 

se livrou de ser derretida porque foi confundida com 

uma imagem de Constantino, o primeiro governante 

católico do Império Romano. A estátua traz Marco 

Aurélio no dorso de seu cavalo e, atualmente, está 

exposta no Museu Capitolino, com uma réplica na 

Piazza del Campidoglio.

O Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II, loca-

lizado entre o Monte Capitolino e a Piazza Venezia, 

também chama atenção pela sua imponência. Pro-

jetada por Giuseppe Sacconi em 1885 e inaugurado 

em 1911, a obra é feita em puro mármore e apresenta 

uma grandiosa estátua de Vítor Emanuel II, primeiro 

rei da Itália unificada, além de duas estátuas da deu-

sa Vitória. Do alto do monumento, a altiva deusa, que 

era adorada por generais na Roma Antiga, aparece 

em uma quadriga, espécie de carruagem conduzida 

por quatro cavalos.

Pura arte



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ENTREVISTA

Entrevista com 

Jean-Maurice Bonneau

HORSE SOCIETY: ENTÃO, JEAN-MAURICE, FALE 

UM POUCO SOBRE VOCÊ, SUA CARREIRA, SUA 

VIDA COMO CAVALEIRO. 

JEAN-MAURICE: Como cavaleiro, eu integrei a equipe 

francesa entre as décadas de 80 e 90, fui medalha de 

bronze no Campeonato Europeu de equipe, juntamente 

com Hervé Godignon, Roger-Yves Bost e Alexandra Le-

dermann. Minha primeira experiência com o treinamen-

to internacional foi em 96, com o Japão. Eu trabalhei 

quatro anos para o Japão. E então, em 2000, depois 

de Sydney, eu assinei um contrato de quatro anos na 

Federação Francesa para ser treinador “selector” e 

Chef d’Equipe. Ganhamos a WEG [Jogos Equestres 

Mundiais], em 2002, e também Nation’s Cups como La 

Baule, Dublin, Hickstead, Roma, por três vezes, Rotter-

dam... Vencemos também a Final da Copa do Mundo, 

em 2004, em Milão. Enfim, tivemos resultados bastante 

consistentes. Eu parei no final do ano de 2006 porque 

perdemos os jogos em Atenas. Tivemos dois cavalos 

com problemas e, em seguida, as relações dos cavalei-

ros que não foram selecionados com a federação fica-

ram um pouco tensas. Então, eu decidi parar. 

HS: COMO VOCÊ FOI CHAMADO PARA SER O CHE-

FE DE EQUIPE DO BRASIL? 

JM: Em 2007, eu voltei com uma vida normal, como 

treinador. Eu treinei Luciana Diniz, Simon Delestre, 

e, em seguida, Athina Onassis e Doda Miranda. Em 

2010, eu fui para o WEG [Winter Equestrian Games] 

em Lexington com Doda, como treinador particular, e 

eu conheci Betão [Luiz Roberto Giugni] por lá. Então, 

Doda me pediu para organizar uma reunião com Be-

tão porque o comitê representante desejava desen-

volver um trabalho com novos cavaleiros, para criar 

uma nova geração de ginetes. E, então, eu disse: “ok, 

me deixe trabalhar nisso e eu te darei um retorno”. 

Então, preparei e enviei algumas propostas e eles me 

pediram para ser a pessoa encarregada de executá-

-las. Eu assinei meu primeiro contrato em 2011, até 

os Jogos de Londres, em 2012. Depois, eles me pe-

diram para continuar até o Rio em 2016.

HS: MAS NESTE MEIO TEMPO, EM 2012, A FEDERA-

ÇÃO FRANCESA CONVIDOU-O PARA SER DIRETOR.

JM: Sim, como você sabia? Bom, eles me propu-

O francês Jean-Maurice Bonneau tem muita história para contar. Como cavaleiro, ele integrou a equi-

pe da França nas décadas de 1980 e 1990, quando conquistou importantes títulos. Em 1996, Jean-

-Maurice deu um passo decisivo em sua carreira e começou a atuar como treinador internacional. A 

primeira experiência foi com o Japão e durou quatro anos. Logo em seguida, o técnico passou a trei-

nar a equipe francesa, da qual ficou à frente durante seis anos. Hoje, Bonneau é o técnico responsável 

pela equipe de saltos do Brasil e prepara os tops brasileiros para as Olímpiadas do Rio 2016.

foto: Pierr

e Costabadie




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seram ser o responsável por todo o esporte, geren-

ciando o salto, “eventing”, “vaulting”, tudo. Eu tinha 

a minha experiência como treinador, como chefe 

de equipe, mas eles me propuseram algo novo. Foi 

emocionante porque era um novo desafio para mim. 

Mas eu tinha meus brasileiros e eu amava-os. E, para 

mim, era... Como eu poderia dizer? 

HS: VOCÊ JÁ ESTAVA ENVOLVIDO COM ELES, 

CERTO?

JM: Eu realmente tinha criado uma forte relação 



com os cavaleiros, como Doda e Rodrigo, e eu 

tinha a sensação de que não era justo deixá-los 

sozinhos. Sabia que eles queriam continuar porque 

não era uma tentativa qualquer, era realmente para 

preparar os jogos olímpicos, já que os dois primei-

ros anos foram como um pouco de “pagar pra ver”, 

entende? Para me sentir confortável ou não com 

eles, também para que eles se sintam confortáveis 

e para mensurar se eu era a pessoa certa para as-

sumir esta responsabilidade. É uma responsabili-

dade enorme quando você organiza os jogos em 

seu próprio país. Então, eu tenho que dizer que 

passei algumas noites em claro para pensar nisso. 

E uma noite eu decidi: “Não, eu não posso deixá-

-los agora, não é justo.” Seria muito difícil para mim 

passar por eles e dizer: “eu desisto”.  Então, final-

mente, era óbvio para mim continuar. Porque foi 

algo realmente baseado numa relação de confiança 

humana. Eu expliquei isso para a Federação Fran-

cesa e eles compreenderam. 

HS: NO BRASIL, ALGUMAS PESSOAS ACHAM QUE 

O TREINADOR DA EQUIPE DEVE SER BRASILEIRO. 

O QUE VOCÊ ACHA DISSO?

JM: Eu acho que eles estão certos! E eu posso en-

tender isso, mas eu não sou a pessoa que escolhe! 

Talvez eu tenha que dizer que, quando comecei, 

percebi que entre os brasileiros havia muitas his-

tórias, desentendimentos etc. Eu tentei fazer esse 

processo de forma pacífica. Estamos aqui para tra-

balhar em conjunto, para criar boas condições para 

que cada cavaleiro, primeiramente, consiga fazer 

parte da equipe e, então, para que possa defender 

a bandeira brasileira. Esse é o único objetivo para a 

Federação e para mim. Então, sim, talvez no futuro 

por causa da língua, por causa da cultura. Eu sou 

francês, mas eu amo os brasileiros, é verdade! E 

isso é importante porque eu não poderia fazer esse 

trabalho se eu não me sentisse um pouco brasileiro, 

de uma certa forma. 

HS: QUAIS SÃO OS REQUISITOS PARA SER O 

TREINADOR DA EQUIPE E COMO FUNCIONA ESTE 

TRABALHO?  

JM: Por causa dos jogos, o Brasil solicitou mais de 30 

treinadores estrangeiros para trabalhar para o país até 

que eu aceitasse. O meu contrato é pago pelo Comitê 

Olímpico através CBH [Confederação Brasileira de Hi-

pismo]. Eu preciso organizar o sistema, acompanhar os 

ginetes, ir para o Brasil, porque nós também estamos 

tentando elevar o nível do esporte no Brasil. Eu traba-

lho com Caio Carvalho, que está no comando dos ju-

niores, dos jovens cavaleiros, dos mirins. Normalmen-

te, todos os anos eu venho ministrar clínicas e observar 

os campeonatos. Desta forma, podemos acompanhar 

as novas gerações chegando. Isto é muito importante 

para o primeiro objetivo da Federação, para o desen-

volvimento do esporte. No Brasil, temos bons locais, 

boas instalações e tentamos elevar o nível com bons 

desenhadores de percursos. Eu acho que nós pode-

mos realizar boas competições. Mas não sou apenas 

eu, trata-se de um trabalho feito em conjunto com a 

CBH, para criar um ambiente positivo para o desenvol-

vimento do esporte e para que os cavaleiros com base 

no Brasil não fiquem muito distantes do nível top. Prin-

cipalmente neste momento, em que temos um enorme 

problema com a doença do mormo. É realmente difícil 

enviar os cavalos do Brasil para a Europa e fazer parte 

do nosso sistema aqui. Além disso, os cavaleiros no 

Brasil têm seus negócios lá, então é difícil vir para a 

Europa porque eles não ganham dinheiro aqui, eles ga-

nham dinheiro no Brasil. Eu entendo isso. É uma situ-

ação delicada e temos de nos adaptar. Sabe, quando 

eu estava no comando da França, que é um país pe-

queno, era fácil ter todos os cavaleiros por perto. Aqui 

eu tenho cavaleiros em três continentes: Europa, Brasil 

e Estados Unidos. Então, eu precisei adaptar a minha 

forma de trabalho. Hoje eu sei quem eles são, onde 

eles estão. Eu sei como eles estão organizados etc. 

“Eu sou francês, mas eu amo 

os brasileiros, é verdade! 

E isso é importante porque 

eu não poderia fazer esse 

trabalho se eu não me 

sentisse um pouco brasileiro, 

de uma certa forma”




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ENTREVISTA

HS: E, SOBRE O PROBLEMA DO MORMO, VOCÊ 

ACHA QUE ISSO VAI SER ALGO PARA SE PREO-

CUPAR? O QUE AS PESSOAS AQUI NA EUROPA 

PENSAM SOBRE ISSO? ELES ESTÃO FAZENDO 

PERGUNTAS SOBRE O ASSUNTO?

JM: Eles estão me fazendo perguntas, mas eles re-

almente não sabem aqui na Europa. Eles não perce-

bem exatamente o que é. Eles apenas se preocupam 

com a quarentena para os jogos. Vai ser uma zona 

de quarentena, ou seja, não é um problema para os 

jogos, mas é um problema para os brasileiros.

HS: ENTÃO OS GINETES BRASILEIROS NÃO PO-

DEM PARTICIPAR DOS JOGOS PORQUE OS CAVA-

LOS NO BRASIL NÃO PODERÃO IR, CERTO? 

JM: Sim, eles podem, mas eles têm que vir através de 

Estados Unidos ou Argentina. Via Argentina demora 

cerca de três meses! Então, é realmente complicado 

e custa dinheiro. 

HS: EXISTEM OUTROS PROFISSIONAIS QUE TRA-

BALHAM COM VOCÊ NA EQUIPE? NÃO É SÓ VOCÊ 

E OS CAVALEIROS, CERTO?

 

JM: Eu tenho Rogério Saito como veterinário da 



equipe. Começamos a trabalhar juntos no início. Eu 

o conheci no Brasil e senti que ele estava realmen-

te envolvido, apaixonado. Agora, eu trabalho para 

encontrar um treinador mental, porque quando vi 

a Copa do Mundo de futebol no ano passado, fi-

quei decepcionado vendo homens, atletas, choran-

do como bebês. E eu percebi que, numa próxima 

vez, podemos ser nós! No nível top, existem tantos 

bons cavaleiros e eles têm mais ou mesmo o mes-

mo nível, então, uma boa preparação mental pode 

fazer a diferença. 

 HS: E QUANTO À PREPARAÇÃO FÍSICA? 

JM: Bem, eu tenho que dizer que com os brasileiros 

isso  fica  muito  fácil,  porque  todos  fazem  esportes, 

fitness. Eles têm essa cultura no Brasil, mas para o 

mental que eu gostaria de adicionar, não. Eu preci-

so do apoio da CBH, mas eu realmente acredito que 

isso é primordial, é realmente importante. Como em 

todos os campeonatos, eu não sei qual vai ser o re-

sultado, mas eu sei que precisamos oferecer 150 por 

cento do nosso melhor. Não 100, mas 150. O meu 

papel, meu trabalho, é pensar sobre isso. É criar e 

providenciar ajuda. Se precisamos da ajuda em al-

gum lugar, precisamos dar essa ajuda, para atingir os 

resultados, o objetivo que temos.

HS: EM QUE LÍNGUA VOCÊ FALA OFICIALMENTE 

COM OS CAVALEIROS? (RISOS)

JM: Todos falam francês mais ou menos. Caso con-

trário, nós falamos inglês e falo um pouco de portu-

guês. Mas, no final, eu falo com o meu coração e eles 

entendem isso. (risos)

HS: QUE TIPOS DE POSTURA E DE ATITUDE O CA-

VALEIRO PRECISA PARA ESTAR NA EQUIPE BRA-

SILEIRA?


JM: Eu quero pilotos com caráter forte. Eu quero ca-

valeiros que odeiam falhar e que realmente queiram 

vencer e possam fazer tudo para vencer. Estou re-

almente trabalhando para desenvolver o espírito de 

equipe. Quando você pratica um esporte individual 

como o nosso, é realmente emocionante participar 

de uma Copa das Nações ou uma competição por 

equipes. Quando você ganha uma medalha de equi-

pe, você pode compartilhar isso com muito mais pes-

soas e isso para mim é a prioridade. É por isso que eu 

peço agora, quando eles montam em um CSI, para 

montar em todas as provas com a casaca verde. É 

como o exército, quando você está com o mesmo 

“Eu quero pilotos com 

caráter forte. Eu quero 

cavaleiros que odeiam 

falhar e que realmente 

queiram vencer e possam 

fazer tudo para vencer”

Eduardo Menezes, Jean-Maurice, Rodrigo 

Pessoa, Yuri Mansur e Doda Miranda

Facebook/Doda Miranda




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H O R S E   S O C I E T Y   L i f e s t y l e       |

uniforme, você se sente mais forte. Todas essas pe-

quenas coisas podem fazer a diferença em um mo-

mento. Também quero transparência entre eles e eu 

porque, caso contrário, fica difícil criar esse tipo de 

espírito. E eu sempre procuro ser claro com eles. Eu 

explico o que eu vou fazer e faço o que eu explico. 

Claro que, às vezes, é difícil porque você tem alguns 

impasses, porque selecionar significa que você tem 

também que dizer “não”. E como qualquer atleta de 

alto nível, eles precisam entender que, se eles não 

estão dentro, poderão estar numa próxima vez. Eu 

explico o que eles precisam para melhorar e isso é 

assim em qualquer esporte.

HS: ENTÃO, VOCÊ ESTÁ OBSERVANDO ALGUNS 

GINETES. VOCÊ TEM UMA LISTA DE TOP 10 POSSI-

BILIDADES PARA A EQUIPE BRASILEIRA DE HOJE?

JM: A questão é muito mais interessante para aque-

les que serão no futuro. Porque a lista, você tem a 

mesma que eu. Porque agora nós estamos há ape-

nas um ano dos Jogos Olímpicos e eu não sou Da-

vid Copperfield. Não posso mudar nada. É um longo 

processo para desenvolver os ginetes, para deixá-los 

trabalhar juntos. É por isso que é bom ter quatro anos 

para criar isso, para observar como eles se com-

portam na equipe, como eles se sentem entre eles. 

Mesmo que eles não sejam amigos, eles têm de de-

senvolver esse tipo de atitude. E também para os ca-

valos, com certeza, não é definitivo ainda. Doda está 

em processo de encontrar um cavalo e Rodrigo está 

desenvolvendo um novo cavalo também. Pedro com 

Quabri é uma combinação forte. E Marlon também 

desenvolveu novos cavalos porque Clouwni foi ven-

dido durante o WEG no ano passado. Mas também 

temos Eduardo Menezes com Quintol, Karina, Felipe, 

Yuri. Mas, então, temos Barcha, temos Zé Roberto. 

O problema é como trazer os cavalos aqui para a Eu-

ropa porque, no final das contas, todos eles sabem, 

eu observo no Brasil, mas se eles quiserem estar na 

equipe de alto nível, eles precisam vir para a Europa 

para competir na série de 1,60m e contra os melhores 

ginetes do mundo, o que faz uma enorme diferença.

HS: E SOBRE OS JOGOS OLÍMPICOS, QUAIS SÃO 

AS SUAS EXPECTATIVAS?

JM: A minha primeira expectativa é de ser capaz de 

fazer uma seleção. Eu não quero apenas poder colo-

car os “sobreviventes”. Gostaria de realmente fazer 

uma seleção, de escolher os quatro melhores dentre 

um grupo forte. Esta é a minha primeira expectativa. 

O sistema criado pelo COB é chamado “Ouro para o 

Rio”, então, eu não tenho medo de dizer que eu tra-

balho para o ouro. Eu sei que é um enorme desafio, 

mas se nós não formos para o ouro, temos que ficar 

em  casa.  Eu  realmente  quero  retribuir  a  confiança 

que o Brasil depositou em mim.

HS: QUAL É O SEU PONTO DE VISTA SOBRE OS 

BRASILEIROS E O APOIO QUE TÊM OFERECIDO À 

EQUIPE BRASILEIRA DE HIPISMO? 

JM: Deveria ser melhor. Às vezes, os cavaleiros aqui 

na Europa se sentem um pouco sozinhos e eu acho 

que talvez seja porque, num primeiro momento, não 

temos uma boa comunicação com o Brasil e as 

pessoas não conseguem perceber o que estamos 

fazendo. Talvez seja uma consequência desta pou-

ca comunicação. Mas eu realmente desejo que, no 

próximo ano e também agora que as pessoas es-

tão atrás de nós, nos apoiando, nos concedam este 

tipo de energia positiva. Isso pode fazer a diferen-

ça. Posso dizer-lhe que os nossos ginetes merecem 

isso porque eles são ótimas pessoas, os melhores 

desportistas. E eu sei o quão duro meus cavaleiros 

trabalham para serem parte da equipe. Eu realmente 

espero que a família equestre possa entender isso e 

nos apoiar. Nós precisamos disso para conseguir de-

senvolver, juntos, o hipismo brasileiro!

“Estamos aqui para trabalhar 

em conjunto, para criar boas 

condições para que cada 

cavaleiro, primeiramente, 

consiga fazer parte da equipe e, 

então, para que possa defender 

a bandeira brasileira”

Jean Maurice com Caio Sérgio de Carvalho,

foto: CM



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