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Fonte: ONU. The Millennium 
Development Goals Report 2015. p. 4. 
Disponível em: .  
Acesso em: mar. 2016.
Figura 17.
 Pedinte em dia chu-
voso em rua de Munique (Ale-
manha), 2016.
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Capítulo 7  –  Sociedade e economia 
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dISTrIBuIção da rEnda
Quando o crescimento da população é maior que a produção de riqueza, a renda 
média da população (renda per capita) tende a diminuir. No entanto, a questão da 
renda deve ser analisada considerando a forma como a riqueza produzida é distribuída 
entre os diversos grupos sociais. 
É a análise da distribuição de renda que permite avaliar as diferenças sociais e 
quantificar a pobreza e o grau de justiça social de uma sociedade. Nesse sentido, a 
concepção de pobreza é relativa. É preciso avaliar os padrões de cada sociedade e 
as diferenças entre os indivíduos que dela participam. Quanto mais acentuada é a 
distância entre as classes sociais, maior a pobreza geral da sociedade. 
Na primeira década do século XXI, ocorreu uma melhoria na renda de uma parcela 
significativa da população brasileira. Milhões de brasileiros migraram das classes
9
 
pobres e extremamente pobres, classificadas como D e E, para integrarem a classe C 
(com capacidade de consumo além dos produtos básicos de subsistência). Esses 
dados refletem um período de crescimento econômico e de adoção de políticas sociais 
que promoveram transformações na sociedade brasileira. 
A melhora das condições de vida de parcela significativa da população promoveu a 
ampliação da capacidade do consumo e, consequentemente, a expansão do mercado 
interno e das atividades produtivas. Contribuíram para o avanço na distribuição de 
renda no Brasil a redução do desemprego, o aumento da formalização da mão de obra, 
a valorização do salário mínimo e os programas voltados à população em situação de 
extrema pobreza, como o Fome zero e o Bolsa Família
10
, entre outros. leia o Entre aspas.
O coeficiente de Gini
O coeficiente de Gini, ou 
índice de Gini, é um parâme-
tro estatístico para medir as 
desigualdades existentes em 
um país, estado ou município, 
como a desigualdade na dis-
tribuição de renda. Ele é indi-
cado por um número de 0 a 1, 
onde 0 corresponde à igual-
dade perfeita, em que todos 
têm a mesma renda; e 1, à 
desigualdade plena, em que 
uma única pessoa fica com 
toda a renda e o restante nada 
recebe. Portanto, quanto mais 
próximo de zero for o índice de 
Gini de uma sociedade, menos 
desigual ela é. 
Brasil: índice de gini da distribuição do rendimento médio mensal de todas as fontes 
de renda – 2001-2014
20
0,50
0
0,55
0,60
01
2014
2002
2003
2004
2005
2006
2008
2010
2007
2009
2011
2012
2013
0,45
0,40
0,569
0,569
0,560
0,548
0,555
0,545
0,531
0,526
0,521
0,505
0,504
0,501
0,497
*Em 2010 não houve Pnad.
Fonte: IBGE. Pnad: síntese de indicadores 2014. p. 76. Disponível em:  .  
Acesso em: fev. 2016.
•  Papel do Estado
A distribuição da renda não pode ser analisada apenas a partir do valor monetário 
dos salários e dos lucros. Em alguns países desenvolvidos, após a Segunda guerra, 
9 A classificação por classes, no texto, segue o conceito atribuído ao mercado, cujos critérios principais estão apoiados 
na renda e no acesso aos bens de consumo. Essa classificação é estipulada pela Abep (Associação Brasileira de 
Empresas de Pesquisa) e, portanto, não deve ser confundida com o conceito de classes sociais, que possui outra 
conotação do ponto de vista sociológico.
10 As famílias do programa Bolsa Família têm que cumprir determinadas condições, como manter as crianças na 
escola, manter seus acompanhamentos médicos e a carteira de vacinação em dia.
o aumento da inflação e do 
desemprego, a diminuição do 
crédito e dos investimentos 
na educação, na saúde e em 
programas sociais, a partir da 
crise de 2015, refletiram uma 
mudança na tendência de 
queda da desigualdade aqui 
apresentada.
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Unidade 3  |  Espaço, sociedade e economia 
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foi estabelecido um modelo de Estado que, entre outras atribuições, passou a ter a 
função de garantir saúde, educação, emprego e moradia (atualmente, considerados 
direitos essenciais) aos cidadãos.
trata-se do Estado do Bem-Estar Social (Welfare State, em inglês), que ocorre 
com mais eficácia na Noruega, na Suécia e na Dinamarca. Esses países aparecem 
anualmente na lista da oNU como os que apresentam melhor Índice de Desenvol-
vimento Humano (IDH). Assim, a assistência médico-odontológica e a educação 
gratuita e de bom nível podem ser consideradas formas de salário indireto e também 
uma maneira de distribuir renda.
A partir da década de 1980, no entanto, a conjuntura econômica provocou mudan-
ças em vários países desenvolvidos. A elevação do déficit público e a consequente 
diminuição da capacidade de investimento levaram a uma profunda reestruturação 
do papel do Estado, no que se refere às suas atribuições em termos de benefícios 
sociais. É o caso dos Estados Unidos e do Reino Unido, que optaram, na década de 
1980, pelo Estado neoliberal. Houve uma redução nas atribuições do Estado, com 
privatização de atividades produtivas, acompanhada de cortes de gastos públicos em 
setores como saúde, educação, seguridade social (seguro-desemprego, por exemplo).
Na década de 1990, boa parte da União Europeia tinha realizado reformas em 
seu sistema de seguridade social, em razão da busca de maior competitividade e 
da redução do déficit público elevado. Essa situação ficou conhecida como crise do 
Estado do Bem-Estar Social.
os que defendem as ideias neoliberais pregam que as questões econômicas – e 
muitas das questões sociais – sejam resolvidas no âmbito do mercado e apoiam a ideia 
de um Estado Mínimo. Segundo a visão neoliberal, o custo de sustentação do Estado 
do Bem-Estar Social apoia-se em impostos elevados, o que impede a ampliação dos 
investimentos privados em atividades econômicas geradoras de emprego. E o aumento do 
número de postos de trabalho é o principal caminho para a resolução das questões sociais.
Entretanto, o Estado tem papel fundamental na regulação dos mercados, no 
sistema capitalista, e na intervenção em caso de crise. Na crise de 2007/2008
11

o socorro às instituições privadas (bancos, seguradoras, corporações industriais) 
consumiu centenas de bilhões de dólares dos governos dos países mais ricos e de 
diversos emergentes. 
o corte dos benefícios sociais provocado pela crise 
gerou manifestações em todo o mundo contra a desigual-
dade de renda, a influência do mercado financeiro nos 
rumos da política, as políticas de austeridade e o modelo 
econômico neoliberal. o movimento Occupy Wall Street 
(ocupe wall Street), que se espalhou por diversas cidades 
dos Estados Unidos, e os Indignados, na Espanha, são 
alguns exemplos da insatisfação popular em relação ao 
papel do Estado frente aos grandes problemas sociais 
(figura 18). Movimentos semelhantes ocuparam espaços 
públicos de outros países europeus.
11  Sobre a crise econômico-financeira de 2007/2008 e o movimento Occupy Wall Street, veja Capítulo 3 do Volume 2.


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