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Outra  importante  contribuição  de  Galileu,  já  citada,  é  a  importância  dada  à 
experimentação,  inclusive  com  experimentos  de  pensamento,  e  ao  formalismo 
matemático,  introduzindo  uma  nova  filosofia,  “onde  a  ciência  deve  ser  descrita 
logicamente  através  do  alfabeto  matemático  com  dados  colhidos  na  experimentação” 
[11,  p.  84].  Galileu  iniciou  a  racionalização  da  ciência,  como  é  concebida  atualmente, 
que  depois  recebeu  contribuições  de  René  Descartes  e  atingiu  seu  auge  com  Isaac 
Newton. 
René  Descartes  (1596-1650)  foi  o  filósofo  francês  responsável  por  uma  nova 
concepção  de  universo  que  pôs  fim  à  antiga  visão  escolástica  medieval  [2,  p.83].  A 
base de seu sistema filosófico foi a dúvida e o racionalismo. Segundo Descartes tudo o 
que  era  percebido  através  dos  sentidos  deveria  ser  submetido  à  crítica;  isso  ficou 
conhecido como o “método da dúvida” [12]. Ele propôs uma filosofia racionalista, capaz 
de estudar os fenômenos com base na matéria e no movimento. Descartes apresentou 
o  racionalismo  como  ferramenta  principal  para  a  compreensão  do  mundo,  pois 
considerava-o  como  o  triunfo  da  razão  pura,  desprovida  de  qualquer  ilusão  sensorial 
[11]. A intenção de Descartes foi tentar entender o mundo e o próprio ser por meio do 
seu  pensamento,  que  era  considerado  sua  única  certeza.  É  dele  a  famosa  frase: 
“Penso, logo existo”.  
Em  sua  filosofia,  a  natureza  era  apresentada  por  meio  de  uma  linguagem 
matemática.  Para  Descartes,  a  natureza  funcionaria  de  acordo  com  leis  mecânicas  e 
tudo  no  mundo  material  poderia  ser  explicado  em  função  da  organização  e  do 
movimento  de  suas  partes.  Assim  sua  imagem  da  natureza  era  a  de  uma  máquina 
perfeita,  governada  por  leis  matemáticas  exatas.  Esta  filosofia  foi  decisiva  para  os 
rumos da ciência nos dois séculos seguintes [11]. 
 
A  partir  deste ponto de  vista,  Descartes descreveu  o  mundo  e  a matéria  que o 
forma.  Segundo  ele,  a  matéria  seria  infinitamente  divisível  e  era  constituída  por  seu 
comprimento,  largura  e  profundidade.  Assim  ele  negou  a  existência  dos  átomos,  pois 
não  admitiu  a  indivisibilidade  da  matéria  e  ao  mesmo  tempo  negou  a  existência  do 
vácuo, pois o espaço deveria ser completamente preenchido por matéria [4]. Descartes 
provavelmente  não  aceitou  o  atomismo,  porque  sua  filosofia  exigia  uma  evidência 
concreta como prova da verdade o que não era possível até aquele momento.  
 
Também  formulou  um  novo  método  filosófico  ao  qual  incorporou  o  raciocínio 
lógico  e  a  Matemática  para  alcançar  a  verdade  através  de  conclusões  matemáticas 
[12]. 
Provavelmente  a  grande  contribuição  da  filosofia  de  Descartes  para  a  ciência 
tenha sido a corroboração das ideias de Galileu sobre a importância da Matemática no 
trabalho  científico  e  a  racionalização  do  conhecimento.  Apesar  de  Descartes  não  ter 
contribuído diretamente para a teoria atômica, ele contribuiu para mudanças profundas 
no pensamento científico vigente.  
Aos  poucos,  a  visão  atomística  da  matéria  foi  novamente  se  incorporando  à 
ciência.  O  filósofo  e  matemático  francês  Pierre  Gassedi  (1592-1655),  em  1647,  foi  o 
primeiro  cientista  a  apresentar  a  distinção  entre  átomos  e  moléculas.  Segundo 
Gassedi,  os  átomos  seriam  uma  parte  real,  invisível  e  indivisível  da  matéria  que, 


 
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reunidos  em  pequenos  grupos  receberiam  a  denominação  de  moléculas  [13].  Foi  por 
meio dos trabalhos de Gassedi que o físico e químico inglês Robert Boyle (1627-1691) 
conheceu a teoria atômica.  
Em  seus  estudos,  Boyle  aceitou  a  visão  atomista  e  admitiu  a  importância  da 
Matemática  e  da  experimentação,  divulgadas  por  Galileu.  Seu  objetivo  era  tentar 
descrever  as  propriedades  químicas  dos  átomos.  Boyle  diferenciava  elemento  de 
composto  químico;  os  elementos  formariam  o  composto  químico.  Para  justificar  esta 
afirmação  ele  usou  como  exemplo  as  reações  químicas  [4].  Contudo,  a  definição  de 
elemento químico de Boyle não é a mesma que temos hoje em dia. Em sua obra, The 
Sceptical Chemist (O Químico Cético), de 1661, Boyle escreveu: 
 
“[...]  o  que  entendo  por  elementos  são  certos  corpos  primitivos  e 
simples,  perfeitamente  sem  mistura,  os  quais  não  sendo  formados  de 
quaisquer  outros  certos  corpos,  nem  uns  dos  outros,  são  os 
ingredientes  dos  quais  todos  os  corpos  perfeitamente  misturados  são 
feitos, e nos quais podem finalmente ser analisados...” [6, p. 77]. 
 
Baseado  nessa  definição,  Boyle  considerou  a  água  como  um  elemento  puro, 
enquanto o cobre (Cu) e o ouro (Au) eram compostos químicos ou misturas.  
Boyle,  como  muitos  cientistas  de  sua  época,  também  estudou  as  propriedades 
do  ar.  Com  o  uso  de  uma  bomba  de  vácuo,  aperfeiçoada  pelo  físico  Robert  Hooke 
(1653-1703), de quem Boyle foi assistente de laboratório, ele determinou, em 1662, a 
relação que levava o seu nome, a lei de Boyle
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 [2]. 
 
Percebe-se  que  mesmo  com  as  grandes mudanças  provocadas  pela  revolução 
científica  ainda  não  havia  um  conceito  melhor  do  que  o  proposto  por  Leucipo  para  o 
constituinte fundamental da matéria. Também pode-se interpretar este período com um 
dos  primeiros  passos  para  a  construção  da  ciência  que  temos  atualmente.  O  grifo  foi 
proposital,  pois  ao  mesmo  tempo  em  que  discutimos  sobre  a  evolução  da  teoria 
atômica e do conceito de partícula elementar, esse texto se propõe a discutir a ciência 
sob  a  perspectiva  de  sua  construção,  priorizando  o  crescimento  do  conhecimento 
científico e enfatizando que as teorias científicas não surgem como uma ideia fantástica 
na mente de alguns poucos privilegiados, mas que antes de tudo elas são construções 
de pessoas dedicadas ao desenvolvimento deste conhecimento.  
 



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