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parte do mundo dos sentidos e que estivesse presente em todos os corpos. O tipo de



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parte do mundo dos sentidos e que estivesse presente em todos os corpos. O tipo de 
análise feito por Tales, observado sob um olhar atual, indica que, para o homem grego, 
não bastavam apenas as explicações místicas; ele ansiava por explicações racionais. A 
procura  pela  racionalização  do  conhecimento  talvez  tenha  sido  o  maior  legado  de 
Tales.  
Na  busca  por  explicações  sobre  a  constituição  básica  da  matéria,  o  filósofo 
Anaximandro de Mileto (610-547 a.C.), discípulo de Tales, propôs o apeiron (do grego - 
indefinido)Segundo ele, o apeiron não seria uma substância material, e faria parte de 
uma  realidade  imperceptível  aos  sentidos.  Esta  substância  deveria  ser  eterna, 
indestrutível  e  infinita.  Também  deveria  ser  dotada  de  um  movimento  eterno,  que  lhe 
permitiria gerar diferentes formas e corpos, numa eterna dança de criação e destruição. 
Essa dança seria protagonizada por opostos, como o frio e o calor, por exemplo, que 
buscavam  o  equilíbrio.  Assim  como  Tales,  Anaximandro  também  usou  a  perspectiva 
difundida  na  Índia  e  na  Babilônia  sobre  a  criação  do  mundo,  segundo  a  qual  a 
substância fundamental  da  matéria  poderia  dividir-se,  o  que  geraria  duas  substâncias 
contrárias [4]. 
Apesar  de  Anaximandro  ser  discípulo  de  Tales,  sua  contribuição  sobre  a 
constituição  da  matéria  foi  completamente  diferente  da  do  mestre.  Tales  propôs  um 
elemento  material  e  perceptível  aos  sentidos,  enquanto  Anaximandro  propôs  uma 
substância eterna, que não fazia parte do mundo perceptível aos homens. Analisando 
essa  proposta  nos  dias  atuais,  ela  sugere  uma  nova  concepção  sobre  o  constituinte 
fundamental da matéria; pois admite que exista um mundo em que o homem não tem 
acesso pelos sentidos, esses, tão importantes para Tales.  
O  filósofo  Anaxímenes  de  Mileto  (585-525  a.C.),  possível  discípulo  de 
Anaximandro,  propôs  como  possível  constituinte  básico  da  matéria  uma  substância 
composta de minúsculas partículas, capazes de estar em todos os lugares. Ele usou a 
palavra  ar  para  designar  esta  substância,  pois  a  comparava  com  o  ar,  que  está 
presente  em  todos  os  lugares  [2].  A  observação  de  processos  de  rarefação  e 
condensação  também  o  levou  a  esta  conclusão  [2,  p.  71].  Esses  processos  foram 
importantes  na  sua  proposta  filosófica  (Filosofia  dos  Contrários)  porque  seriam 
responsáveis pelo movimento.  
Anaxímenes  assume  as  ideias  de  Anaximandro  quando  propõe  que  o 
componente básico da matéria poderia ser uma substância imperceptível aos sentidos 
humanos.  A  originalidade de  sua  ideia  está  na proposta  de  que  esta  substância  seria 
composta  por  minúsculas  partículas  inacessíveis  aos  sentidos,  o  que  justificaria  a 
concepção,  já  comentada  anteriormente,  de  que  poderia  existir  uma  realidade  além 
daquela que os sentidos poderiam perceber. 
Na filosofia de Parmênides de Eléia (515-450 a.C.), a natureza era representada 
pela  estagnação.  O  Ser  preencheria  todo  o  Universo,  e  seria  imutável  e  estável;  já  o 
Não-Ser seria mutável e representaria o movimento [2]. Parmênides interpretava o Ser 
como a matéria presente no Universo, e o Não-Ser como o vácuo.  
                                                 
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  Na  Índia,  difundiu-se  uma  proposta  para  explicar  a  criação  do  mundo  que  se  baseava  na  água  como  elemento  gerador  dos 
demais. Assim, se propunha que essa substância poderia dividir-se em duas substâncias contrárias. A origem dessa ideia pode ser 
justificada pela necessidade de se explicar que a toda qualidade se opõe um contrário [4, p. 2]. 


 
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Aqui  se  percebe  o  maior  dos  ideais  gregos,  defendido  fortemente  pela  escola 
pitagórica - o da perfeição. Parmênides interpretou o Universo como imutável, por ser 
perfeito,  logo  não  necessita  de  mudanças.  Também  podemos  perceber,  como 
comentado  anteriormente,  a  importância  das  ideias  difundidas  na  Índia  e  Babilônia, 
sobre  a  criação  do  mundo,  pois  já  se  discutia  a  importância  da  relação  entre  os 
opostos. 
A  influência  da  escola  pitagórica,  fundada  por  Pitágoras  de  Samos  (570-480 
a.C.), pode ser encontrada mesmo entre filósofos que não fizeram parte diretamente de 
sua  escola.  Pitágoras  ficou  conhecido  por  seus  trabalhos  matemáticos,  que  sofreram 
grandes influências da Babilônia. Sua maior contribuição para a filosofia grega foi o seu 
amor pela beleza e pela simetria, duas qualidades exaltadas pelos filósofos que deram 
contribuições  sobre  a  constituição  da  matéria.  Apesar  de  tentar  racionalizar  seus 
estudos, esses estavam impregnados de misticismo [2]. 
O  filósofo  Heráclito  de  Éfeso  (540-475  a.C.)  apresentou  o  Universo  (ou  a 
natureza)  por  meio  de  duas  forças  opostas  que  procuravam  o  equilíbrio  por  meio  do 
movimento eterno [2].  
Parmênides  e  Heráclito  apresentam-se  com  posições  totalmente  antagônicas; 
enquanto  Parmênides  acreditava  na  imutabilidade,  Heráclito  propõe  que  o  Universo 
está em eterno movimento.  
O filósofo Melisso de Samos (490-450 a.C.), cerca de um século depois, divide 
com Anaximandro a opinião de que o constituinte básico da matéria não faria parte do 
mundo dos sentidos. 
Uma  ideia  um  pouco  diferente  das  demais  foi  apresentada  por  Anaxágoras  de 
Clazômena  (500-428 a.C.).  Para este filósofo,  a matéria  seria  composta  de  pequenas 


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