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geopolítica do Brasil: 
a construção da 
soberania nacional
De Edu Silvestre de 
Albuquerque. Atual, 
2006 (Coleção Geografia 
sem fronteiras).
Aborda questões relativas ao 
território brasileiro (recursos 
naturais e agrícolas) e às 
relações internacionais 
(políticas e econômicas).
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unidade 4  |  Brasil: perspectivas e regionalização 
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Veja, nas tabelas abaixo, dados sobre os 10 maiores importadores e exportadores 
no comércio exterior brasileiro.
Principais países compradores – 2015
Posição
País
Valor 
(em milhões 
de dólares)
Participação 
(em %)
1
China
35.607
18,6
2
Estados Unidos
24.080
12,6
3
Argentina
12.800
 
6,7
4
Países Baixos
10.044
 
5,3
5
Alemanha 
 
5.178
 
2,5
6
Japão
 
4.844
 
3,5
7
Chile
 
5.441
 
2,1
8
Índia
 
3.617
 
2,1
9
México
 
3.588
 
1,9
10
Itália
 
3.270
 
1,7
Principais países fornecedores – 2015
Posição
País
Valor 
(em milhões 
de dólares)
Participação 
(em %)
1
China
30.719
18,0
2
Estados Unidos
26.471
15,4
3
Alemanha 
10.379
 
6,0
4
Argentina
10.284
 
6,0
5
Coreia do Sul
 
5.420
 
3,1
6
Japão 
 
4.877
 
2,8
7
Itália
 
4.675
 
2,7
8
Nigéria
 
4.633
 
2,7
9
França
 
4.457
 
2,6
10
México
 
4.377
 
2,5
Fonte: Ministério do Desenvolvimento. 
Balança Comercial Brasileira: dados 
consolidados 2015. Disponível em: 

Acesso em: mar. 2016.
NÃO ESCREVA
NESTE LIVRO.
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Capítulo 10  –  Brasil no século XXI e regionalização do território 
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ampliação das relações internaCionais
No âmbito das relações internacionais brasileiras no mundo contemporâneo, 
é importante ainda salientar que o Brasil procurou, particularmente na primeira 
década deste século, estreitar vínculos diplomáticos com os países africanos e do 
Oriente Médio. Prova disso foi a ampliação do número de embaixadas, consulados 
e escritórios de representação em países dessas regiões.
Alguns países africanos, apesar dos elevados índices de pobreza e indicadores 
sociais ruins, têm apresentado um boom de crescimento econômico, aliado a uma 
maior estabilidade política e institucional. Nesse cenário, torna-se relevante desen-
volver projetos de intensificação comercial e política com esses países.
Os países africanos que acumulassem divisas com as exportações de commodities 
poderiam investir mais em transporte, energia e telecomunicações. Isso se configuraria 
numa oportunidade de negócios para o Brasil, que tem grandes grupos empresariais 
nos setores de construção civil, de energia e mineração. No entanto, em meados 
da década de 2010, diversas das grandes empresas brasileiras estavam envolvidas 
nos casos de corrupção e isso havia reduzido o potencial de expansão de negócios 
pela impossibilidade de obter canais de financiamento, tendo algumas, em razão das 
dificuldades financeiras, de passar por recuperação judicial.
No caso dos países latino-americanos, as investidas diplomáticas foram amplas 
− desde os acordos para criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do 
Banco do Sul, oficializado em 2009, até o financiamento de obras de infraestrutura pelo 
BNDES em diversos países da América do Sul e Central, com a construção de usinas 
hidrelétricas (figura 3) e outras obras de infraestrutura −, assegurando a posição do 
Brasil como principal potência regional.
 Colaborou também com o reforço do papel do 
Brasil o fato de o país não ter apoiado o projeto da Área de Livre Comércio das Américas 
(Alca), empreendimento fracassado dos Estados Unidos na década de 1990.
Outro fato que reafirma seus estreitamentos maiores com a América Latina é o 
comando brasileiro, desde 2004, das missões de paz no Haiti, um dos países mais 
pobres do continente americano. Essas missões de paz fazem parte de um conjunto 
de atitudes tomadas pelo Brasil em âmbito internacional, na tentativa de conquistar 
assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e reafirmar sua liderança 
regional na América Latina. O Brasil também colaborou para a reconstrução do Haiti 
após o terremoto de 2010.
Se necessário, retome os temas 
relativos à integração regional na 
América do Sul, analisados na Uni-
dade 2 do Volume 2. 
Figura 3. 
Protesto de grupos 
indígenas peruanos contra a 
construção da Usina Hidrelé-
trica Inambari (Peru) – que será 
realizada em parceria com con-
sórcios de empresas brasileiras 
para atender às necessidades 
energéticas dos dois países – em 
Lima (Peru), 2010.
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R
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Unidade 4  |  Brasil: perspectivas e regionaliza•‹o 
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O governo e empresas do Brasil, entretanto, tiveram que conviver com vários pro-
blemas decorrentes de suas atuações nos países latino-americanos entre a primeira 
década e meados da segunda década deste século, como:
•  protestos de comunidades indígenas peruanas contra a construção da Usina de 
Inambari em parceria do Brasil com o Peru (como você viu na página anterior);
•  nacionalização das instalações da Petrobras na Bolívia em 2006 pelo governo 
Evo Morales;
•  expulsão de uma grande construtora do Equador sob a alegação de superfa-
turamento de obras, em 2015;
•  retirada da Petroleos da Venezuela S.A. (PDVSA), sócia da Petrobras no 
empreendimento da construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco;
•  barreiras comerciais por parte da Argentina, impactando as exportações bra-
sileiras para o país;
•  conflitos entre fazendeiros brasiguaios e sem-terra paraguaios.
potenCialidades e desaFios internos 
Na seção Contexto, você discutiu a respeito das potencialidades e dos desafios do 
Brasil neste início de século XXI, após o final de sua primeira década. A partir disso, 
deve ter constatado que ambos são múltiplos e enormes. Em meados da década 
de 2010, como você viu, o grande desafio era justamente a superação da grave 
crise que atingia o país, provocando grande estagnação na economia e elevação 
dos índices de desemprego.
Após duas décadas de regime ditatorial (entre 1964 e 1985), o Brasil passou a 
contar com eleições regulares nas diversas esferas (federal, estadual e municipal) e a 
conviver com a pluralidade de correntes ideológicas e diversos partidos políticos (figura 
4). A Constituição de 1988 estabeleceu que o número de senadores para cada estado 
seria três, independentemente da população. Isso gera grande distorção na represen-
tatividade, uma vez que o estado de São Paulo, com cerca de 44.700.000 habitantes, 
e Roraima, com cerca de 510 mil, estão com a mesma representação. No caso dos 
deputados federais, devem ser no mínimo oito e no máximo setenta deputados. Entre 
essas quantidades, a definição está condicionada à população de cada estado.
Não obstante, o país não superou o problema da corrup•ão, que limita a possibi-
lidade de ampliação dos investimentos na área social e na infraestrutura do território. 
Leia a seção Leitura e discussão a seguir.
Figura 4.
 Mulher vota em urna 
eletrônica no Rio de Janeiro 
(RJ), 2014. 
LUCIAN
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Capítulo 10  –  Brasil no século XXI e regionalização do território 
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Corrupção
“Desde o início da Operação Lava Jato, em 
março de 2014, a corrupção voltou a dominar o 
debate político no Brasil. […]
Apesar de a maioria das pessoas relacionar 
a corrupção às ações dos diversos governos em 
nível federal, estadual e municipal, não estamos 
falando de um mal restrito à esfera pública. Mui-
tos estudos apontam que a corrupção no âmbito 
governamental é uma extensão dos maus hábitos 
da população – afinal, os políticos saem do corpo 
da sociedade. […]
Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas 
Gerais e do Instituto Vox Populi revelou que 23% 
dos brasileiros acham que dar dinheiro ao guarda 
para evitar a multa não é um ato corrupto. Isso pode 
ser um demonstrativo de como a cultura do ‘jeitinho 
brasileiro’, em que ações como falsificar carteira 
de estudante, comprar diploma falso ou ‘roubar’ o 
sinal da TV a cabo, não é percebida como corrup-
ção. Muitos, inclusive, não consideram que o ato de 
sonegar impostos tenha relação com a corrupção.
Na verdade, quem pratica esses pequenos atos 
de corrupção está cuidando apenas de seu interesse 
pessoal sobre as regras sociais vigentes. Ou seja, 
pratica individualmente o conceito de levar alguma 
vantagem mesmo que isso cause um prejuízo à 
sociedade. É nesse ponto que os comportamen-
tos dos desvios cotidianos e das corrupções de 
grande montante público se encontram: interesses 
privados de alguns indivíduos se sobrepõem aos 
interesses públicos e gerais da sociedade. ‘Aceitar 
essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes 
corrupções’, afirma o promotor Jairo Cruz Moreira, 
coordenador da campanha ‘O que você tem a ver 
com a corrupção?’, do Ministério Público.
Além da corrupção na esfera pública, é impor-
tante destacar que ela existe também no mundo 
privado. É comum que funcionários responsáveis 
por compras e contratações das empresas recebam 
dinheiro e presentes para beneficiar uma determi-
nada companhia num processo de concorrência, 
em prejuízo do próprio local onde trabalha. […]
O primeiro passo para a construção de uma 
sociedade menos corrupta e mais justa é priorizar 
o interesse da coletividade em relação aos benefícios 
pessoais. Mas em uma sociedade em que o vale-tudo 
do individualismo é cada vez mais forte, fica mais 
fácil culpar os políticos por todos os males do país.”
SASAKI, Fábio. Corrupção: entenda por que ela não é exclusividade dos governantes. Guia do Estudante, 25 fev. 2016. 
Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.


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