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Ratzel versus La Blache
Para Ratzel, o ser humano é essencialmente 
dependente da natureza
2
 e as sociedades são mode-
ladas de acordo com as condições naturais de seu 
meio
3
. Por isso, ele foi considerado um determinista 
ambiental, embora nunca tivesse defendido que as 
condições naturais fossem por si só determinantes 
dos modos de vida e de formação das sociedades 
humanas. Em seus estudos, observou o grau de 
desenvolvimento dos grupos humanos, seu esforço 
e a maneira como exploravam a natureza. 
1 ROCHA, G. O. R. A trajetória da disciplina Geografia no currículo escolar 
brasileiro (1837-1942). São Paulo: Pontifícia Universidade Católica, 1996. 
p. 247 (Tese de mestrado).
2 RATZEL, F. Völkerkunde. Leipzig/Viena: Bibliographisches Institut, 1894. t. 
1. p. 100-106.
3 “Le sol, la société et l’État”, L’Année Sociologique, 1898-1899, 1900. p. 3-4.
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La Blache e a Escola Francesa opunham-se ao 
pensamento de Ratzel, especialmente em relação ao 
determinismo ambiental. Para La Blache, a natureza 
não é determinante das condições sociais, econômicas 
e tecnológicas de um povo, sendo o ser humano capaz 
de intervir na natureza, alterando-a, e de enfrentar e 
vencer os obstáculos que ela impõe em determinadas 
regiões (altitude, aridez, pobreza do solo, entre outros). 
A extensa obra de La Blache, no entanto, não men-
ciona os núcleos urbanos, à época já bastante amplia-
dos, e a indústria, já com forte presença na paisagem. 
Para La Blache, a natureza fornece possibilidades de 
transformação das paisagens e de evolução dos seres 
humanos, de maneira que o modo de vida de cada 
sociedade resulta do conjunto das técnicas, hábitos 
e organismos sociais que tornam possível o uso dos 
recursos naturais, e não das condições oferecidas pelo 
ambiente. Embora os seres humanos sejam influencia-
dos pelo meio ambiente que os cerca, é sua racionali-
dade que lhes dá condições de modificar e adaptar o 
meio a fim de satisfazer suas necessidades. Essas são 
as bases da Teoria Possibilista, como ficou conhecida.
É importante pontuar que as explicações objetivas 
e quantitativas da realidade, dadas nos estudos da 
Escola Francesa, obedeciam à tese da neutralidade 
do discurso científico. Furtavam-se, portanto, de qual-
quer abordagem política da realidade. 
A Geografia ganhou lugar no espaço acadêmico 
brasileiro em 1934, com a criação da Universidade 
de São Paulo (USP), e seus docentes eram forte-
mente influenciados pela Escola Francesa. O ensino 
nas escolas públicas, por sua vez, apoiava-se em 
livros didáticos voltados ao estudo das regiões, que, 
segundo La Blache, explicavam-se por si mesmas.
A predominância do pensamento positivista no Bra-
sil, especialmente da tendência encabeçada por essa 
escola, permaneceria ainda por muito tempo, até ser 
superada, na década de 1970, num cenário de pro-
fundas mudanças conjunturais no Brasil e no mundo.


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