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shopping centers, transportes, finanças, provedores 
de internet, equipamentos e atividades ligadas à 
saúde, ao ensino e à cultura).
A Região Centro-Oeste, constituída pelos Esta-
dos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás 
e Tocantins, é uma área de ‘ocupação periférica’ 
recente. O meio técnico-científico-informacional 
se estabelece sobre um território praticamente 
‘natural’, ou melhor, ‘pré-técnico’, onde a vida de 
relações era rala e precária. Sobre essa herança de 
rarefação, os novos dados constitutivos do territó-
rio são os do mundo da informação, da televisão, de 
uma rede de cidades assentada sobre uma produção 
agrícola moderna e suas necessidades relacionais.
Os produtos de uma agricultura globalizada – 
soja, milho, algodão, arroz – são cultivados numa 
área que abriga as maiores densidades de meca-
nização agrícola (um trator para cada 8,8 habi-
tantes agrícolas, uma máquina de colheita para 
cada 54,7 habitantes agrícolas), o maior consumo 
de fertilizantes e defensivos agrícolas e a utiliza-
ção de tecnologia de ponta, como a agricultura 
de precisão. Beneficiada pelo valor relativamente 
baixo da terra, ela consegue também diminuir 
seus custos de trabalho com altos graus de capita-
lização em fixos e fluxos. Todavia o Estado parti-
cipa generosamente do financiamento necessário 
à criação de novos sistemas de engenharia e de 
novos sistemas de movimento. É uma produção 
de alimentos que se dá em fazendas modernas 
dispersas, a grandes distâncias hoje facilmente 
franqueáveis, sob a demanda das firmas globais 
com sede na Região Concentrada, mesmo que os 
mecanismos de comando sejam pouco visíveis. 
Não havendo rugosidades materiais e organiza-
cionais consideráveis, os novos objetos e as novas 
ações criam um espaço inteiramente novo e com 
grande participação na globalização.
O Nordeste, incluindo Maranhão, Piauí, Ceará, 
Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Ala-
goas, Sergipe e Bahia, é uma área de povoamento 
antigo, onde a constituição do meio mecanizado 
se deu de forma pontual e pouco densa e onde a 
respectiva circulação de pessoas, produtos, infor-
mação, ordens e dinheiro era precária, tanto em 
razão do tipo e da natureza das atividades (sobre-
tudo uma agricultura pouco intensiva) como em 
virtude da estrutura da propriedade. […]
A influência do fenômeno da globalização e 
a instalação do meio técnico-científico-informa-
cional em certas manchas do território regional, 
como nas áreas irrigadas (o caso do vale do São 
Francisco), vão se dar sobre um quadro socioes-
pacial praticamente engessado. […]
A Amazônia, definida grosseiramente pelos 
Estados de Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre 
e Rondônia, é uma região de rarefações demo-
gráficas herdadas e baixas densidades técnicas. 
No passado, desenvolveu-se um povoamento que 
levava à concentração porque a agricultura era 
limitada em capital, técnica e escopo.
Essa região foi também a última a ampliar sua 
mecanização, tanto na produção econômica quanto 
no próprio território
2
. A vastidão deste e a neces-
sidade de interligar seus principais lugares levam, 
primeiro, a um aumento do número de pontos 
servidos pela aviação, que tendem a ser os mesmos 
pontos nucleares das vias de circulação fluvial ou 
terrestre. Sua participação no total de cargas trans-
portadas por via aérea no Brasil (19,4%) a situa 
em segundo lugar depois da Região Concentrada.
As novas hidrovias, como a Madeira-Amazo-
nas, respondem à necessidade de escoar a soja 
produzida nos fronts de Mato Grosso e Rondônia. 
Esses pontos, servidos pelos transportes e comu-
nicações, exercem um fraco papel de centralidade 
sobre parcelas limitadas do espaço, cujo controle 
depende, na maior parte, da navegação nos rios. 
As exceções são as áreas onde se instalam fazen-
das modernas, sequiosas de fluidez e exigentes 
de relações, levando ao rápido crescimento de 
núcleos urbanos tornados multifuncionais e exer-
cendo um comando sobre vastas áreas. Essas áreas 
agrícolas e essas cidades-cogumelo
3
 já constituem 
um indício da penetração, na região, dos nexos 
da globalização, sob cuja égide as conexões com 
as áreas mais dinâmicas do país são asseguradas
2 ALMEIDA, Roberto Schmidt; RIBEIRO, Miguel Angelo Campos. Espaço 
temporalidade dos sistemas de transporte na Amazônia brasileira. In: 
SANTOS, Milton et al. O novo mapa do mundo: problemas geográficos 
de um mundo novo. São Paulo: Associação Nacional de Pós-Graduação 
em Planejamento Urbano e Regional, 1995. 
3 LAVEDAN, P. Géographie des Villes. Paris: Gallimard, 1959.
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mediante a disseminação dos recursos das teleco-
municações modernas.
Num arranjo diferente em relação ao resto do 
país, sua ocupação decorre de um conhecimento 
fundado em modernos satélites e radares, ao passo 
que o inventário dos reinos vegetal e animal ainda 
não foi concluído.
À semelhança de um quisto, Manaus consolida 
sua vocação como polo industrial sob o amparo da 
regulação especial da Zona Franca […].”
SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI.  
Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 268-273.
Geografia da saœde
Boletim Campi-


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