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 A influência das ideias gregas sobre o constituinte básico da



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2.3. A influência das ideias gregas sobre o constituinte básico da 
matéria em outras culturas 
 
Os  povos  da  antiguidade  eram  hábeis  construtores;  antes  mesmo  de  surgirem 
as  primeiras  civilizações  urbanas,  já  conheciam  um  grande  número  de  técnicas, 
instrumentos  e  habilidades.  Apesar  desses  conhecimentos,  não  há  registros  de 
interesse ou novas ideias destes povos em compreender a constituição da matéria; os 
que  tentaram  responder  a  essa  pergunta  basearam-se  nas  ideias  gregas  [2].  Os 
chineses, por exemplo, adotaram uma teoria que usava cinco elementos básicos para 
tentar explicar a constituição da matéria. Segundo os moístas
3
, os cinco elementos que 
formavam toda a matéria eram: a água, o metal, a madeira, o fogo e a terra [2, p. 24]. 
Esses  elementos  não  foram  considerados  como  simples  substâncias,  mas  eram 
interpretados  como  “princípios  ativos”;  nesse  sentido,  por  exemplo,  a  água  era 
caracterizada  por  molhar  e  pelo  movimento  descendente,  o  fogo  foi  associado  com  o 
aquecer  e  pelo  movimento  ascendente,  a  madeira  e  o  metal  poderiam  ser  moldados 
por  meio  da  escultura  e  pela  fundição,  respectivamente.  E  a  terra  era  caracterizada 
pela  produção  de  vegetação.  Esses  elementos,  juntamente  com  as  forças 
fundamentais, Yin e Yang
4
, poderiam apresentar uma multiplicidade de associações no 
mundo  natural  [2,  p.  25].  Os  moístas  divulgaram  estas  ideias,  aproximadamente,  no 
século IV a.C., contudo elas não tiveram grande aceitação. No século I a.C., o Budismo 
trouxe para a China as ideias gregas sobre a existência dos átomos, mas o interesse 
chinês estava voltado para as relações entre as forças Yin e Yang [2, p. 26].  
Posteriormente, os indianos conheceram as ideias gregas e as adotaram como 
base
 
para  suas  teorias  sobre  a  constituição  da  matéria.  Na  teoria  atômica  indiana, 
elaborada, aproximadamente, no final do século XI, a matéria era composta por quatro 
elementos, a terra, a água, o ar e o fogo, e uma quinta essência celeste. Segundo essa 
teoria,  cada  um  dos  elementos  tinha  sua  própria  classe  de  átomos,  que  eram 
indivisíveis e indestrutíveis. Átomos diferentes não podiam entrar na combinação, mas 
átomos semelhantes, sim, contanto que estivessem na presença de um terceiro. Dois 
átomos  podiam  causar  um  “efeito”,  um  dyad,  enquanto  três  desses  efeitos  podiam 
produzir um efeito de outra natureza, um triad. Assim, a causa produzia um efeito, mas 
era imediatamente absorvida pelo efeito que fizera surgir, o qual, por sua vez, assumia 
a  função  de  causa,  e  assim  a  sequência  continuava.  O  modo  pelo  qual  os  primeiros 
                                                 
3
 Os moístas constituíam uma escola de pensadores chineses, seguidores de Mo Ti (século V a. C.), que tentaram elaborar uma 
lógica fundamental científica [2, p. 22]. 
4
 Filosofia chinesa que explica o  Universo por meio da interação entre duas forças complementares: o Yin representa o princípio 
passivo e o Yang o princípio ativo.  


 
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efeitos  dyads  geravam  um  triad  dava  origem,  como  se  pensava,  a  diferentes 
qualidades de uma substância [2, p. 77]. Essa organização dava início a um processo 
cíclico, onde a causa tornava-se um efeito, e esse passava a ser a causa. 
A  teoria  atômica  indiana  mostrou-se  mais  complexa  do  que  as  teorias 
desenvolvidas no ocidente, até aquele momento. A atenção dada para as relações de 
causa e efeito atraiu a atenção dos pensadores indianos até o século XVIII.  
 
Segundo Bueno [5], analisar a cultura oriental, tendo como parâmetro a cultura 
ocidental,  não  é  uma  tarefa  fácil.  Conceitos  que  são  importantes  na  cultura  ocidental 
podem simplesmente não ter significado na oriental. A tentativa de aproximar as duas 
culturas  pode  ter  o  efeito  inverso  por  esse  motivo.  Para  podermos  compreender  a 
cultura do oriente devemos lembrar que ela tem uma origem muito diferente da nossa. 
A  maioria  dos  valores  e  concepções  orientais  tem  uma  origem  universalista,  que 
prioriza o espírito humano. E essa diferença cultural pode ser vista na forma como os 
orientais  explicavam  a  origem  da  matéria;  sua  interpretação  é  muito  diferente  da 
ocidental. Suas idéias envolvem aspectos, que nem foram imaginados no ocidente. 
 



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