Thais angela stella



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Diário do Paraná: Orgão dos Diários dos Associados.

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Portanto, para uma pesquisa de acordo com Machado (2017), “o recorte espacial de 

um pesquisador deve estar alinhado ao problema a ser investigado e não circunscrito a priori”. 

(p.   299).   Neste   caso,   o   recorte   espacial   não   deve   ser   definido   antes   de   identificar   a 

problematização   da   pesquisa   porque   a   escolha   do   local   a   ser   pesquisado   dependerá   das 

perguntas as quais se deseja responder.

Para compreender a relação da Igreja Católica com o ensino no Brasil será feita uma 

contextualização sobre a História da Educação. Desta forma, de acordo com Sá & Coelho 

(2013), durante a colonização do Brasil o principal instrumento de dominação foi o ensino, o 

qual era baseado pelo sistema  disciplinar com fundamentos de uma estrutura pedagógica 

rígida. Havia o interesse em tornar o homem apto para o convívio social, ou seja, inserir nele 

as características europeias. As práticas pedagógicas existem desde a antiguidade, quando a 

modalidade de ensino deu origem a universidade. Conforme mencionado pelos autores, a 

origem da universidade muitas vezes é confundida com a história da Igreja Católica, devido 

ao fato do ensino superior ter relação inicialmente com a transmissão da teologia. Isso ocorreu 

porque desde 1225 até 1896, a instituição universitária esteve sob domínio do cristianismo.

Portanto,   a   história   da   educação   no   Brasil   herdou   características   da   colonização 

portuguesa e do projeto desenvolvido pela Companhia de Jesus. A proposta pedagógica dos 

jesuítas influenciou muito além do período de colonização do Brasil. Tendo em vista que, seu 

projeto de ensino expandiu-se do século XVI até o século XVIII. De acordo com Sá & Coelho 

(2013), a Igreja Católica manteve sua influência na educação brasileira após a presença dos 

jesuítas por um longo período.

É possível perceber isso em um período que apesar de estar distante, sofreu influência 

da Igreja mais uma vez. Neste caso, durante a Ditadura Civil Militar no Brasil (1964 - 1985), 

de acordo com Saviani (2008), o modelo de ensino neste período influenciou as práticas 

pedagógicas que entrariam em vigência mais tarde. Percebe-se isso ao observar os modelos de 

ensino após a Ditadura Civil Militar, presentes ainda hoje nas escolas, conforme destaca 

Saviani:

(...)   configurou-se,   a   partir   daí,   a   orientação   que   estou   chamando   de 

concepção   produtivista   de   educação.   Essa   concepção   adquiriu   força 

impositiva ao ser incorporada à legislação do ensino no período militar, na 

forma dos princípios da racionalidade, eficiência e produtividade, com os 

corolários   do   “máximo   resultado   com   o   mínimo   dispêndio”   e   “não 

duplicação de meios para fins idênticos”. (2008, p. 297).

Desta forma, o período pesquisado neste trabalho (1960 - 1987) , engloba a Ditadura 




Civil   Militar   no   Brasil   e   de   acordo   com   Pereira   (2006),   neste   período   houve   reformas 

educacionais marcadas pelo objetivo de estabelecer vínculo entre educação e trabalho. A ideia 

era   formar   “capital   humano”   que   atendesse   a   mão   de   obra   necessária,   assim   como   foi 

destacado por Saviani (2008) como “concepção produtivista de educação”. Neste sentido, 

conforme Cruz & Fonseca (2009), a população do campo não possuía acesso à educação e 

como o rádio continuava sendo o principal meio de comunicação para a população rural até a 

década de 80, o ensino radiofônico foi o meio pelo qual garantiu-se o acesso à educação e ao 

mesmo tempo capacitou esta população para o mercado de trabalho.

De acordo com Silva et al. (2014),

 

o Brasil ocupava na década de 60, o sexto lugar 



entre os países com maior índice de analfabetos, cerca de 70% da população se encontrava 

nesta situação. Desta forma, as escolas radiofônicas surgem para atender a esta necessidade. A 

Igreja Católica entra neste contexto por intermédio do CNBB, fornecendo para o governo a 

Sede   de   Emissoras   Católicas  para   que   nelas  fosse  instalado   o  MEB.   Neste   sentido,   será 

discutido e analisado no segundo capítulo a intenção da Igreja Católica em manter relação 

com o MEB. Tendo em vista que isso ocorre na década de 60, o que antecede ao período que 

corresponde   à   Ditadura   Civil   Militar   no   Brasil.   Sendo   assim,   pretende-se   compreender 

também se a intenção da Igreja Católica permaneceu a mesma ou sofreu modificações após 

Ditadura Civil Militar.

Durante a construção do primeiro capítulo, em certo momento houve o contato com 

uma nova fonte, a qual possibilitou novos questionamentos relacionados aos objetivos do 

MEB e da Igreja Católica em oferecer essas aulas. A fonte corresponde ao Jornal Diário do 



Paraná: Orgão dos Diários dos Associados, edições de 1955 a 1983, as quais apresentam o 

que era o MEB, além disso, também informa sobre as cartilhas deste movimento que foram 

censuradas durante a Ditadura Civil Militar, também apresenta opiniões de envolvidos com o 

movimento, os quais o defendem e também críticas de indivíduos contrários aos ideais do 

MEB. Ainda neste jornal, também é mencionado o nome da Rádio Celinauta de Pato Branco e 

informações sobre as aulas que seriam transmitidas neste município e sua ligação com a Igreja 

Católica da região.

Desta forma, no decorrer do segundo capítulo, pretende-se compreender os interesses 

da Igreja Católica em ceder suas emissoras para o Movimento de Educação de Base (MEB). 

Com base nisso, entender os interesses do MEB como modelo de ensino radiofônico antes e 

durante a Ditadura Militar no Brasil. Além disso, busca-se compreender  no terceiro capítulo 

como se desenvolveu o ensino radiofônico no estado do Paraná, com ênfase no município de 

Pato Branco.


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