Territorio e Sociedade3 pnld18 pr pontualOK. pdf



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Taxa de fecundidade 
(número médio de filhos 
por mulher de 15 a 49 anos)
2 É importante ressaltar que a expressão “explosão demográfica” é criticada por alguns demógrafos, pois sugere que 
um crescimento descontrolado da população tornaria caótica a vida humana na Terra. A explosão demográfica como 
sinal de catástrofe foi utilizada como argumento pelos neomalthusianos para controlar o crescimento demográfico 
nos países em desenvolvimento.
As ideias de Malthus serão reto-
madas na seção Ponto de vista, 
página 155.
Figura 4.
 Jacarta é a capital da Indonésia e uma das cidades mais populosas do 
mundo, com mais de 9 milhões de habitantes. Fotografia de 2014. 
BEA
WIHAR
T
A/REUTERS/LA
TINSTOCK
MARIO YOSHIDA
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Unidade 3  |  Espaço, sociedade e economia 
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•  Teoria neomalthusiana 
A reflexão sobre o fenômeno do crescimento acelerado da população nos países 
menos desenvolvidos deu origem a novas teorias demográficas. A teoria que associava 
o crescimento populacional ao baixo desenvolvimento econômico e social propunha 
soluções antinatalistas para os problemas econômicos enfrentados pelos países menos 
desenvolvidos e ficou conhecida como teoria neomalthusiana.
Os neomalthusianos, ao contrário de Malthus, eram favoráveis ao uso de métodos 
anticoncepcionais e propunham a sua difusão em massa nos países em desenvol-
vimento. Argumentavam que os países com elevadas taxas de crescimento eram 
obrigados a investir boa parte de seus recursos em educação e saúde, devido à grande 
porcentagem de jovens em sua população e julgavam que essas somas elevadas 
poderiam ser aplicadas em atividades produtivas, ligadas à agricultura, à indústria e 
a outros setores da economia.
Os neomalthusianos ressaltavam ainda que o crescimento acelerado da população 
de um país acarretava a diminuição da sua renda per capita, com impacto direto no 
desenvolvimento econômico, no desemprego e na pobreza. Desse modo, para aumentar 
a renda média dos habitantes, era necessário controlar o crescimento populacional.
•  Teoria reformista
Os principais críticos da teoria neomalthusiana foram os reformistas. Segundo 
estes, o grande crescimento demográfico coincidiu exatamente com a grande expan-
são econômica ocorrida em parte do mundo em desenvolvimento, entre 1950 e 1980, 
que provocou o declínio da mortalidade. Nesse sentido, o crescimento foi resultante 
do progresso, e não da pobreza. Além disso, os países que experimentaram essa 
fase de crescimento econômico apresentaram posteriormente taxas de fecundidade 
em declínio, como foi o caso do Brasil. 
Os reformistas afirmam, portanto, que a elevada taxa de natalidade não é causa, 
mas consequência do menor desenvolvimento. Famílias que vivem em condições 
miseráveis e que possuem baixa escolarização não teriam condições de realizar o 
planejamento familiar, pela falta de acesso à informação sobre o uso dos métodos 
de anticoncepção e por não possuírem condições econômicas de mantê-los. Desse 
modo, defendem a realização de amplas reformas socioeconômicas voltadas para a 
elevação do padrão de vida da população mais pobre.
Afirmavam, ainda, que os argumentos dos neomalthusianos foram desfeitos pela 
dinâmica demográfica real, que demonstrou historicamente que as alterações nos 
padrões de crescimento populacional são resultantes da distribuição mais equitativa 
e do maior acesso à cultura e à educação.
•  Teoria da transição demográfi ca 
Em oposição à ideia de que o mundo estaria em processo de explosão demográ-
fica, foi retomada a teoria da transição demográfica.
 Formulada em 1929, afirmava 
que todos os países, em um determinado momento da história, tendem a estabilizar 
o seu crescimento populacional. 
Nesse sentido, a experiência demográfica dos países europeus – da Revolução 
Industrial aos dias atuais – comprovaria essa teoria e apontaria um padrão de evolução 
da população mundial que seria seguido pelos demais países do mundo. 
A transição demográfica surgiu com as mudanças na relação entre as taxas de 
natalidade e de mortalidade, verificadas a partir da segunda metade do século XVIII. 
Tem como referência inicial, nesse sentido, a Revolução Industrial e a formação das 
sociedades modernas, que marcaram a ruptura de um longo período histórico – 
conhecido como pré-transição ou primeira fase –, em que as sociedades humanas 
conviviam com elevadas taxas de natalidade e de mortalidade. 
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.
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Capítulo 6  –  Crescimento populacional: tendências e dilemas 
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A segunda fase da transição demográfica caracteriza-se pela queda acentuada 
das taxas de mortalidade, devido às conquistas da medicina e à implantação de 
infraestrutura de saneamento e de higiene, advindas da Revolução Industrial. No 
entanto, as taxas de natalidade ainda permanecem altas, elevando o crescimento 
populacional. Outros países de industrialização tardia iniciaram a transição demográ-
fica para a segunda fase apenas na segunda metade do século XX, como o Brasil. 
Na  terceira fase, a queda da mortalidade é menos acentuada, enquanto a 
natalidade apresenta declínio mais intenso, acarretando recuo progressivo no 
crescimento populacional.
Na quarta e última fase, o crescimento populacional tende a estabilizar-se. As 
taxas de natalidade e de mortalidade, em patamares baixos e semelhantes, pratica-
mente se anulam. Essa fase, conquistada pela maioria dos países europeus no fim 
do século XX, é conhecida como estabilização demográfica (figura 6).
Figura 6. Transição demográfica


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