Tete, julho 2021


O surgimento de novas potencias europeias



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História da África Ocidental Sec. XVI-XVIII
2.1.O surgimento de novas potencias europeias 

 

Os Franceses, a partir de 1520, e os Ingleses, a partir da segunda metade do século XVI, 



revelaram‑  se  perigosos  rivais  dos  Portugueses  na  África.  Entretanto,  desde  o  fim  do  século 

XVI, os Holandeses eram ainda mais perigosos do que eles. No início, apenas eram encontrados 

mercadores  franceses  isolados,  como  o  célebre  Jean  Ango,  de  Dieppe,  ou  companhias 

comerciais. Nem o rei da França, 

Nem  a  Coroa  da  Inglaterra  associaram‑  se  diretamente  ao  comércio  com  a  África. 

Francisco  I  tentou,  sem  sucesso,  em  1531,  1537  e  1539,  fazer  com  que  seus  súditos  se 

abstivessem  das  expediçoes  a  África,  a  fim  de  nao  comprometer  as  relações  da  Coroa  com 

Portugal,  na época em  que a França estava em  conflito aberto com  os  Habsburgo da Espanha. 

Mercadores de Ruao, de La Rochelle e de Dieppe já haviam enviado seus navios para a África. 

Em 1525, o rei do Congo capturou um pequeno navio francês e o entregou, com sua tripulação, 

aos portugueses. 

Na África, a penetração destes últimos, no século XVI, é análoga aquela dos franceses. 

Eles começaram a travar sólidas relações econômicas com o Marrocos, a partir de 1541, ano em 

que  os  portugueses  foram  expulsos  de  grande  parte  dos  portos  que  possuíam  no  Atlântico,  os 

quais, a partir de entao, abriram‑ se aos navios de outros países europeus. Por volta de 1550 a 

1565,  as  companhias  comerciais  inglesas  promoveram  várias  expedições  cuja  narrativa  foi 

preservada.  Exploravam  as  costas  do  Atlântico  do  Oeste  até  o  Golfo  de  Benin,  onde 

compravam, sobretudo, ouro, peles e um pequeno número de escravos. 

 

penetração  dos  holandeses  na  África  Ocidental  foi  um  fenômeno  mais  ou  menos  espontâneo. 



Em  1617,  eles  eram  tao  poderosos  na  Senegâmbia  que  ocuparam  um  posto  preponderante  na 

ilha de Gorée e, em Joal, Portudal e Rufisque, eles acabam superando, em larga medida, nao só 

os  portugueses,  mas  também  os  ingleses  e  os  franceses.  Conservaram  esta  forte  posiçao  por 

mais  de  cinquenta  anos.  Ao  mesmo  tempo,  seus  navios  ancoravam  em  Loango,  na  costa  do 

Congo e de Angola.  

A princípio, eles se mostraram como os ingleses e os franceses, pouquíssimo interessados pelo 

comércio  de  escravos.  Por  volta  de  1600,  todavia,  inaugurou‑se  uma  nova  fase  da  penetraçao 

européia  na  África,  ao  longo  da  qual  o  comércio  de  escravos  terá  uma  importância  crescente, 

inclusive para os holandeses. 

Esta evoluçao foi anunciada com a compra de escravos em Elmina, Acra e Arda, no Benin e no 

delta do Nilo, tal como em Calabar, no Gabao e no Camaroes. Estes escravos eram vendidos aos 

donos das plantaçoes  da ilha de Sao Tomé  (que, entao, pertencia aos holandeses) em  troca do 




 

açúcar  ou  enviados  ao  Brasil.  Notadamente,  tratava‑se  de  Uolófes,  adquiridos  no  delta  do 



Senegal;  

segundo  O.  Dapper,  eles  eram  muito  bem  reputados,  em  razao  do  vigor  físico,  e  eram 

convenientes  ao  trabalho  nas  plantaçoes32.  A  conquista  de  Angola,  em  1641,  estava 

estreitamente ligada as necessidades dos holandeses  no  Brasil, seguindo,  nisto, o exemplo dos 

portugueses33. Os holandeses perderam o nordeste do Brasil e foram expulsos de 

Angola em 1648. Nao obstante, a associaçao estreita destes dois territórios, que se baseava no 

trato dos escravos, persistiu até o século XIX. Ao longo deste período, o interesse dos europeus 

pela África Oriental foi Inexpressivo 




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