Tete, julho 2021


  O impacto demográfico do comércio de escravos



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História da África Ocidental Sec. XVI-XVIII
2.1.2.  O impacto demográfico do comércio de escravos 

 

(...)  as  conclusões  encontradas  para  Angola  podem  ser  cuidadosamente  aplicadas  em 



outras partes, onde há menos dados quantitativos disponíveis. É bastante claro, no entanto, que 

modelos  simples  de  despovoamento  não  funcionarão  para  o  comércio  de  escravos,  e  que  os 

efeitos do trato são complexos. Também é claro que densidades populacionais modernas podem 

não ter nenhuma relação com a intensidade do comércio de escravos. De fato, podemos sugerir 

que as áreas costeiras da África Ocidental são tão densamente povoadas hoje parcialmente por 

causa  do  comércio  de  escravos,  e  não,  como  alguns  têm  sugerido  [John  Fage],  apesar  dela 

(THORNTON, 1980, p. 427). 

Ainda segundo esses autores, diferentemente do que afirmava Walter Rodney (1972), as 

relações comerciais e culturais estabelecidas entre as nações europeias e as sociedades africanas 

não  teriam  levado  o  continente  ao  subdesenvolvimento  que  o  caracteriza  hoje  em  dia.  Paul 

Lovejoy, seguidor declarado de algumas ideias de Rodney, responde a esta crítica no prefácio da 



 

segunda  edição  de  seu  livro  clássico  dizendo  que  seu  principal  interesse  com  a  tese  da 



“transformação”  não  foi  demonstrar  que  o  comércio  atlântico  de  escravos  causou  o 

subdesenvolvimento da  África, embora  ele veja  aí  uma  relação  causal.  Seu maior objetivo  era 

“explorar as maneiras pelas quais  a demanda por escravos nas Américas e em  qualquer outro 

lugar  afetou  a  economia  política  das  áreas  de  onde  vinham  os  escravos,  assim  fazendo 

demonstrar a interação entre as forças locais e globais” (LOVEJOY, 2011, p. xviii). 

 

Para Thornton, “o impacto demográfico, embora importante, foi local e difícil de dissociar das 



perdas em razão de lutas internas e do comércio de escravos no mercado doméstico da África.” 

(THORNTON,  2004,  p.  123).  David  Eltis  (1987)  concluiu,  com  base  em  seu  estudo  sobre  o 

comércio  atlântico  no  século  XIX,  que  nem  a  escala  nem  o  valor  do  trato  atlântico  foram 

suficientes para exercerem mais que uma “influência marginal” no curso da História da África. 

Ou  seja,  para  Eltis  o  comércio  atlântico  de  escravos  não  foi  assim  tão  importante  para  as 

sociedades  africanas  e,  portanto,  não  teria  exercido  uma  influência  fundamental  na 

transformação  de  tais  sociedades,  como  alega  Lovejoy.  Para  Eltis,  a  economia  do  tráfico  de 

escravos não exerceu grande impacto sobre a África. O desenvolvimento deste argumento pode 

levar  à  tese  de  que  as  sociedades  africanas  não  foram  profundamente  prejudicadas  pelo 

comércio  atlântico  de  escravos,  ideia  repudiada  por  historiadores  africanistas,  como  Walter 

Rodney, Paul Lovejoy, Joseph Inikori, entre outros. 


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