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Introdução 
 
A  busca  pelo  constituinte  básico  da  matéria  confunde-se  com  a  História  da 
humanidade, desde os sacerdotes da antiguidade, que consideravam a matéria obra de 
um poder mágico e sobrenatural, até os gregos, que racionalizaram o conhecimento e 
apresentaram  uma  das  propostas  mais  conhecidas  sobre  este  tema,  a  do  átomo  (do 
grego, a-negação, tomos-partes), que foi incorporada à ciência e persistiu durante vinte 
séculos.  
Apenas  no  início  do  século  XIX  esta  teoria  foi  retomada  por  Dalton  que  a 
reavaliou  sob  bases  experimentais  quantificadas,  fomentando  novas  ideias  e  novas 
possibilidades de experimentos. A capacidade experimental do homem aumentou, suas 
teorias  sobre  a  constituição  da  matéria  mudaram,  até  os  dias  atuais  em  que  a  teoria 
considerada  mais  adequada  para  explicar  a  constituição  da  matéria  é  a  teoria  do 
Modelo Padrão das partículas elementares, que será discutida mais adiante. 
A  história  do  desenvolvimento  científico  e  sua  análise,  feita  por  filósofos  e 
epistemólogos, ensinam-nos que a teoria do Modelo Padrão não pode ser considerada 
como definitiva, mas como um modelo aperfeiçoado e condizente com o conhecimento 
compartilhado hoje por cientistas teóricos e experimentais. 
 
A evolução dos modelos concebidos para explicar a estrutura da matéria vem ao 
encontro  do  pensamento  do  filósofo  francês  Gaston  Bachelard
1
  (1884-1962)  sobre  o 
conhecimento  científico  não  ser  estático,  pelo  contrário,  estar  em  permanente 
questionamento,  o  que  explica  seu  desenvolvimento  a  partir  de  revisão  e 
aperfeiçoamento de teorias, gerando novas concepções de mundo.  
 
Bachelard era licenciado em Matemática, trabalhou como professor de Ciências 
e  Filosofia  em  nível  médio.  Em  1927  passou  a  atuar  como  professor  de  História  e 
Filosofia da Ciência, em nível superior, na Universidade de Dijon e posteriormente na 
Universidade de Sorbonne [1]. 
 
Bachelard viveu em um período de grandes mudanças na Física: percebiam-se 
limitações  na  Mecânica  Newtoniana  e  no  Eletromagnetismo  e  presenciava-se  o 
nascimento de Teoria da Relatividade e da Mecânica Quântica [1].  
 
Conforme  citado  por  Melo  [1],  Bachelard  propõe  que  o  pensamento  científico 
estaria organizado em três grandes etapas históricas: 

  Período  pré-científico:  desse  período  fazem  parte  a  Antiguidade  Clássica,  os 
séculos XVI, XVII e o início do século XVIII. 

  Período  científico:  esse  período  compreende  os  século  XVIII,  XIX  e  o  início  do 
século XX. 

  A  era  do  novo  espírito  científico:  que  teve  seu  início  no  ano  de  1905,  com  a 
Teoria  da  Relatividade,  proposta  por  Einstein.  Esse  trabalho  representa  a 
ruptura com paradigmas até então intocáveis. Compreende a pesquisa científica 
contemporânea.  
Nesse  sentido,  o  modelo  atual  ainda  guarda  resquícios  dos  primeiros  modelos 
gregos  datados  do  século  VI  a.C.,  aproximadamente,  e  de  outros  modelos  que  se 
sucederam e tiveram contribuições importantes. Além disso, o Modelo Padrão também 
não é considerado definitivo, pois mudanças estão acontecendo com ele; ainda que ele 
responda a muitas questões, não responde a todas suscitadas no presente momento. 
Um  exemplo  é  a  explicação  para  a  interação  gravitacional:  o  gráviton,  partícula 
responsável por esta interação ainda é uma ideia, não foi detectada. Por outro lado, um 
novo modelo, chamado de Supersimetria está sendo elaborado, com base no Modelo 
Padrão.  
                                                 
1
 Gaston Bachelard é autor de obras sobre filosofia das ciências, como Epistemologia, A Filosofia do Não, entre tantas. 


 
6
Este eterno movimento da ciência no sentido de valer-se de modelos que dêem 
conta de mais fenômenos conhecidos representa mudança, evolução; o conhecimento 
científico  evolui,  devido  a  novos  experimentos,  a  novas  ideias,  sem  esquecermos  do 
que já foi feito.  
Nesse  texto,  são  apresentadas  as  concepções,  do  ponto  de  vista  cronológico, 
que  conduziram  ao  modelo  de  partícula  elementar  que  é  hoje  compartilhado  entre  os 
cientistas, a do Modelo Padrão. Ao longo do texto são feitos comentários, considerados 
pertinentes  pelos  autores,  comentários  esses  que  se  diferenciam  no  texto  ao  serem 
grafados  em  itálico.  Esta  análise  histórica  da  evolução  do  conceito  de  partícula 
elementar  também  conta  com  comentários  baseados  na  epistemologia  bachelariana, 
na  qual  destacamos  os  períodos  de  rupturas  e  descontinuidades  na  história  do 
conhecimento  humano,  assim  como  a  importância  da  retificação  do  erro  para  o 
progresso  da  ciência.  Também  serão  abordadas  questões  referentes  à  superação  de 
obstáculos epistemológicos e a importância da recorrência histórica, ou seja, a análise 
de fatos do passado com um olhar contemporâneo dentre outros tópicos abordados por 
Bachelard. Essas análises conduzem a um conceito importante nesta epistemologia, o 
da  transitoriedade  da  verdade,  além  da  importância  que  Bachelard  destacou  em  sua 
obra sobre o ensino de ciências, em particular, a Física.  
O objetivo deste texto é subsidiar e motivar professores de Física a introduzirem 
em suas aulas tópicos de Física Contemporânea, em especial Partículas Elementares 
e  Interações  Fundamentais.  O  texto  se  propõe  a  fazer  uma  exposição  baseada  na 
história da ciência ao mesmo tempo que faz uma análise baseada na epistemologia de 
Bachelard.  A  proposta  também  contempla  a  participação  das  demais  ciências  na 
evolução  do  conhecimento  científico,  ressaltando  que  essa  é  resultado  de  uma 
construção  humana.  Desta  forma  pretende-se  proporcionar  uma  visão  mais  crítica  do 
desenvolvimento da ciência, contribuindo para desmistificar crenças equivocadas sobre 
a ciência, em geral. 



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