Texto Apoio



Baixar 8.69 Kb.
Pdf preview
Página7/130
Encontro06.01.2021
Tamanho8.69 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   130
2.2. O Atomismo 
O  atomismo  surgiu  da  impossibilidade  do  mundo  ser  explicado  com  as  teorias 
disponíveis.  Possivelmente,  as  teorias  de  Parmênides  e  Heráclito  tenham  sido  as 
grandes motivadoras para a elaboração dessa teoria, pois se buscava uma alternativa 
entre as propostas anteriores [2].  
O filósofo Leucipo de Abdera (500-450 a.C.) propôs que o constituinte básico da 
matéria  seria  formado  por  partículas  minúsculas  e  indivisíveis,  as  quais  denominou 
átomos  (do  grego,  a-negação,  tomos-partes).  Em  sua  teoria,  Leucipo  apresentou  o 
mundo  composto  apenas  por  átomos  e  pelo  vazio.  Os  átomos  formavam  as 
substâncias, infinitas em número e forma, e seriam extremamente pequenos e por isso 
não poderiam ser divididos. O átomo seria a menor quantidade de matéria existente na 
natureza. Um átomo era imutável, mas um conjunto de átomos, arranjado de maneiras 
diferentes poderiam formar várias formas de matéria [4].  
Pouco  se  sabe  sobre  a  história  de  Leucipo,  o  que  ensinou  ou  quais  foram  as 
fontes  de  suas  ideias;  todas  as  informações  disponíveis  foram  relatadas  por  seu 
discípulo, o filósofo Demócrito de Abdera (470-380 a.C.). É provável que Leucipo tenha 
estudado as ideias de seus antecessores e, com estas propostas, elaborado o conceito 
de átomo. Para formular esse conceito, Leucipo aceitou a existência do vazio, também 
admitiu que o mundo era dotado de um eterno movimento e postulou a existência dos 
átomos como participantes deste movimento. Um século depois, o filósofo Epicuro de 
Samos (341-270 a.C.) também foi um defensor do atomismo (Caruso e Oguri, 2006). 
Nessa teoria, o átomo e o vazio coexistiam pacificamente, pois ambos eram as 
causas  de  tudo  o  que  existe.  A  interpretação  dada  ao  vazio  era  a  de  que  ele  serviria 
como sustentação para o movimento dos átomos. Esse movimento foi justificado como 
proveniente  das  colisões  entre  os  átomos,  contudo  as  causas  destas  colisões  não 
foram explicadas [4]. 
Assim,  Leucipo  apresentou  o  mundo  formado  por  matéria  e  o  vazio,  onde 
podemos encontrar o movimento, nos diversos arranjos possíveis para um conjunto de 
átomos,  e  a  imutabilidade  de  um  único  átomo.  Analisando  essa  proposta  nos  dias 
atuais,  podemos  dizer  que  Leucipo  elaborou  uma  explicação  que  agregou  as  duas 
visões difundidas, anteriormente, por Parmênides e Heráclito.  
Apesar de explicações incompletas, a teoria atômica reuniu adeptos mesmo sem 
uma  comprovação,  pois  a  ciência  grega  da  antiguidade  não  exigia  a  comprovação 
experimental, uma vez que os gregos acreditavam que a experiência era um momento 
particular, finito e imperfeito, já as ideias, eram eternas e perfeitas. Por este motivo, a 
sociedade  grega  aceitava  as  ideias  postuladas  por  seus  filósofos  sem  exigir  sua 
comprovação.  
Demócrito  e  Epicuro  postularam  a  existência  de  propriedades  para  os  átomos
Defendiam  a  indivisibilidade  do  átomo  proposta  por  Leucipo,  mas  a  justificavam  de 
maneira diversa. Para Demócrito, o átomo era indivisível porque não continha um vazio 
intrínseco; já para Epicuro, a indivisibilidade era devido à dureza do átomo. O tamanho 
e  o  formato  seriam,  para  Demócrito,  as  propriedades  capazes  de  diferenciá-los; 
também  acreditava  que  existiria  um  número  infinito  de  formas  para  o  átomo.  Para 
Epicuro, o peso seria a característica capaz de diferenciar os átomos [4]. 
Apesar de, aparentemente, o atomismo responder a muitas perguntas, contudo, 
os  átomos  não  ocuparam  um  lugar  permanente  no  desenvolvimento  da  ciência  grega 
[2]. 
Atualmente,  analisando  a  teoria  atômica,  podemos  perceber  a  influência  de 
teorias  antecessoras;  por  exemplo,  a  teoria  atômica  incorpora  a  concepção  de 


 
10
Anaximandro  de  que  o  constituinte  básico  da  matéria  é  inacessível  aos  sentidos.    As 
ideias  de  Parmênides  também  podem  ser  reconhecidas  através  do  antagonismo 
representado pelos átomos e pelo vazio. Também é possível reconhecer as ideias de 
Anaxágoras  na  elaboração  do  conceito  de  átomo,  pois ele propôs as  sementes  como 
constituinte  básico  da  matéria;  essas  estão  muito  próximas  da  concepção  atual  de 
átomo;  assim  como  a  proposta  de  indivisibilidade  presente  na  teoria  de  Leucipo  que 
ainda se mantém para o conceito de partícula elementar. E a capacidade dos átomos 
de  se  reorganizarem  conduz  à  ideia  de  Empédocles  dos  quatro  elementos  se 
organizando  de  formas  diferentes  para  formar  novos  elementos.  Assim,  percebe-se, 
como já foi dito anteriormente, que a construção das teorias para explicar a constituição 
da matéria pelos gregos antigos, não exclui as propostas anteriores e serão reeditadas, 
de  certa  forma,  na  concepção  atual  de  partícula  elementar.  As  novas  teorias  são 
baseadas ou parcialmente baseadas nas suas antecessoras.  
 



Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   130


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal