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língua portuguesa 
Nordeste
O piauiense Hermes Vieira (1911-2000) foi um poeta indianista e folclorista que escrevia sobre a beleza 
e os costumes cotidianos do homem do campo
 nordestino. Leia um trecho de um de seus poemas.
“[…] 
Meu Nordeste das moagens 
Nos engenhos de madeira
Dos açudes, das barragens, 
Da lavoura rotineira, 
Das desmanchas de mandioca
Do foguete de taboca 
Irmão gêmeo da ronqueira.
Meu Nordeste onde os velórios 
São rezados no sertão, 
E improvisam-se os casórios 
(Sem juiz, sem capelão), 
Os padrinhos e os compadres, 
As madrinhas e as comadres,
Na fogueira de São João. [...]
Meu Nordeste em rede armada 
(De algodão ou de tucum), 
Aguardando a maxixada 
Com quiabo e jerimum, 
Mel, canjica e milho assado
Feijão-verde e arroz torrado, 
Na semana de jejum. 
Meu Nordeste a boi de carro... 
Carro de boi do Nordeste, 
Tosco, humilde, simples charro,
Submisso e a nada investe, 
Que, arrastando estrada afora, 
Range, grita, canta e chora 
Ajaujado à canga agreste. [...]”
VIEIRA, Hermes. “Nordeste”. Poemas Nordeste
Disponível em: . Acesso em: dez. 2015.


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