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Figura 30.
 Homem protesta com 

slogan “Tibet Livre” durante 
uma visita do presidente chinês 
Xi Jinping, em outubro de 2015, 
em Londres (Inglaterra).
BEN PRUCHNIE/GETTY IMAGES
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Capítulo 2  –  Conflitos étnico-nacionalistas e separatismo 
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O diário de Zlata
Quinta-feira, 18 de junho de 1992
Dear Mimmy,
Outra notícia péssima hoje. Nossa casa de campo 
em Crnotina, nossa torre de quase cento e cinquenta 
anos, queimou. Desapareceu no meio das chamas 
exatamente como o correio. Eu gostava tanto daquela 
casa! No ano passado passamos férias lá. Eu adorava 
ir para lá, me divertia muito. Como eu ficava feliz 
quando íamos para lá. E a restauração estava tão bem-
-feita: móveis novos, tapetes novos, janelas novas. 
Havíamos posto nela todo o nosso amor, todo o 
nosso calor, e ela nos recompensava com sua beleza. 
Ela havia atravessado tantos anos, tantas guerras, e 
agora… não resta mais nada. Queimou de alto a baixo. 
Ziga Meho e Becir, vizinhos nossos, morreram. E 
isso é ainda mais triste. A casa de Vildana também 
queimou. Todas as casas estão queimando. Morre um 
montão de gente. São notícias terrivelmente tristes.
Busco a razão disso tudo. Por quê? Quem é o res-
ponsável? Procuro, mas não encontro. Só o que sei é 
que estamos nos enterrando na desgraça. E também 
que a responsável por tudo isso é a política. Eu disse 
antes que a política não me interessava, mas para 
encontrar a resposta a minhas perguntas seria neces-
sário, apesar de tudo, que eu entendesse um pouco 
de política. Adivinho algumas coisas, mas muitas 
outras algum dia vou aprender e compreender. Papai 
e mamãe nunca me falam de política. Sem dúvida eles 
acham que ainda sou muito pequena, ou então eles 
também não entendem nada. Eles só me dizem: ‘Um 
dia isso acaba – um dia isso deve terminar’.
Domingo, 15 de novembro de 1992
Dear Mimmy,
É terrível o número de pessoas que foram embora 
de Sarajevo. Todas as pessoas famosas. ‘É Sarajevo 
que está indo embora’, disse mamãe. E um monte de 
gente que papai e mamãe conheciam. Falamos com 
muitas dessas pessoas e na hora de ir embora elas 
disseram: ‘Com certeza um dia a gente se encontra de 
novo em algum lugar’. Foi triste. Triste e comovente. 
Esse dia 14 de novembro em Sarajevo vai ficar na 
memória. Me lembra os filmes que vi sobre os judeus 
durante a Segunda Guerra Mundial.
Quando voltamos para casa, a eletricidade tinha 
sido ligada. Papai desceu imediatamente para o 
porão com a serra elétrica para cortar lenha. De 
repente vimos ele subir as escadas correndo, com 
as mãos cheias de sangue. Era muito sangue que 
escorria. Mamãe foi com ele na hora para o centro 
de atendimento e de lá eles tiveram que ir para o 
hospital. No hospital costuraram o corte e aplica-
ram uma injeção antitetânica, agora ele vai ter que 
passar no hospital de três em três dias para ver 
como a coisa evolui. Teve sorte. Podia ter cortado o 
dedo fora. Um momento de distração, disse, porque 
mentalmente ele continuava na frente do prédio da 
Comunidade Judaica, de onde saem as pessoas que 
vão embora de Sarajevo. Os conhecidos vão embora 
e nossa cidade está perdendo um monte de gente 
fantástica, gente que fez de Sarajevo o que ela era. É 
a guerra que as expulsa, é a burrice que existe aqui 
há mais de sete meses e meio.”
FILIPOVIC, Zlata. O diário de Zlata: a vida de uma menina na guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 67-68.

  Zlata, uma menina residente em Sarajevo, começou a escre-
ver o seu diário (ao qual deu o nome de Mimmy) em 1991, 
quando tinha 11 anos de idade. Nele, registrou episódios da 
Guerra da Bósnia entre os anos de 1992 e 1993, relatando 
o cotidiano e as tensões geradas pelo conflito. 
  De que forma você explicaria as questões levantadas por ela 
em seu diário: “Busco a razão disso tudo. Por quê? Quem 
é o responsável?”?
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ANHIA DAS LETRAS
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Unidade 1  |  Etnia, diversidade cultural e confl itos 
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1.
  Leia o trecho do artigo publicado em julho de 2011, 
no jornal Folha de S.Paulo.
 
“Sob o olhar preocupado da comunidade internacio-
nal, nasce hoje o 193
o
 país do mundo. 
 
Devastado por décadas de guerras civis, […] parti-
lhará com Somália e Afeganistão os piores indicado-
res sociais do planeta. 
 
‘É um momento histórico, mas os desafios são gigan-
tescos’, afirma Erwin van der Borght, diretor da Anis-
tia Internacional para África. 
 
O país é o lugar no mundo onde mais morrem grávidas 
e recém-nascidos, e 90% das mulheres são analfabetas.”
MONTENEGRO, Carolina. Folha de S.Paulo, 9 de jul. 2011. p. A20.
a)
  A qual país o texto faz referência?
b)
  Qual o principal recurso econômico e problema que o 
novo país enfrenta para a sua viabilização econômica?


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