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parte de sangue negro – é negro. Por pequena que 
seja a gota de sangue negro no indivíduo, polui-
-se a nobre linfa ariana, e o portador da mistura é 
‘declarado negro’. E os mestiços aceitam a defini-
ção e – meiões, quarteirões, octorões – se dizem 
altivamente ‘negros’, quando isso não é verdade. 
Ao se afirmar ‘negro’, o mestiço faz bonito, pois 
assume no total a cor que o branco despreza. Mas 
ao mesmo tempo está assumindo também o pre-
conceito do branco contra o mestiço. Vira racista
porque, dizendo-se negro, renega a sua condição 
de mulato, mestiço, half-breed, meia casta, marabá, 
desprezados pela branquidade. Aliás, é geral no 
mundo a noção exacerbada de raça, que não afeta 
só os brancos, mas os amarelos, vermelhos, negros; 
todos desprezam o meia casta, exemplo vivo da 
infração à lei tribal.
Eu acho que um povo mestiço, como nós, deve-
ria assumir tranquilamente essa sua condição de 
mestiço; em vez de se dizer negro por bravata, 
por desafio – o que é bonito, sinal de orgulho, 
mas sinal de preconceito também. Os campeões 
nossos da negritude, todos eles, se dizem simples-
mente negros.
Acham feio, quem sabe até humilhante, se 
declararem mestiços, ou meio brancos, como na 
verdade o são. ‘Black is beautiful’ eu também acho. 
Mas mulato é lindo também, seja qual for a dose 
da sua mistura de raça. Houve um tempo, antes 
de se desenvolver no mundo a reação antirracista, 
em que até se fazia aqui no Rio o concurso ‘rai-
nha das mulatas’. Mas a distinção só valia para a 
mulata jovem e bela. Preconceito também e dos 
péssimos, pois a mulata só era valorizada como 
objeto sexual, capaz de satisfazer a consciência 
dos homens.
A gente não pode se deixar cair nessa armadilha 
dos brancos. A gente tem de assumir a nossa mula-
taria. Qual brasileiro pode jurar que tem sangue 
‘puro’ nas veias – branco, negro, árabe, japonês?
Vejam a lição de Gilberto Freyre, tão bonita. 
Nós todos somos mestiços, mulatos, morenos, 
em dosagens várias. Os casos de branco puro 
são exceção (como os de índios puros – tais os 
remanescentes de tribos que certos antropólogos 
querem manter isolados, geneticamente puros – 
fósseis vivos – para eles estudarem...). Não vale 
indagar se a nossa avó chegou aqui de caravela ou 
de navio negreiro, se nasceu em taba de índio ou 
na casa-grande.
A crônica de Rachel de 
Queiroz aqui reproduzida 
leva a uma reflexão sobre 
a questão étnica no Brasil. 
Pode ser utilizada como 
sensibilização para o 
trabalho com o Cap’tulo 1.
ao estudo do meio físico-biótico é comum esse 
recurso de articulação de escalas (do perfil do 
solo ao modelado do relevo; da estrutura e com-
posição da vegetação à fisionomia da mesma, do 
sistema encosta ou canal à bacia hidrográfica etc.). 
No entanto, quando se pretende ensinar Geogra-
fia, não se deve fragmentar a realidade, e esses 
aspectos devem se associar aos aspectos sociais 
na explicação da realidade.
Por fim, destacamos ainda que a implemen-
tação de estações de monitoramento de campo 
sobre fenômenos operantes na superfície terrestre 
e que interessam à produção do espaço geográfico, 
que como apontado anteriormente se configura 
numa importante ferramenta de acompanhamento 
das transformações socioambientais, tem também 
forte implicação para o ensino da Geografia. Em 
nosso entendimento, a visita de campo nessas 
estações de monitoramento, que produzem dados 
sobre a realidade e suas transformações, pode ser-
vir para articular as teorias às práticas de campo 
voltadas ao ensino da Geografia.”
ALENTEJANO, Paulo R. R.; ROCHA-LEÃO, Otávio M. Trabalho de campo: uma ferramenta  
essencial para os geógrafos ou um instrumento banalizado? In: Boletim Paulista de Geografia:  
trabalho de campo. São Paulo: AGB, jul. 2006. p. 62-64.


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