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Figura 1.
 Mulher muçulmana du-
rante manifestação na França, 
em 2011, em protesto contra a 
polêmica lei proibindo o uso de 
vestimentas islâmicas que cobrem 
todo o corpo em espaços públicos, 
como a burca (traje que cobre o 
corpo inteiro, inclusive o rosto, e 
possui uma tela por onde se pode 
ver) e o niqab (traje que deixa ape-
nas os olhos descobertos, como o 
da mulher da imagem).
ALAIN JOCARD/AFP
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Capítulo 1  –  Etnia e modernidade 
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Arte • História
Progresso americano
A obra 
Progresso americano, pintura da década de 1870 do artista berlinense John Gast (1842-1896), 
glorifica a conquista do oeste dos Estados Unidos. No centro, destaca-se a figura de Columbia, a perso-
nificação feminina dos Estados Unidos, que comanda o processo civilizatório. No canto esquerdo da tela, 
indígenas e animais selvagens são afugentados.
A obra é uma apologia à doutrina do Destino Manifesto, inspirada no Darwinismo social. Segundo o 
Destino Manifesto, o povo dos Estados Unidos tinha a missão de conquistar as terras situadas a oeste 
do seu território, habitadas por povos selvagens, torná-las produtivas e civilizadas, para justificar a 
sua expansão territorial.

 Quais elementos da obra representam a implementação do processo civilizatório?
Progresso americano (1872), 
óleo sobre tela de John Gast.
EVOLUCIONISMO
No século XIX, a concepção antropológica dominante apoiava-se no evolucio-
nismo cultural. A Antropologia Evolucionista transpôs para a sociedade as ideias do 
cientista britânico Charles Darwin (1809-1882) sobre a evolução das espécies e a 
seleção natural. Por essa razão ficou conhecida como darwinismo social e estabelecia 
que as diferentes sociedades passariam por diversos estágios de evolução, indo do 
“primitivo” ao “civilizado”. Assim, as sociedades ocidentais europeia e estadunidense 
teriam atingido o estágio “civilizado”, enquanto os diversos povos da África, da América 
Latina, da Ásia e da Oceania estariam no estágio “primitivo”. Essa teoria serviu para 
justificar o colonialismo e as conquistas territoriais como um processo civilizatório; 
serviu para levar as conquistas da civilização aos povos que eles consideravam inca-
pazes de desenvolvê-las por si mesmos.
Antropológico
Relativo à Antropologia, ciência 
que se ocupa do estudo e da 
refl exão sobre o ser humano, 
com base nas características 
biológicas (Antropologia 
Biológica) e socioculturais 
(Antropologia Cultural) dos 
diversos grupos humanos, 
dando ênfase às diferenças e 
variações entre esses grupos.
MUSEU AUTR
Y DO OESTE AMERICANO, LOS ANGELES (EST
ADOS UNIDOS
)
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Unidade 1  |  Etnia, diversidade cultural e confl itos 
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Já no início do século XX, novas concepções antropológicas contrapuseram-se ao 
evolucionismo, tais como a do alemão Franz Boas (1858-1942), primeiro a ressaltar a 
importância do estudo das diversas culturas em seu próprio contexto. Boas defendia 
não haver cultura superior ou inferior nem valores culturais universais. Para ele, deve-
riam ser considerados os fatores históricos, naturais e linguísticos que influenciavam 
o desenvolvimento de cada cultura. Essa abordagem mais imparcial, ficou conhecida 
como 
relativismo cultural e defendia que os valores de uma cultura não poderiam
portanto, ser avaliados com a referência dos valores de quem a julga.
Sociologia
Cultura ou civilização
“Nas transformações da ideia de cultura durante 
os séculos XVIII e XIX, a discussão sobre cultura 
surgiu associada a uma tentativa de distinguir entre 
aspectos materiais e não materiais da vida social, 
entre a matéria e o espírito de uma sociedade. Até 
que o uso moderno de cultura se sedimentasse, 
cultura competiu com a ideia de civilização, muito 
embora seus conteúdos fossem frequentemente 
trocados. Assim, ora civilização, ora cultura ser-
viam para significar os aspectos materiais da vida 
social, o mesmo ocorrendo com o universo de 
ideias, concepções, crenças.
Com o passar do tempo, cultura e civilização 
ficaram quase sinônimas, se bem que usualmente 
se reserve civilização para fazer referência a socie-
dades poderosas, de longa tradição histórica e 
grande âmbito de influência. Além do mais, usa-
-se cultura para falar não apenas em sociedades, 
mas também em grupos no seu interior, o que não 
ocorre com civilização.”
SANTOS, José Luiz dos. 
O que é cultura. São Paulo: Brasiliense, 2007. p. 35-36. (Col. Primeiros Passos). 


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