Territorio e Sociedade3 pnld18 pr pontualOK. pdf



Baixar 59.14 Mb.
Pdf preview
Página120/520
Encontro29.09.2021
Tamanho59.14 Mb.
1   ...   116   117   118   119   120   121   122   123   ...   520
Caminho para 
Guantánamo
De Michael Winterbottom. 
Inglaterra, 2006. 95 min.
O drama de jovens 
britânicos de origem 
paquistanesa em viagem ao 
Afeganistão para participar 
de um casamento. 
Capturados pelas forças 
aliadas, que invadem o 
Afeganistão após o 11 de 
setembro, são enviados 
à prisão de Guantánamo, 
onde ficam detidos por mais 
de dois anos.
SHANE T
. MCCOY/DEP
AR
TMENT OF DEFENSE/HO/REUTERS/LA
TINST
OCK
Figura 17.
 Policiais conduzem de-
tento da penitenciária da base 
naval da Baía de Guantánamo, em 
Cuba, 2002. No início de 2016, o 
presidente estadunidense Barack 
Obama apresentou um plano para 
fechar essa unidade prisional.
78
Unidade 1  |  Etnia, diversidade cultural e confl itos 
TS_V3_U1_CAP03_060_081.indd   78
23/05/16   19:03


RÚSSIA E A GUERRA PREVENTIVA
Após a Chechênia declarar-se independente em 1991, ela foi alvo de ataques do 
exército russo. Segundo a Anistia Internacional, homens, mulheres e até crianças 
chechenas foram vítimas de execuções sumárias, torturas e maus-tratos pelas tropas 
de ocupação russa.
Além das ações do exército russo, a polícia chechena também foi denunciada 
por torturar civis e combatentes e por incendiar casas de famílias de suspeitos 
de terem ligação com os grupos guerrilheiros. Os próprios ativistas de direitos 
humanos são constantemente ameaçados – alguns sofreram atentados ou foram 
sequestrados e assassinados.
A reação do governo russo a um atentado a uma escola de Beslan (veja o Entre 
aspas) atribuído a rebeldes separatistas chechenos, em 2004, foi reproduzir a estra-
tégia mais criticada entre aquelas adotadas pelo governo dos Estados Unidos após 11 
de setembro: a guerra preventiva. O chefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas 
da Rússia anunciou a intenção do país em lançar ataques preventivos contra bases 
terroristas em qualquer país do mundo.
Em território russo, o ataque em Beslan serviu de pretexto para a tomada 
de medidas autoritárias como: a diminuição das atribuições do parlamento, o 
fortalecimento do executivo representado hoje pelo governo de Vladimir Putin 
e a suspensão da autonomia da unidade da federação e da eleição direta dos 
seus governos. 
Meninas ossetas choram ao visitar a escola tomada pelos terroristas em Beslan, 
em setembro de 2004.
TragŽdia em Beslan
No dia 1
o
 de setembro de 2004, um grupo de 30 terroristas invadiu uma escola em Beslan, na Ossétia 
do Norte. As crianças retornavam às aulas depois das férias. Cerca de 1.200 pessoas foram feitas reféns 
e mantidas sob ameaça: pais, professores, funcionários e alunos.
A ação terrorista foi reivindicada pelo grupo separatista radical checheno Chamil Bassaiev. Seus 
membros exigiam a libertação dos terroristas chechenos presos na Inguchétia, a retirada imediata das 
tropas russas da Chechênia e o fim de suas ações militares nessa república.
A operação de resgate feita pelas tropas russas foi desastrosa e classificada por diversas entidades 
internacionais como criminosa, dada a inabilidade em negociar com os terroristas e a falta de planejamento, 
tendo a própria população participado dos tiroteios e da invasão da escola para resgatar os reféns. No total
335 pessoas foram mortas, sendo 200 delas crianças, e centenas de outras foram feridas.
AXIM MARMUR/AFP
FAÇA AS ATIVIDADES
NO CADERNO.
NÃO ESCREVA 
NESTE LIVRO.
79
Capítulo 3  –  Faces do terrorismo
TS_V3_U1_CAP03_060_081.indd   79
7/10/17   5:24 PM


Brasileiros contam experiência em região tida como “ninho de terroristas”
“Uma das 19 comunas que compõem a Grande 
Bruxelas, Molenbeek-Saint-Jean ocupa lugar de desta-
que nos noticiários internacionais desde os atentados 
terroristas de Paris, em 13 de novembro [de 2015]. [...]
Abdelhamid Abaaoud, apontado como mentor dos 
ataques, era um dos que morava naquela parte da capi-
tal belga, assim como Ibrahim Abdeslam e Bilal Hadfi, 
que se explodiram nos arredores do Stade de France, e 
Salah Abdeslam, irmão de Ibrahim e ainda foragido. [...]
Em uma entrevista concedida dois dias após os 
atentados, o ministro do Interior da Bélgica, Jan 
Jambon, chamou Molenbeek de ‘ninho de terroris-
tas’. No mesmo dia, o primeiro-ministro do país, 
Charles Michel, também falou sobre o local, onde 
moram mais de 90 mil pessoas. ‘Quase sempre há 
um vínculo com Molenbeek. Temos um problema 
gigantesco ali’, afirmou.
Mas para o brasileiro Fernando Torres, que 
vive há 18 anos em Bruxelas e já passou dois deles 
morando em Molenbeek, há exagero. ‘Podia ter sido 
em qualquer outro lugar aqui’ diz [...].
Nos dias em que Bruxelas esteve sob estado de 
alerta máximo, ele relata ter visto muitos militares 
nas ruas e ‘um clima pesado’, mas procurou manter 
sua rotina. Apesar de soldados fortemente armados 
nos vagões de metrô e de um carro blindado na porta 
da creche de seu filho mais novo, de um ano, ele 
garante que não sentiu medo.
‘Não vi uma ameaça real e não acho que iriam 
cometer algum atentado justamente aqui’, diz Torres, 
que afirma continuar se sentindo mais seguro na 
Bélgica do que se estivesse no Brasil.
Ele conta ainda que sua convivência com a comu-
nidade islâmica sempre foi amistosa, e que já chegou 
a ser cumprimentado em árabe quando morava em 
Molenbeek, por pessoas que pensavam que ele era 
marroquino. ‘Não vejo aquele lugar como o tal ninho 
de terroristas que falaram. O problema é que exis-
tem uns fanáticos que distorcem a religião, mas isso 
poderia ter acontecido em qualquer canto’, opina.
Torres diz ainda que percebeu que a população 
estava dividida, nos dias de alerta máximo, entre os 
que se assustaram realmente e os que acreditavam 
que o governo belga estava exagerando e criando um 
clima mais tenso do que o necessário.
Gisele Alves, que mora em Bruxelas há 11 anos, 
concorda em parte com essa avaliação e admite que 
ficou em pânico por alguns dias, mas que foram 
justamente cidadãos belgas que conseguiram tran-
quilizá-la. ‘Os belgas mesmo não estavam com tanto 
medo quanto os imigrantes, eles acharam realmente 
que teve um pouco de exagero’, lembra.
Ela conta que o filho de um de seus patrões foi 
quem mais a acalmou, garantindo que, caso real-
mente existam terroristas em Molenbeek, aquele 
seria o último lugar que eles atacariam. ‘Acho que 
eles iriam mirar alvos sem muçulmanos’, conclui.
Gisele faz serviços de limpeza em diversas comu-
nas, e mora em Berchem-Sainte-Agathe, perto de 
Molenbeek, onde estuda seu sobrinho de dez anos. 
Ela diz que já tentou convencer sua irmã a tirar o 
menino de lá, mas voltou atrás ao reconhecer que a 
escola, onde cerca de 70% dos alunos são muçulma-
nos, é muito boa. Uma vez por semana Gisele vai a 
Molenbeek para buscar o menino após as aulas.
Ela diz que após a captura de envolvidos nos 
atentados de Paris e o decreto do estado de alerta, 
acabou ficando um pouco desconfiada sempre que 
se depara com muçulmanos em locais como o metrô. 
‘Eu sei que não deveria ser assim, mas é automático, 
acho que é uma reação instintiva’, explica, lembrando 
como exemplo o dia em que entrou em um vagão 
quase vazio e viu um jovem muçulmano carregando 
uma mochila. Naquele dia, conta, os outros dois ou 
três passageiros que ali estavam acabaram se sen-
tando todos próximos, longe do rapaz. [...]”
Brasileiros contam experiência em região tida como ‘ninho de terroristas’. 
G1, 10 dez. 2015. 
Disponível em: . Acesso em: dez. 2015.
1.
  No bairro de Molenbeek vivem hoje quase 100 mil pessoas, de mais de 100 nacionalidades, a maior parte 
imigrantes árabes, entre eles uma grande comunidade muçulmana. É um dos bairros mais pobres e mais 
jovens de Bruxelas, com alto nível de desemprego. Considerando essas informações, discuta com seus colegas 
a expressão “ninho de terroristas” usada pelo ministro belga para se referir ao bairro. 
2.
  Quais situações de preconceito foram manifestadas por um dos brasileiros citados no artigo? O comportamento 
é justificado? Como você teria reagido a uma situação idêntica?
80
Unidade 1  |  Etnia, diversidade cultural e confl itos 
TS_V3_U1_CAP03_060_081.indd   80
23/05/16   19:03




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   116   117   118   119   120   121   122   123   ...   520


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal