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Ser informação é circunstancial



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AInformaçãoComoCoisa
Ser informação é circunstancial 
Informação-como-processo é circunstancial. 
Embora evidência envolta em informação-
como-processo seja bastante ocasional 
também. Portanto, qualquer objeto 
particular, documento, dado ou evento 
pode ser considerado como informativo 
dependendo das circunstâncias, assim 
como a “relevância” de um documento ou 
um fato que é circunstancial dependendo 
da questão e da sagacidade do pesquisador 
(Wilson, 1973). Se partirmos daí, a 
capacidade de “ser informativo”, a 
característica essencial de informação-
como-coisa, também pode ser situacional. 
Podemos dizer que alguns objetos ou 
documentos que pouco-a-pouco combinam 
algumas circunstâncias, situações, 
poderiam ser informativas, poderiam ser 
informação, isto é, informação-como-coisa. 
Mas, como acima observado, poderíamos 
em princípio dizer sobre 
qualquer
objeto ou 
documento: Alguém bastante criativo em 
supor uma situação que poderia ser 
informativa. E se alguém pode descrever 
qualquer coisa dessa forma, estamos 
obtendo um pequeno progresso 
distinguindo o que é informação-como-
coisa. Além do mais, é uma questão de 
julgamento individual, de opinião. 
(1) 
se alguma coisa particular 
poderia ser pertinente, e,
(2) 
se usada como evidência 
poderia ser significante; e se 
sim, 
(3) se seu uso como evidência seria 
importante. (O item pode ser 
trivial ou, até importante, essa 
particular evidência pode ser 
redundante, fidedigna, ou caso 
contrário problemática.) E, se 
sim;
(4) se
 
a importância desse item, a 
importância da evidência, e a 
probabilidade de estar sendo 
usado – em combinação – 
justificando a preservação dessa 
particular evidência. Se tudo 
isso é encarado positivamente, 
então alguém relacionaria a 
coisa – evento, objeto, texto, ou 
documento – como informação 
utilizável e, presumivelmente, 
alcançaria níveis para preservá-
la ou, no mínimo, representá-la. 
Informação por consenso 
Temos mostrado que (1) a virtude de ser 
informação-como-coisa é circunstancial e 
que determinando se a coisa é utilizável ou 
não depende de uma composição de 
julgamentos subjetivos. Progressos por trás 
da anarquia de opiniões individuais 
relacionando o que é ou não é racional 
tratar como informação depende de um 
acordo, ou no mínimo de algum consenso. 
Podemos usar um exemplo histórico para 
ilustrar esse ponto. Isso foi utilizado e 
considerado importante para saber se uma 
mulher era ou não uma feiticeira. A busca 
de evidência era provada pela água. A 
infeliz mulher seria ser colocada num 
tanque. Se ela flutuasse seria uma 
feiticeira. Se afundasse não seria uma 
feiticeira. Esse evento, resultado do 
experimento, foi, por consenso, 
considerado como informação-como-coisa 
necessário para a identificação de uma 


Pós-Graduação em Ciência da Informação e Documentação – ECA/USP – 1º sem./2004
Disciplina: Formas de estruturação e mediação da informação institucionalizada 
Profas. Johanna W. Smit e Maria de Fátima M. Tálamo
11 
feiticeira. Atualmente isso seria negado, por 
consenso, que o mesmo evento que 
constituiu a informação que já tinha sido 
previamente aceita, por consenso, como 
tal. 
Onde há um consenso de julgamento, o 
consenso é algumas vezes tão forte que o 
status dos objetos, especialmente 
documentos, transformam a informação em 
inquestionável, exemplo, lista telefônica, 
painel de horário de vôo
e livros de 
exercício. Nesses casos são argumentos tão 
confortáveis quanto exatos, de uso comum
completos, e caros.
Mesmo como assunto 
prático alguns consensos necessitam de 
acordo para decidir em qual tipo de sistema 
de informação e recuperação de dados 
devem ser colecionados e estocados, em 
arquivos, base de dados, bibliotecas, 
museus, e fichas de escritório. Pelo fato 
dessas decisões serem baseadas num 
conjunto de diferentes critérios, assim 
como observado acima, não é 
surpreendente que devem existir 
desacordos. Contudo, é nesse princípio que 
dados são colecionados e alimentam as 
bases de dados, bibliotecários selecionam 
livros, museus colecionam objetos, e 
editores publicam livros. Esse é motivo 
capaz de predizer que as cópias da lista de 
telefones de São Francisco serão 
informativas, embora não exista garantia 
de que cada cópia será necessariamente 
utilizada. 
“Informação-como-coisa”, então, tem 
significado em dois sentidos: (1) Em 
situações específicas e em determinado 
momento um objeto ou evento pode ser 
informativo, isto é, constituir evidencia que 
é utilizada de modo que interfere nas 
crenças de alguém; e (2) Desde que o uso 
da evidencia seja previsível, embora 
imperfeitamente, o termo “informação” é 
comumente usado para denotar uma classe 
de objetos que provavelmente são 
considerados úteis o bastante para serem 
informativos no futuro. Nesse sentido o 
desenvolvimento de coleção tem a ver com 
coleções de informação. 

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