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Figura 16.
 Galpão de antiga gráfica é utilizado como abrigo e 
centro de registro de refugiados em Frankfurt (Alemanha), 2015.
KAI PF
AFFEnBACh/REUTERS/LA
TInSTOCK
SOnIA v
Az
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unidade 3  |  espaço, sociedade e economia 
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Estados devem restringir a entrada de imigrantes por motivos econômicos?
SIM – Argumentos econômicos e pragmáticos contra abertura das fronteiras
“De uma perspectiva econômica, a migração 
internacional de trabalhadores cria ganhadores e 
perdedores, pelo menos no curto prazo. Os maio-
res beneficiários da migração de trabalhadores 
são os migrantes e seus empregadores no país 
que os acolhe. Os perdedores são os trabalhadores 
residentes (incluindo os migrantes já existentes) 
que estão competindo com novos migrantes no 
mercado de trabalho.
O emprego no exterior permite que os migran-
tes ganhem salários muito mais altos do que eles 
conseguiriam obter nos seus próprios países. Por 
essa razão, liberar a migração [de trabalhadores] 
pouco qualificados para países de maior renda 
poderia levar facilmente a maiores ganhos em 
renda e desenvolvimento humano. O Banco Mun-
dial, por exemplo, acredita que uma maior migra-
ção internacional laboral é uma das maneiras mais 
eficientes de aumentar a renda dos trabalhadores 
em países de baixa renda.
Empregadores se beneficiam da migração 
porque ela permite que eles tenham um leque 
maior de trabalhadores para contratar, que são 
mais bem qualificados que os residentes e/ou 
aceitam trabalhar recebendo salários menores. 
Os migrantes geralmente aceitam trabalhar por 
salários e em condições que são inaceitáveis para 
os trabalhadores residentes, portanto, a migração 
reduz a necessidade de os empregadores aumen-
tarem os salários e melhorarem as condições de 
trabalho, especialmente em ocupações de baixo 
nível técnico.
Mas o que é melhor para os empregadores não é 
sempre o melhor para a economia do país como um 
todo. No curto prazo, a migração pode pressionar 
os salários e as perspectivas de emprego dos traba-
lhadores residentes que têm nível de qualificação 
semelhante ao dos migrantes e têm de competir 
com os migrantes por empregos.
Então, deveriam os países restringir a migração 
de trabalhadores? Essa é uma questão normativa 
que não tem resposta correta. Tudo depende dos 
interesses que você tem em mente. Empregado-
res em países de alta renda e trabalhadores de 
baixa qualificação em países de baixa renda se 
beneficiariam muito de haver menos restrições, ou 
nenhuma restrição. Mas os trabalhadores residen-
tes nos países de maior renda seriam prejudicados, 
uma vez que seus salários e condições de trabalho 
não seriam mais protegidos da competição global.
O meu próprio ponto de partida para essa ava-
liação é ‘cosmopolita’, no sentido de que eu acre-
dito que as políticas de imigração deveriam levar 
em conta os interesses dos migrantes e dos países 
que os enviam, em vez de serem apenas baseadas 
nos interesses dos cidadãos do país acolhedor. Mas 
eu também tenho uma ‘abordagem pragmática’ 
que aceita algumas realidades, incluindo a neces-
sidade dos países desenharem suas políticas de tal 
forma que deem pelo menos alguma prioridade 
aos interesses dos cidadãos (ou, pelo menos, dos 
residentes existentes), em relação às pessoas de 
outros países.
Eu sou contra fronteiras abertas por causa de 
seus efeitos adversos sobre os trabalhadores de 
baixa renda nos países de alta renda, o que poderia
por sua vez, levar a um retrocesso social e político. 
Entretanto, eu sou a favor de aumentar signifi-
cantemente a migração de trabalhadores de baixa 
qualificação de países de baixa renda para países 
de alta renda por meio de programas cuidadosa-
mente administrados de migração, que admitam 
os migrantes em setores e ocupações específicas 
e por um período de tempo limitado.”
RUHS, Martin. Argumentos econômicos e pragmáticos contra abertura das fronteiras. Opera Mundi, 24 jan. 2014. 
Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
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capítulo 8  –  Povos em movimento 
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NÃO – Migrar é um direito humano
“Uma política migratória restritiva gera clan-
destinidades em cascata. Quanto mais o Estado 
dificulta a entrada regular de migrantes, mais ele 
favorece as redes de tráfico de pessoas e dá lugar 
à corrupção. Os muros, físicos ou jurídicos, é que 
fazem os ‘coiotes’ – modo pelo qual são chamados 
os “passadores” de seres humanos, que organizam 
o cruzamento ilegal das fronteiras.
Como o migrante considerado irregular dificil-
mente obtém um emprego formal, sua vulnerabili-
dade é vertiginosamente multiplicada. O acesso aos 
serviços do Estado e aos programas sociais é inexis-
tente ou muito limitado. À margem da sociedade
os migrantes chamados de ‘sem documentos’ são 
alvo de toda sorte de discriminação. Quando só lhes 
resta a assistência motivada pela caridade, veem-se 
paulatinamente destituídos de sua dignidade.
As políticas migratórias restritivas servem, 
então, para favorecer o crime organizado e a exclu-
são social. Porém, elas não cumprem seu suposto 
objetivo principal: restringir o fluxo de pessoas. [...]
Dados da ONU (Organização das Nações Uni-
das) revelam que em 1995, 100 milhões de pessoas 
viviam fora do país em que nasceram – na época, 
cerca de 1,8% da população total do planeta. Em 
2013, esta cifra elevou-se a cerca de 232 milhões de 
pessoas, alcançando em torno de 3% da população 
mundial. Logo, estima-se que um em cada 33 seres 
humanos vive, hoje, fora do país em que nasceu.
Por vezes, isto ocorre porque as condições de 
vida nos locais de origem são insuportáveis, especial-
mente nas regiões onde ocorrem conflitos armados.
De regra, [...] migrar, com todos os riscos que 
isto implica, explica-se simplesmente porque a 
busca de felicidade é inerente ao ser humano. E 
felicidade, atualmente, para a maioria da população 
mundial, significa apenas ter um emprego.
Os números da pobreza no mundo explicam 
este fenômeno. [...]
Cresce, então, a importância do artigo XIII.2 
da Declaração Universal dos Direitos Humanos: 
‘toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, 
inclusive o próprio, e a este regressar’. E também 
da Convenção Internacional sobre a Proteção dos 
Direitos de todos os Trabalhadores Migrantes e de 
seus Familiares, de 1990, que reconhece os direitos 
fundamentais de todos, em situação migratória 
regular ou não.
Neste ponto, fica evidente a maior contradição 
da globalização econômica. Enquanto o turismo e 
o comércio são priorizados entusiasticamente, o 
fluxo migratório é visto com desconfiança. Nunca 
foi tão fácil sair de um país, mas nunca foi tão difícil 
estabelecer-se regularmente em outro.
A opção por uma política migratória acolhe-
dora, que impõe obrigações e reconhece direitos, 
permite que o migrante contribua ao desenvolvi-
mento econômico e cultural do país que o recebe. 
É, em síntese, um duro golpe contra a pobreza e a 
corrupção, e um adeus aos ‘coiotes’.”
VENTURA, Deisy. Migrar é um direito humano. Opera Mundi, 24 jan. 2014. 
Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.


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