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Ponto de vista – Brasileiros contam experiência em região tida como



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Ponto de vista – Brasileiros contam experiência em região tida como
“ninho de terroristas” (p. 80)
1.
  A expressão foi usada pelo fato de que viviam no local 
diversos extremistas de origem islâmica envolvidos nos 
ataques a Paris, em novembro de 2015, o que acentuou 
a “má fama do bairro”. Vale informar aos estudantes que 
a “má fama” vem de antes dos atentados de Paris, por 
lá terem passado ou vivido outros acusados de envol-
vimento com terrorismo (atentado aos trens de Madri, 
em 2004; atentado ao Museu Judaico de Bruxelas, em 
2014; ataque ao trem Paris-Amsterdã, em 2015). 
  
Porém, é importante ressaltar que generalizações desse 
tipo, vinculando os extremistas radicais à enorme popu-
lação do bairro, acabam por estigmatizar seus habitan-
tes, que em sua maioria trabalham e vivem de forma 
pacífica. A estigamatização contra o bairro alimenta 
um círculo vicioso de preconceito e discriminação 
contra árabes e muçulmanos, contribuindo para a 
marginalização sistêmica da população e criando um 
terreno fértil para a atuação de grupos radicais que 
recrutam jovens sem perspectivas de futuro, que se 
sentem excluídos na Europa. 
  
Cabe informar também que Molenbeek já foi um dos 
principais centros industriais da Bélgica, e por isso a 
demanda por mão de obra na década de 1970 atraiu 
milhares de imigrantes, muitos deles árabes muçul-
manos. Mas, uma vez que a indústria em grande parte 
deixou a área, os imigrantes tiveram que se adaptar à 
economia de serviços, que passou a prevalecer na região.
  
O bairro, apesar de pobre, tem áreas bem estruturadas, 
com ruas de comércio, áreas verdes e moradias esta-
belecidas. Acredita-se que os extremistas se reúnam 
em locais de oração clandestinos e outros pontos de 
encontro temporários, o que dificulta a vigilância pelas 
autoridades do país. 
2.
  A brasileira Gisele Alves comenta que tentou conven-
cer sua irmã a tirar o sobrinho de uma escola onde 
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cerca de 70% dos estudantes são muçulmanos, mas 
que voltou atrás ao reconhecer que a escola era muito 
boa. Além disso, ela passou a ficar desconfiada dos 
muçulmanos em locais como o metrô. Apesar de 
considerar a sua atitude errada, justifica que foi uma 
reação instintiva diante dos atentados. 
  
É importante incentivar os estudantes a refletirem 
sobre a vinculação simplória e automática de terro-
rismo a muçulmanos, como se todos os adeptos da 
religião tivessem inclinações para cometer tais atos 
de violência. A comoção emocional envolvida em tra-
gédias desse tipo pode levar a avaliações precipitadas 
que alimentam estereótipos e o preconceito contra 
árabes e muçulmanos. 
  
Vale problematizar também a fala de Gisele sobre “rea-
ção instintiva”, que naturaliza uma visão socialmente 
construída e influenciada pelo discurso propagado 
pelos meios de comunicação, que em geral exploram 
de forma sensacionalista a questão religiosa e étnica 
quando abordam ataques terroristas ligados ao funda-
mentalismo islâmico, ajudando a sedimentar um senso 
comum que relaciona muçulmanos a terrorismo. 


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