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AInformaçãoComoCoisa
 
O que é um documento? 
Começamos usando uma classificação 
simples de fontes de informação: dado, 
documento, e objeto. Mas encontramos 
dificuldades se tentarmos ser rigorosos. O 
que, por exemplo, é um documento? Um 
livro impresso é um documento. Uma 
página manuscrita é um documento. Um 
mapa é um documento. Se um mapa é um 
documento, porque um mapa 
tridimensional também não seria um 
documento. Porque um globo também não 
poderia ser considerado um documento já 
que é, acima de tudo, a descrição física de 
alguma coisa. Modelos antigos de 
locomotivas foram feitos com propósitos 
informacionais, não recreacionais. Se um 
globo, um modelo da terra, é um 
documento, porque não considerar também 
um modelo de locomotiva ou um navio 
como um documento? O modelo é uma 
representação informativa do original. A 
locomotiva original ou navio, ou mesmo 
uma réplica em tamanho real, deveria ser 
mais informativa que o modelo. “Alguns 
manuscritos descrevem os três navios que 
trouxeram os colonos
para a Virginia e não 
tiveram o mesmo poder de representar 
aquela experiência que a reconstrução dos 
navios tiveram.” (Washburn, 1964). Dessa 
forma extrapolamos a habitual noção do 
que é um documento.
O significado apropriado de “documento” 
tem se relacionado com os cientistas da 
informação no movimento 
“documentalista”, buscando manter 
sistemas de fontes de informação desde o 
começo deste século. O legado dos 
documentalistas em usar “documento” 
como um termo genérico denota alguma 
fonte de informação física no lugar de 
limitá-la a objeto-textual num específico 
meio físico como papel, papiro, 


Pós-Graduação em Ciência da Informação e Documentação – ECA/USP – 1º sem./2004
Disciplina: Formas de estruturação e mediação da informação institucionalizada 
Profas. Johanna W. Smit e Maria de Fátima M. Tálamo

pergaminho, ou microforma. Otlet e outros 
na documentação afirmam: 
(1) Aquela documentação (isto é, 
informação armazenável e 
recuperável) deveria ser 
considerada como qualquer 
objeto potencialmente 
informativo; 
(2) 
nem todos os objetos 
potencialmente informativos 
seriam documentos no 
tradicional senso de texto 
impresso; e 
(3) 
todos os outros objetos 
informativos, tanto quanto 
pessoas, produtos, eventos e 
objetos de museus, não 
deveriam ser excluídos 
(Laisiepen, 1980). Ate aqui, 
entretanto, exceto pela 
contribuição de Wersig (Wersig, 
1980), a ênfase é, na pratica, 
nas formas de comunicação: 
dado, figuras, inscrições. 
Otlet (1934, p.217), um dos fundadores da 
documentação, demonstrava a necessidade 
em definir “documento” e “documentação” 
(isto é, informação armazenável e 
recuperável) incluindo objetos naturais, 
artefatos, objetos que denotassem 
atividades humanas, tanto objetos como 
modelos construídos para representar 
idéias, e trabalhos de arte, quanto textos. 
O termo “documento” (ou “unidade 
documentária”) foi usado tanto com o 
sentido especializado quanto de termo 
genérico para denotar coisas informativas. 
Pollard (1944) observou que “Do ponto de 
vista científico ou tecnológico o [museu] 
objeto por si próprio tem um grande valor 
assim como a sua descrição escrita e, 
portanto, do ponto de vista bibliográfico 
esse objeto deveria ser considerado como 
um documento.” Um documentalista 
Francês definiu “documento” como 
“qualquer indicação simbólica ou concreta, 
preservada ou gravada, para reconstrução 
ou como prova de um fenômeno, seja ele 
físico ou mental.” (“Tout índice concret ou 
symbholique, conservé ou enregistré, aux 
fins de représenter ou de prouver un 
phénomène ou physique ou 
intellectual” 
(Briet, 1951, p.7)). Nesse 
contexto objetos não são ordinariamente 
documentos mas se transformam em, se 
processados com finalidades de fornecer 
informação. Um antílope selvagem não 
deveria ser considerado documento, mas 
um novo espécime capturado que fosse 
estudado, descrito, e exibido num zoológico 
não só se transformaria em documento, 
assim como “o antílope catalogado é um 
documento primário e outros documentos 
seriam secundários e dele derivados. 
(“L´antilope cataloguée est um document 
initial et les autres documents sont 
secondsou dérivés”. (Briet, 1951, p.8). 
Provavelmente só um documentalista 
dedicado consideraria um antílope como 
um documento. Mas considerar qualquer 
coisa tão informativa quanto o 
“documento” é consistir com as origens e o 
uso da palavra, que deriva do verbo Latim 
docere
, para aprender ou para informar, 
com o sufixo “-ment” denotando 
significado. Conseqüentemente 
“documento” originalmente denota um 
significado de aprendizagem ou 
informação, assim como uma lição, uma 
experiência, ou um texto. Limitar a 
compreensão de “documento” como 
objetos-texto é um entendimento posterior 
(
Oxford English Dicitionary
, 1989, vol.4, 
p.916; Sagredo & Izquierdo, 1983, pp.173-
178). Por conseguinte, até entre os 
documentalistas, incluir qualquer outra 
coisa que não seja objeto-texto na 
recuperação da informação parece ocorrer 
somente na discussão teórica, mas não na 
prática (Rogalla von Bieberstein, 1975, p. 
12). Enquanto o problema semântico 
permanece: Qual termo genérico pode ser 
utilizado para denotar coisas informativas, 
digamos, objetos de museu e outras 
evidências, assim como os objetos-textos? 
Objetivando para o uso de “informação” ou 
de “documento” para esse propósito não 
extingue a necessidade de um termo. 
Documentos mais representativos no uso 
convencional da palavra – cartas, livros, 
jornais, etc. – são compostos de texto. 
Poderiam incluir-se diagramas, mapas, 


Pós-Graduação em Ciência da Informação e Documentação – ECA/USP – 1º sem./2004
Disciplina: Formas de estruturação e mediação da informação institucionalizada 
Profas. Johanna W. Smit e Maria de Fátima M. Tálamo

figuras, e gravação de sons no sentido 
amplo do termo “texto”. Talvez o melhor 
termo para representar textos no senso 
comum poderia ser “discurso”. Poderíamos 
também caracterizar esses textos como 
“representações” de alguma coisa ou de 
algo. Entretanto, dificilmente poderíamos 
considerar um antílope ou um carneiro 
como sendo “discurso”. Nem eles são 
representações no senso comum. Seus 
valores como informação ou evidência 
derivam daquilo que eles significam 
individualmente, ou talvez, sobre a classe 
ou classes às quais pertencem. Nesse 
sentido eles representam alguma coisa e, 
se não são uma representação, poderiam 
ser considerados como representativos. Se 
um objeto não é representativo de alguma 
coisa, então não é correto afirmar que 
possa significar alguma coisa, isto é, ser 
informativo. 
Alguém pode classificar objetos como 
artefatos para constituir discurso (tais como 
livros), artefatos que não constituem 
discurso (assim como navios), e objetos 
que não seriam objetos como tais (assim 
como antílopes). Nada disso garante que 
qualquer um deles seja uma evidência, seja 
algo informativo. Nem garante que as 
pessoas façam diferentes usos não 
previsíveis. Um livro pode ser utilizado 
como um peso para conter uma porta. 
Iluminuras podem funcionar como objetos 
de decoração, mas têm sido consideradas 
como uma das maiores fontes de 
informação relativas a vestuário e utensílios 
medievais. 
“Signo natural” é o termo tecnicamente 
estabelecido em filosofia e semiótica para 
coisas que são informativas, mas sem o 
propósito comunicativo (Clarke, 1987; Eco, 
1976). 

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