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   O DESAFIO DA ATUALIZAÇÃO



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   O DESAFIO DA ATUALIZAÇÃO 
EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO 
ACELERADA
O espaço geográfico gerado pelo fim da Guerra 
Fria e pelo acelerado processo de globalização eco-
nômica e de criação de tecnologias, ao lado da 
nova configuração geopolítica, impôs à Geografia 
o desafio de uma atualização em ritmo bastante 
intenso. Diversos estudos surgidos nas últimas déca-
das enquadram-se nessa tentativa.
David Harvey (1935-), geógrafo marxista britânico, 
em sua obra Condição pós-moderna
10
, criou o conceito 
de “compressão do espaço-tempo”, processo vivido 
pela humanidade desde a década de 1970 e que 
exige mudanças nos mapas mentais, nas atitudes 
e nas instituições. Esse processo, segundo ele, não 
ocorre em simultaneidade com os empreendimentos 
técnico-científicos no espaço, gerando uma defasagem 
que pode implicar sérias consequências para as mais 
diversas decisões (financeiras, militares etc.)
11
. Além 
da contribuição das novas tecnologias, Harvey explora, 
nessa obra, a prática da descartabilidade dos produtos 
9 São Paulo: Difel, 1980.
10 São Paulo: Loyola, 1993.
11 Idem, p. 275-278. 
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e a manipulação da opinião e do gosto, apoiada na 
construção de novos sistemas de signos e imagens
12

Ao lado dele, incluem-se os pós-modernos bra-
sileiros Bertha K. Becker (1930-2013) e Rogério 
Haesbaert (1958-). Os três encaixam-se na tendência 
que considera novas formas de gestão do espaço 
geográfico, em vista da transformação dos espaços 
militarizados da Guerra Fria em territórios onde, sob 
o império da competitividade, o poder está vinculado 
ao domínio de recursos tecnológicos, e que as lutas se 
dão entre lugares, e não mais entre nações. Em opo-
sição ao âmbito global, em que existe um processo de 
coesão, de fusão de empresas, de criação de blocos 
econômicos, gerando a ideia de unificação, o âmbito 
local vive um processo de fragmentação, contando 
com suas próprias condições para se desenvolver. 
Para Becker, desde a Segunda Guerra Mundial a 
ciência e a tecnologia passaram a constituir o funda-
mento do poder, valorizando o espaço com base em 
suas diferenças, processo que, nas mãos das redes 
transnacionais de circulação e comunicação, permite 
tanto a globalização como a diferenciação espacial
13

Segundo Haesbaert, o processo modernizador 
implicado nos avanços tecnológicos e na aceleração 
da globalização econômica compromete gravemente 
vastas áreas do planeta. Uma imensa massa de des-
possuídos vive sem a mínima condição de acesso 
às redes mundiais e de autonomia para definir seus 
circuitos de vida
14
.
O brasileiro Milton Santos (1926-2001) e o esta-
dunidense Edward Soja (1940-2015) estão entre os 
autores cujas obras contribuem para a definição do 
espaço geográfico em tempos de globalização.
Em sua obra Geografias pós-modernas: a reafirma-
ção do espaço na teoria social crítica
15
, Soja, baseando-
-se em sua defesa da força do historicismo no desen-
volvimento das ciências modernas, discute autores 
que tentaram fazer o resgate da categoria espaço 
e busca elaborar um método materialista histórico 
e geográfico, apoiando-se na inseparabilidade de 
espaço e tempo.
Entre as diversas obras de Milton Santos, podemos 
destacar, para os fins de nossa análise, Técnica, espaço, 
tempo: globalização e meio técnico-científico internacio-
nal
16
. Nela, o autor defende que a produção do espaço 
12 Idem, Capítulo 17.
13  Geopolítica na virada do milênio: logística e desenvolvimento sustentável. 
In: GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L.; CASTRO, I. E. (Org.). 
Geografia
conceitos e temas. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 287.
14 Desterritorialização: entre as redes e os aglomerados de exclusão. In: 
CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, L. L. (Org.). 
Geografia: conceitos 
e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 166.
15 Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.
16 São Paulo: Hucitec, 1994. p. 48-49.
geográfico responde às demandas de quem o idealiza, 
visando ao fluxo de suas necessidades. O espaço geo-
gráfico é, portanto, um “conjunto indissociável de siste-
mas de objetos naturais ou fabricados e de sistemas de 
ações, deliberadas ou não”, em que se materializam “a 
unicidade técnica, a convergência dos momentos e a 
unicidade do motor”, viabilizando, assim, a globalização. 


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