Territorio e Sociedade3 pnld18 pr pontualOK. pdf



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Figura 2.
 A ocupação árabe em território espanhol foi de 
711 a 1492. Nesses quase 800 anos de sua presença, dei-
xaram marcas na cultura, no vocabulário e na arquitetura 
do país. Na imagem, inscrições árabes, arabescos e azule-
jos do final século XVI enfeitam paredes, colunas e arcos do 
complexo palaciano de Alhambra, em Granada (Espanha). 
Esse complexo exibe elementos islâmicos e cristãos por ter 
alojado monarcas muçulmanos e católicos, do século XIII 
até depois da Reconquista (século XV). Fotografia de 2007. 
JEREMY HORNER/LIGHTROCKET/GETTY IMAGES
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Capítulo 1  –  Etnia e modernidade 
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No entanto, nenhuma expansão se iguala, em amplitude e diversidade de contatos, 
à iniciada pelos europeus no século XV. Dominaram os ameríndios e outros povos 
ao redor do mundo, integrando-os (pela força militar ou pelo domínio cultural) a um 
mesmo sistema econômico, o capitalismo comercial. A partir desse domínio, a cultura 
europeia – com seus valores e estrutura de organização social e política baseada no 
Estado nacional – foi sendo imposta ao longo dos séculos aos povos da América, África, 
Ásia e Oceania, ao mesmo tempo que assimilava elementos culturais desses povos. 
Estado nacional
Os Estados nacionais modernos surgiram no século XIV, com a formação de Portugal, e no XV com 
os reinos da Espanha, França e Inglaterra. Somente no século XIX passaram a ser o modelo de estrutu-
ração territorial e política predominante no mundo. Na concepção comum, o Estado é uma organização 
política centralizada que, por meio de um conjunto de instituições, governa a sociedade estabelecida 
em seu território.
Ele desempenha um conjunto de funções sociais, como as relacionadas à saúde e educação. Ainda, 
mantém a lei e a ordem, resolve os conflitos entre grupos sociais e econômicos e é responsável 
pela defesa do seu território, além de estabelecer e controlar as regras econômicas.
No seio da civilização europeia, num período caracterizado por grandes conquistas 
tecnológicas e pelos Estados nacionais absolutistas, está a origem da civilização 
ocidental moderna, consolidada com a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. 
A Revolução Industrial (segunda metade do século XVIII) deu grande impulso ao 
desenvolvimento e à expansão capitalista, à acumulação de capital e à difusão das 
relações de trabalho assalariado. Além disso, introduziu a produção em massa e a 
padronização das mercadorias e expandiu o comércio internacional.
A Revolução Francesa (1789), com a difusão do lema “liberdade, igualdade e 
fraternidade”, contribuiu para a generalização dos ideais do Iluminismo e dos valores 
democráticos de igualdade dos indivíduos perante a lei. 
Iluminismo
Doutrina que valorizava a razão, baseada na ciência, 
como forma de conhecimento do mundo. Os iluministas 
acreditavam na possibilidade da convivência harmoniosa 
em sociedade, pregavam a liberdade individual, política, 
econômica e religiosa, e negavam o absolutismo monárquico.  
Um dos pensadores precursores que influenciaram o movi-
mento iluminista foi o inglês John Locke (1632-1704), que no 
século XVII fundamentou ideias liberais que contestavam o 
sistema da época: os governos devem ser limitados nos seus 
poderes; devem garantir o respeito aos direitos naturais do 
povo – a proteção da vida, da liberdade e da propriedade; 
governos só existem pelo consentimento dos governados, 
pois todos os homens nascem livres e iguais. O Iluminismo 
teve desdobramentos na Europa, na América e em outras 
regiões do mundo, inspirando movimentos revolucionários 
e de independência.
John Locke, precursor do pensa-
mento iluminista. Retrato de 
Sir Godfrey Kneller, 1697.
Um dos aspectos marcantes da civilização ocidental, e do próprio capitalismo, é 
o individualismo, conceito segundo o qual a liberdade do indivíduo se afirma sobre a 
sociedade. O self-made man é a expressão mais bem acabada do individualismo, na 
qual se exalta a figura da pessoa que venceu na vida graças aos próprios esforços.
Self-made man 
Expressão em inglês que 
significa “homem que se fez 
por si”, ou seja, pessoa cujo 
sucesso se deve a si própria.
LODGE P
ARK AND SHERBORNE EST
A
TE, 
GLOUCESTERSHIRE (REINO UNIDO)
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Unidade 1  |  Etnia, diversidade cultural e conflitos 
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Outra importante característica da civilização ocidental é o 
consumismo, que está, 
de certa forma, alicerçado em dois princípios fundamentais da sociedade capitalista: 
busca constante por inovação e acumulação de bens. A sociedade estadunidense 
levou a noção do consumismo ao extremo. O desejo por bens e serviços é altamente 
estimulado e manisfeta-se de forma voraz. Veja a figura 3.
MODERNIDADE E CULTURA
Apesar da amplitude alcançada pela cultura europeia 
– com a disseminação de instituições, visões de mundo, 
modos de vida e valores construídos no interior da civili-
zação ocidental –, algumas sociedades coesas, de cultura 
milenar, não foram totalmente permeáveis à mudança de 
valores. No entanto, assimilaram técnicas e sistemas de 
produção e gerenciamento, inserindo suas economias nos 
padrões do mercado mundial, como é o caso do Japão, 
da China, da Coreia do Sul, da Índia e de outros países, 
inclusive muçulmanos (figura 4).
O que essas sociedades assimilaram foi a moderni-
dade, entendida aqui como a estrutura político-adminis-
trativa própria dos Estados-nações, a sociedade urbano-
-industrial, a produção de bens e a geração de serviços 
em larga escala, os avanços tecnológicos, a comunica-
ção instantânea, a agilidade dos meios de transportes e 
a dependência de algumas fontes energéticas (carvão 
mineral, petróleo e urânio).


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