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Sugestões de atividades complementares



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Sugestões de atividades complementares
Pesquisa
Sugira aos estudantes que façam uma pesquisa 
sobre algumas minorias da população brasileira
visando conhecer sua situação na sociedade ao longo 
da história e nos dias atuais. Poderão ser abordadas 
questões como educação, trabalho, condições finan-
ceiras, reconhecimento social, principais reivindica-
ções, entre outras (ver sugestões a seguir). Entre os 
grupos pesquisados, poderão ser os de mulheres, 
migrantes (estrangeiros ou brasileiros), afrodescenden-
tes, pessoas com deficiência e grupos LGBT (os jovens 
são tema de pesquisa na seção Agentes da sociedade, 
portanto, já serão estudados naquela seção). Oriente a 
formação dos grupos e a organização e o encaminha-
mento da atividade, dando autonomia aos estudantes, 
mas acompanhando-os ao longo do processo e dando 
o suporte necessário. O objetivo da pesquisa é conhe-
cerem a situação desses grupos populacionais. 
Em relação à população feminina, os estudantes 
poderão investigar a situação econômica, social e 
cultural da mulher na sociedade brasileira atual: salá-
rios em relação aos homens, posições hierárquicas 
conquistadas nas empresas, visão da sociedade a 
respeito de sua autonomia, nível de escolarização, 
responsabilidades profissionais × responsabilidades 
na manutenção da casa e criação dos filhos, violência 
doméstica, entre outros temas. 
Em relação à população idosa, os estudantes pode-
rão investigar: quantos são, percentual que ocuparam 
e ocupam atualmente na população brasileira, o papel 
da previdência social na sua remuneração e qualidade 
de vida, dificuldades enfrentadas, perspectivas em 
relação ao presente e ao futuro, direitos e legislação 
específicos para essa parcela da população etc. 
No que diz respeito aos grupos LGBT, poderão discutir 
o papel desses grupos na sociedade, suas reivindicações, 
lutas e conquistas. Também poderão ser pesquisadas 
orientações internacionais sobre a não discriminação 
no emprego, descritas na Convenção 111 da OIT, que 
determina que os países signatários protejam a população 
LGBT contra a discriminação no ambiente de trabalho e 
aqueles que estão se preparando para entrar no mercado 
(sobre o tema, veja texto na seção Leituras complementa-
res para o professor e Sugestões de livros, sites e filmes, 
nas páginas 362 e 365, respectivamente). 
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Sobre os deficientes, os estudantes poderão inves-
tigar as diversas maneiras pelas quais esse grupo vem 
sofrendo discriminação na sociedade, seja no acesso 
à educação, ao trabalho, ao lazer e ao convívio social. 
Poderão também ser discutidos os aspectos legais e 
os avanços na legislação brasileira em relação às pes-
soas com deficiência, por exemplo, a obrigatoriedade 
de empresas com cem ou mais funcionários contra-
tarem de 2% a 5% de profissionais com deficiência 
ou beneficiários reabilitados.
Em relação aos afrodescendentes, poderão ser 
investigados sua situação socioeconômica na atua-
lidade em relação aos brancos, no que diz respeito, 
por exemplo: ao número de estudantes nos diferen-
tes níveis de ensino; ao número de pessoas empre-
gadas; ao salário recebido por elas; ao número de 
pessoas encarceradas; ao número de trabalhadores 
ocupando cargos de chefia ou governamentais; entre 
vários outros aspectos que demonstrem a histórica 
desigualdade entre brancos e afrodescendentes no 
Brasil. Recomendamos também que os estudantes 
sejam incentivados a investigar diferentes casos de 
sucesso dos afrodescendentes nos vários campos de 
atuação: ciências, política, artes, business etc. 
Os estudantes poderão buscar dados e informa-
ções em órgãos oficiais, empresas, livros, jornais, 
revistas e na internet
 etc., e também conversando 
com pessoas que representam os grupos pesquisa-
dos (além das várias indicações ao longo dos livros 
do estudante e do professor). A atividade propicia 
que os estudantes integrem a Geografia com conhe-
cimentos de História (ao investigarem os processos 
e a historicidade dos fatos e dos problemas atuais) e 
com Sociologia (ao examinarem as práticas sociais 
e culturais das minorias no Brasil).
Entrevista
Peça aos estudantes que entrevistem estrangeiros 
(ou seus descendentes) que vivem no Brasil.
Caso a pesquisa não possa ser in loco, oriente-os 
a utilizar a internet
 ou até mesmo o telefone para o 
contato com os entrevistados. Os estudantes deverão 
levantar os motivos que levaram essas pessoas a 
migrar para o Brasil, destacando a época e o con-
texto histórico do evento e suas impressões sobre a 
sociedade brasileira, abordando questões sociais, 
econômicas e culturais.
Antes das entrevistas, auxilie os estudantes na 
elaboração de um roteiro com os pontos a serem 
pesquisados. Ao final das entrevistas, façam a tabu-
lação dos dados obtidos, por categoria, por exemplo, 
origem do entrevistado, época da migração, formação 
profissional atual, entre outros, e socializem os resul-
tados. A entrevista também poderá ter como tema a 
emigração brasileira. Nesse caso, oriente-os, adap-
tando as sugestões anteriores para essa temática. 
Esta é uma atividade interdisciplinar para a qual 
os estudantes poderão solicitar a participação dos 
professores das disciplinas de História e Sociologia, 
além de Matemática.
Debates
A temática abordada no capítulo possibilita 
debates interessantes e que muito provavelmente 
instigam estudantes do Ensino Médio. Esses deba-
tes favorecem não apenas aprofundar os temas 
tratados, mas sobretudo visam estimular a reflexão, 
desenvolvendo nos estudantes o senso de equidade, 
justiça e respeito pelos diferentes grupos que for-
mam a sociedade. Para que um debate atinja seus 
objetivos, é fundamental a informação e a análise 
crítica desta, favorecendo uma argumentação coe-
rente e assertiva.
Algumas sugestões de temas relacionados à uni-
dade para serem debatidos pela turma:
•  Formas de discriminação da mulher no Brasil 
e no mundo. Ainda hoje há discriminação das 
mulheres? De que maneiras – implícitas e explí-
citas – elas ocorrem? Quais são as reações a 
essa discriminação e os avanços conquistados?
•  Crescimento populacional e questão ambien-
tal: há ou não relação entre essas duas ques-
tões? As políticas de preservação ambiental 
devem considerar o controle da natalidade? 
Nesse debate, oriente os estudantes a retomar 
a questão sobre o modo de vida capitalista e a 
sociedade de consumo, temas desenvolvidos 
em diversos momentos da Coleção.
•  O retirante nordestino. Quais são as motivações 
que levaram (e ainda levam) muitos nordestinos 
a migrar? Como são suas condições de vida 
no lugar de destino? Quais são as dificuldades 
encontradas? O que leva ao preconceito contra 
o retirante? Para sensibilizar os estudantes para 
esse debate, sugerimos a leitura de um trecho 
da obra Vidas secas, de Graciliano Ramos, da 
qual reproduzimos um excerto a seguir. 
Esse trabalho poderá ser feito com a colaboração 
dos professores de Língua Portuguesa e de Biologia, 
discutindo-se, por exemplo, a questão dos regionalis-
mos e o estilo literário do autor, bem como as carac-
terísticas da fauna e da flora do semiárido brasileiro.
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O final da saga do sertanejo ou das Vidas secas
“Fabiano insistiu nos seus conhecimen-
tos topográficos, falou no cavalo de fábrica. Ia 
morrer na certa, um animal tão bom. Se tivesse 
vindo com eles, transportaria a bagagem. Algum 
tempo comeria folhas secas, mas além dos mon-
tes encontraria alimento verde. Infelizmente per-
tencia ao fazendeiro – e definhava, sem ter quem 
lhe desse a ração. Ia morrer o amigo, lazarento e 
com esparavões, num canto de cerca, vendo os 
urubus chegarem banzeiros, saltando, os bicos 
ameaçando-lhe os olhos. A lembrança das aves 
medonhas, que ameaçavam com os bicos pon-
tudos os olhos de criaturas vivas, horrorizou 
Fabiano. Se elas tivessem paciência, comeriam 
tranquilamente a carniça. Não tinham paciência 
aquelas pestes vorazes que voavam lá em cima, 
fazendo curvas.
– Pestes.
Voavam sempre, não se podia saber donde 
vinha tanto urubu.
– Pestes.
Olhou as sombras movediças que enchiam a 
campina. Talvez estivessem fazendo círculos em 
redor do pobre cavalo esmorecido num canto de 
cerca. Os olhos de Fabiano se umedeceram. Coi-
tado do cavalo. Estava magro, pelado, faminto, e 
arredondava uns olhos que pareciam de gente.
– Pestes.
O que indignava Fabiano era o costume que os 
miseráveis tinham de atirar bicadas aos olhos de 
criaturas que já não se podiam defender. Ergueu-
-se, assustado, como se os bichos tivessem descido 
do céu azul e andassem ali perto, num voo baixo, 
fazendo curvas cada vez menores em torno do seu 
corpo, de sinhá Vitória e dos meninos.
Sinhá Vitória percebeu-lhe a inquietação na 
cara torturada e levantou-se também, acordou 
os filhos, arrumou os picuás. Fabiano retomou 
o carrego. Sinhá Vitória desatou-lhe a correia 
presa ao cinturão, tirou a cuia e emborcou-a na 
cabeça do menino mais velho, sobre uma rodilha 
de molambos. Em cima pôs uma trouxa. Fabiano 
aprovou o arranjo, sorriu, esqueceu os urubus e o 
cavalo. Sim senhor. Que mulher! Assim ele ficaria 
com a carga aliviada e o pequeno teria um guarda-
-sol. O peso da cuia era uma insignificância, mas 
Fabiano achou-se leve, pisou rijo e encaminhou-
-se ao bebedouro. Chegariam lá antes da noite, 
beberiam, descansariam, continuariam a viagem 
com o luar. Tudo isso era duvidoso, mas adquiria 
consistência. E a conversa recomeçou, enquanto 
o sol descambava.
– Tenho comido toicinho com mais cabelo, 
declarou Fabiano desafiando o céu, os espinhos 
e os urubus.
– Não é? murmurou sinhá Vitória sem pergun-
tar, apenas confirmando o que ele dizia.
Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, 
se foi esboçando. Acomodar-se-iam num sítio 
pequeno, o que parecia difícil a Fabiano, criado 
solto no mato.
Cultivariam um pedaço de terra. Mudar-se-iam 
depois para uma cidade, e os meninos frequenta-
riam escolas, seriam diferentes deles. Sinhá Vitória 
esquentava-se. Fabiano ria, tinha desejo de esfre-
gar as mãos agarradas à boca do saco e à coronha 
da espingarda de pederneira.
Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miú-
das que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de 
carniças que empestavam o caminho. As palavras 
de sinhá Vitória encantavam-no. Iriam para diante, 
alcançariam uma terra desconhecida. Fabiano 
estava contente e acreditava nessa terra, porque 
não sabia como ela era nem onde era. Repetia 
docilmente as palavras de sinhá Vitória, as palavras 
que sinhá Vitória murmurava porque tinha con-
fiança nele. E andavam para o sul, metidos naquele 
sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. 
Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis 
e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se 
como uns cachorros, inúteis, acabando-se como 
Baleia. Que iriam fazer? Retardaram-se, temerosos. 
Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, 
ficariam presos nela. E o sertão continuaria a man-
dar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade 
homens fortes, brutos, como Fabiano, sinhá Vitória 
e os dois meninos.”
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 175-177.
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