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Leituras complementares para o professor



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Leituras complementares para o professor
A importância da demografia na análise geográfica da população
“Na análise geo-
gráfica da população, 
a demografia, além de 
contribuir nos procedi-
mentos de quantifica-
ção dos dados brutos 
de população, definiu 
material estatístico de 
cunho mais qualitativo, que teria auxiliado a geo-
grafia na caracterização econômica, e no esclareci-
mento de tensões decorrentes das questões econô-
micas, no interior de marcos espaciais específicos.
A demografia auxilia na determinação da 
balança dos nascimentos e dos óbitos ou, em 
outras palavras, do movimento natural de cresci-
mento da população. Os progressos da medicina e 
da higiene são destacados na responsabilidade do 
retrocesso da mortalidade. Quanto à diminuição 
da natalidade, aparecem interpretações sobre o 
impacto da Revolução Industrial e da transfor-
mação da estrutura social. Nesta análise, o peso 
da determinação dos elementos culturais varia, 
podendo ser destacados a idade para o casamento, 
métodos e cuidados tradicionais com a criança, 
fatores religiosos etc.
Ao geógrafo é reservado determinar a distri-
buição dos diversos tipos geográficos, fruto desse 
estudo demográfico e, em seguida, relacionar os 
caracteres específicos desses tipos com as formas 
de mobilização dos recursos (ou as forças produti-
vas, para alguns) e sua capacidade de distribuição 
dos meios de existência.
A tipologia geográfica dos países e regiões, 
a esse respeito, apresenta certa variação, mais 
ou menos detalhada, mas caminha na mesma 
direção, a da diferenciação entre países velhos e 
países de crescimento rápido ou países de cres-
cimento recente.
Por exemplo, Max Derruau cria uma tipologia 
que classifica os países em: tipo primitivo – aquele 
de alta natalidade e mortalidade; tipo jovem – 
forte natalidade e mortalidade débil, de cresci-
mento natural elevado; tipo maduro – natalidade 
e mortalidade mais baixas, com crescimento posi-
tivo, embora moderado; e regime velho, quando o 
crescimento natural pode ser, inclusive, negativo. 
Neste último caso, o coeficiente de mortalidade se 
incrementaria com o volume de envelhecimento 
da população.
A tipologia chega, inclusive, a discernir certos 
fatores de explicação da redução da mortalidade: 
de uma redução relativamente menor, fruto, em 
especial, da ação medicinal, até uma redução ainda 
maior, cujas taxas revelariam uma sociedade dife-
renciada, em que as classes se beneficiariam, ao 
mesmo tempo, embora de forma desigual, das 
garantias médicas e de um nível de vida mais ele-
vado. Em países de crescimento recente, e persis-
tência de grande miséria, a juventude da popula-
ção mascararia o dado. Para aprimorar o cálculo, 
sugere-se uma análise diferencial da natalidade e 
da mortalidade, medindo sua distribuição regional 
e local, chegando-se, inclusive, a investigações por 
quarteirão, em aglomerações urbanas. Da mesma 
forma, o dado de fecundidade afinaria a taxa de 
natalidade, pois indicaria as perspectivas de evo-
lução do crescimento da população.
As pirâmides de idade e sexo, através das 
quais se discriminaria a quantidade de homens 
e mulheres, em diferentes classes de idade, 
também expressariam um fator de crescimento 
demográfico: as pirâmides de bases significati-
vas, isto é, com maior efetivo em intervalos de 
baixa idade, revelariam a possibilidade de uma 
maior evolução ascendente.
A composição por sexo e por idades da popula-
ção, definida pelas pirâmides de idade, possibilita 
medir os efeitos da situação demográfica sobre as 
mentalidades, as condições de vida, o consumo. 
Teria um interesse especial para a geografia eco-
nômica, do âmbito da medição do potencial eco-
nômico de diferentes espaços.
Através dessa pirâmide, é possível inferir dados 
sobre o potencial produtivo de uma dada sociedade 
– a população em idade ativa, isto é, apta ao exercí-
cio de uma atividade –, os intervalos de idade que 
representam uma carga – crianças, adolescentes e 
velhos –, aqueles em idade de procriar etc.
Uma correlação entre a população em idade 
para trabalhar e a população ativa – aqueles que 
estão empregados ou que no momento estão 
desempregados, mas já tiveram um emprego – 
demarcaria a flexibilidade do mercado de traba-
lho em incorporar essa população trabalhadora 
disponível.
O volume da população em idade dependente 
anuncia a emergência de investimentos demográ-
Este texto trata das 
questões demográficas, 
enquanto categoria de 
análise, e pode contribuir 
para um aprofundamento 
dos estudos do Cap’tulo 6.
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ficos – escolas, hospitais etc. – em detrimento de 
investimentos produtivos, reproduzindo ritmos 
lentos de crescimento econômico. Portanto, a 
pressão demográfica pode reproduzir estágios de 
subdesenvolvimento. 
Adicione-se à pirâmide de idade e sexo a análise 
da população inativa – pessoas que não exercem 
qualquer profissão, devido à idade, doença, abstenção 
voluntária etc. – e ativa, discriminando esta última, 
entre os diversos setores de atividade profissional. 
Tem-se, assim, uma contribuição da estatística demo-
gráfica à discriminação de tipos regionais, estruturas 
sociais e tipos de sociedades globais.
O esquema clássico utilizado é o da divisão 
da população ativa em três setores: setor primá-
rio, isto é, população produtora de artigos brutos 
– população agrícola, pescadores, mineiros etc.; 
setor secundário – população trabalhadora da 
indústria, que transforma os produtos brutos; e 
setor terciário – população voltada aos serviços, 
no sentido amplo do termo. A partir das propor-
ções relativas de cada setor, e de sua combinação, 
seria possível caracterizar o grau de desenvolvi-
mento de diferentes sociedades. Por exemplo, a 
população com setor primário preponderante, 
ainda que tenha um setor terciário significativo
identificado, inclusive, como parasitismo, defini-
ria economias subdesenvolvidas.
O esquema parece cômodo, embora tenha sido 
criticado.
Ainda outros dados sobre nível de instrução, 
de renda etc. permitem completar a caracterização 
social dessa população.
Uma primeira definição, embora parcial, do 
fenômeno urbano, seria sugerida pelos efetivos 
de população concentrados no espaço, variando 
segundo convenções de cada país – 2 mil, 2 mil 
e quinhentos, 5 mil ou até 10 mil habitantes, a 
determinar a existência do fato urbano. O trata-
mento do fenômeno urbano também sugere uma 
perspectiva histórica, no interior de uma leitura 
evolucionista do povoamento, discriminando paí-
ses com predomínio de população agrícola e países 
de economia industrial. Há distinção do fenômeno 
urbano nesses diferentes tipos de países. Nos últi-
mos, o agrupamento urbano aparece como criação 
de aglomerações industriais. [...]
Segundo Claude Raffestin, em Pour une Géo-


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