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graphie du pouvoir, os recenseamentos modernos 
coincidiriam com o desenvolvimento do Estado 
Moderno, a partir de fins do século XVIII. Reve-
lam a vontade de conhecer os recursos huma-
nos com que se conta. Tudo é inventariado, e o 
inventário é um instrumento nas mãos das orga-
nizações: estatais, empresariais, partidárias etc. 
Para a propaganda, o inventário é fundamental na 
configuração do perfil do consumidor, do recep-
tor a ser atingido. O recenseamento definiria um 
saber, um poder. Para o autor, procura-se fazer 
crescer e deslocar a população como primeiro 
recurso de energia, para atender a este ou aquele 
objetivo. Todos os meios teriam sido utilizados 
no curso da história: da coerção pura e simples 
à incitação moral, passando pelo jogo das remu-
nerações, tendo em vista modificar o estoque e 
mudar sua repartição.
Quando se recorre à imigração, sabendo-se 
que ela pode modificar a composição racial, 
étnica, linguística e religiosa da população, inclu-
sive porque a fecundidade dos diversos grupos 
pode ser diferencial, as políticas de imigração 
tendem a cercear a entrada de determinados 
migrantes, visando, por exemplo, a maior homo-
geneidade étnica.
A demografia, no interior da geografia, embora 
reflita uma sofisticação estatística maior, portanto, 
maior controle sobre dados qualitativos das popu-
lações, significa um comprometimento metodo-
lógico da análise. Ela é apresentada na geografia 
como auxiliar da geografia da população, na sua 
configuração como primeira aproximação, pri-
meiro momento, de uma análise mais complexa 
e especializada, realizada pelos outros ramos da 
geografia. A geografia da população refere-se, de 
modo geral, ao primeiro capítulo dos tratados de 
geografia humana, precedendo as demais ‘geogra-
fias’, como já foi dito. O número aparece como um 
primeiro contato, que sugeriria um desencade-
amento mais concreto e complexo. Na verdade, 
a complexidade histórica de um povo, de suas 
estruturas sociais, econômicas e políticas, cer-
tamente transcende um modelo ou estrutura de 
análise indistintamente aplicada. E sua aplicação 
não sugere um conhecimento como um movi-
mento em direção à leitura dessa complexidade.”
DAMIANI, Amélia Luisa. População e Geografia. São Paulo: Contexto, 2004. p. 57-61.
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Documentos da ONU que estimulam e orientam  
as práticas de promoção dos direitos LGBT
“[…] No âmbito das 
Nações Unidas, o Con-
selho de Direitos Huma-
nos, criado em março de 
2006 em substituição 
à Comissão sobre os 
Direitos Humanos, que existiu por 60 anos, é hoje 
o órgão intergovernamental chave para a discussão 
do tema. É formado por 47 Estados e é encarregado 
de fortalecer a promoção e a proteção dos direitos 
humanos em todo o mundo. 
Um mecanismo utilizado pelo conselho é a 
Revisão Periódica Universal (RPU), criada tam-
bém em 2006, que avalia a cada quatro anos a 
situação dos direitos humanos nos 192 Estados-
-Membros [até março de 2016 eram 193 Estados-
-Membros] da ONU. O Brasil já participou de duas 
dessas revisões, em 2008
1
 e 2012
2
. Em ambos os 
relatórios apresentados pelo governo brasileiro 
foi apontada a necessidade do reconhecimento 
e promoção dos direitos humanos da população 
LGBT nos vários âmbitos, bem como indicados 
os dados de 2.790 mortes de pessoas LGBT no 
território nacional no período de 1980 a 2006, 
fruto da homolesbotransfobia. 
Nascidos livres e iguais
Um dos marcos de referência mais recentes e 
importantes nessa jornada pelos direitos huma-
nos da população LGBT nas Nações Unidas é o 
documento Nascidos Livres e Iguais – Orientação 
Sexual e Identidade de Gênero no Regime Inter-
nacional de Direitos Humanos
3

Sob a responsabilidade da alta comissária das 
Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi 
Pillay, esse documento nasce na esteira da primeira 
resolução das Nações Unidas sobre direitos huma-
nos, orientação sexual e identidade de gênero, em 
junho de 2011, que possibilitou a elaboração do 
primeiro relatório oficial da ONU sobre o assunto, 
preparado também pelo Escritório do Alto Comis-
sariado para os Direitos Humanos. 
1 Disponível em: 117/04/PDF/G0811704.pdf?OpenElement>. Acesso em: out. 2013.
2 Disponível em: 116/ 21/PDF/G1211621.pdf?OpenElement>. Acesso em: out. 2013.
3 Disponível em: iguais.pdf>. Acesso em: out. 2013.
O relatório apresenta evidências de um padrão 
de discriminação e violência contra a população 
LGBT em todo o mundo e em todos os âmbitos: no 
trabalho/emprego, na educação, na saúde, entre 
outros. Aponta a criminalização da homossexuali-
dade nas várias regiões e o índice de violência letal. 
Navi Pillay, na apresentação do documento 


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