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This project has been carried out with the support of the European Community and the Life Long Learning Programme. The content of this project does not necessarily reflect the position of the European Community, nor does it involve any responsibility on the part of the European Community.



Sierolotta (o porco de ferro)

Chipre
Há muito, muito tempo, a ilha de Chipre estava cheia de fantasmas, criaturas e fadas que viviam em grutas e desfiladeiros. Em Doros, uma pequena vila perto da cidade de Lemesos, vivia uma criatura que atemorizava toda a gente da vila. Era uma criatura feroz e assustadora chamada o porco de ferro ou Sierolotta, que pesava para cima de quatro toneladas. O focinho dela era de ferro e os dentes afiados como facas. Às vezes parecia ter cabeça de mulher com serpentes vivas em vez de cabelos.

Sierolotta resfolegava, cavalgava e atacava junto à vila e as pessoas já não sabiam o que fazer. Sierolotta era tão forte e ruim que compuseram uma canção sobre ela:

fora a noite cai,

Vem depressa para dentro.

Que a Lotta, Sierolotta aí vai

Para atacar a seu contento

Agarrar, esmagar e matar.

Ninguém lhe consegue escapar.

Os senhores e todas as pessoas educadas da vila reuniram-se para debater o problema. Decidiram que o melhor era não permitir a ninguém entrar ou sair da vila durante a noite.

Um dia estava um estanho monge de visita à vila que se dirigiu aos senhores e lhes comunicou que desejava erigir um mosteiro junto ao desfiladeiro. Os senhores ouviram atentamente o que ele tinha para dizer e em seguira contaram-lhe a história de Sierolotta.

– Não se preocupem, disse o monge. – Hei-de livrar-me da vil criatura.

– Sierolotta é muito perigosa! – Avisaram-no.

Contudo, o estranho monge insistiu. Toda a gente da vila disse que ele era doido e ao cair da noite fecharam-se bem aferroados em suas casas.

Com a vila em complete sossego, o estranho monge dirigiu-se para o desfiladeiro, caminhando muito tempo a sussurrar a seguinte ladainha:

Criatura selvagem, vem cá!

Anda cá lutar comigo.

Hás-de ser derrotada

E para o outro mundo enviada!

Para lá de Hades te enviarei,

Na mais profunda escuridão te deixarei.

Vou-te destruir

E de ti livrar o mundo,

Amarrar-te com quarenta nós,

E banir-te do mundo por mil anos!

Repetia esta ladainha vezes sem conta e quando a disse pela décima terceira vez, abriram-se grandes fendas no solo. O monge olhou em redor, certo de que a criatura não tardaria em aparecer. De repente viu Sierolotta avançar contra ele, mas no minuto certo desviou-se e ela foi embater contra a montanha. Três horas mais tarde Sierolotta regressou muito irada, com os olhos a deitar chispas, para atacar de novo o monge, só que ele brilhava como uma estrela e ela ficou tão surpreendida que voltou a falhar o monge.

Foi então que o monge, com asas nas costas se ergueu nos ares para agarrar Sierolotta. O chão tremeu e abriu-se um enorme buraco cheio de nada, para onde o monge atirou Sierolotta e a criatura desapareceu.



Na manhã seguinte brilhava uma luz branca sobre a vila e os habitantes foram encontrar o monge sentado sobre um rochedo, todo sorridente. Disse-lhes que todas as suas preocupações e medos se tinham acabado e que nos mil anos seguintes Sierolotta não voltaria a atacá-los. Recomendou em seguida: – Construam uma igreja neste local, – e partiu.

Se as minhas contas estão certas, já se passaram novecentos e noventa e nove anos desde esse dia e daqui a dez anos Sierolotta será de novo livre para fazer o que quiser, mesmo na vila…
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