Tete, julho 2021


 A Africa como reserva de mao de obra



Baixar 356.64 Kb.
Pdf preview
Página6/12
Encontro26.07.2021
Tamanho356.64 Kb.
#16557
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12
História da África Ocidental Sec. XVI-XVIII
2.1. A Africa como reserva de mao de obra 

 

P.  D.  Curtin  estima  em  274.000  o  número  de  Negros  transportados  através  do  Atlântico  entre 



1541 e 1600. Em alguns anos, este número chegou a 1.341.000 pessoas, atingindo 6 milhoes, no 

século  XVIII.  Segundo  os  cálculos  de  F.  Mauro,  baseados  nestas  estimativas  e  considerados 

válidos  por  P.  D.  Curtin,  o  número  de  escravos  enviados  ao  Brasil  entre  1575  e  1675  foi  da 

ordem de 400.000 a 450.000, e, no século XVIII, chegou próximo de 2 milhoes38. Ao longo do 

século XVIII, o fornecimento de mao de obra negra as Antilhas britânicas e francesas crescera 

consideravelmente, assim como em Cuba. Estes números testemunham uma mudança radical de 

atitude, ainda que progressiva, dos Europeus para com a África.  

Aos olhos deles, este continente deixou de ser uma rica fonte de ouro para tornar‑ se, antes de 

tudo,  um  reservatório  de  mao  de  obra,  sem  o  qual  seria  pura  e  simplesmente  impossível  a 

criaçao e a exploraçao de numerosos e grandes domínios europeus na América. Sensível desde a 

metade  do  século  XVII,  esta  evoluçao  tornou‑  se  totalmente  evidente  por  volta  de  1700.  O 

rápido  desenvolvimento  das plantaçoes de  cana‑  de‑açúcar foi a  causa principal deste enorme 

aumento da demanda por mao de obra negra. 

 

O processo, iniciado desde o século XV na Ilha de Madeira, nas Canárias, nas Nilhas de 



Cabo‑Verde  e,  mais  particularmente,  em  Sao  Tomé,  ao  longo  da  segunda  metade  do  século 

XVI,  atingiu  o  Brasil,  adquirindo  grandes  proporçoes  na  região  do  Nordeste.  A  ocupaçao 

holandesa, longe de interrompe‑ lo, reforça‑ o ainda mais.  

A  situaçao  só  foi  modificada  quando  os  holandeses,  expulsos  do  Brasil,  começaram  a 

aplicar,  nas  ilhas  do  Caribe,  as  técnicas  de  refinamento  do  açúcar  por  eles  desenvolvidas  no 

Brasil. Tais ilhas seriam, pouco a pouco, dominadas, principalmente, pelos ingleses e franceses. 

Em intensa concorrencia com estas novas plantaçoes, aquelas do Brasil só conseguiam ocupar o 



 

segundo  lugar  na  economia  mundial.  Com  a  exploraçao  das  minas  de  ouro  e  de  diamantes  do 



Brasil  Central  (e,  mais  tarde,  no  século  XIX,  com  o  desenvolvimento  da  cultura  do  café  no 

Brasil  Meridional),  a  demanda  e  a  importaçao  de  escravos,  nos  séculos  XVIII  e  XIX,  quase 

triplicou em relaçao aquelas do século XVII39. 

Os  dois  tráficos  perpetuaram‑  se  simultaneamente  durante  quase  quatro  séculos  e 

arrancaram milhoes de africanos de sua pátria. Até hoje, o papel desse comércio no desenrolar 

da  história  mundial  ainda  nao  foi  devidamente  evidenciado.  Vale  observar  que  o  tráfico  de 

escravos  nao  se  limitou  a  África.  De  fato  o  mundo  conheceu  desde  o  Império  Romano  a 

escravidao e o tráfico humano em larga escala. 




Baixar 356.64 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal