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Por dentro do Jihad, 
uma história de 
espionagem
De Omar Nasiri. 
Record, 2007.
O autor relata a sua 
experiência durante os anos 
em que trabalhou, entre 
1994 e 2000, como agente 
secreto para os principais 
serviços de inteligência 
da Europa, e a sua 
passagem pelos campos 
de treinamento afegãos, 
onde conheceu homens que 
mais tarde se tornariam os 
terroristas mais procurados 
do mundo.
Eu sou Malala
De Malala Yousafzai e 
Christina Lamb. Companhia 
das Letras, 2013.
O livro conta a história de 
Malala e sua família, desde 
a infância da garota no 
Paquistão, passando pela 
vida escolar em meios às 
dificuldades de se viver em 
uma região marcada pela 
desigualdade social e de 
tratamento em relação a 
meninos e meninas, até o 
terror de enfrentar o Talibã 
e de quase perder sua vida 
nessa luta.
CORNELIUS POPPE/POOL/AFP
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Capítulo 3  –  Faces do terrorismo
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Neste início do século XXI, diversos atentados chocaram o mundo pela crueldade: 
o de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington D.C., nos Estados Unidos, 
o de 11 de março de 2004, em Madri, na Espanha, e o de julho de 2005, em Londres 
(Inglaterra), todos atribuídos à rede terrorista Al-Qaeda; o de setembro de 2004, em 
Beslan
18
, Ossétia do Norte (Rússia), de autoria de um grupo separatista da Chechênia; 
os atentados ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, de janeiro de 2015, atribuídos 
à Al-Qaeda do Iêmen (leia o Entre aspas); os ataques a diversos locais da cidade de 
Paris, na França, ocorridos em 13 de novembro do mesmo ano (reveja a seção Con-
texto, no início do capítulo), e os ataques ao aeroporto internacional e a uma estação 
de metrô em Bruxelas, na Bélgica, em março de 2016, de autoria do Estado Islâmico.  
Quanto mais gigantesca e violenta é a ação, mais o terrorismo conta com a cober-
tura dos meios de comunicação, que transforma a barbárie em espetáculo para 
ser acompanhado por milhões de pessoas em todo o mundo. No atentado ao World 
Trade Center, pessoas do mundo todo puderam ver pela televisão, em tempo real
o segundo avião mergulhar na torre, o edifício desabar e o desespero da população 
sob a poeira e os escombros. Atualmente o terrorismo de grande dimensão é liderado 
pelo Estado Islâmico (você verá adiante, na página 67). 
A frase Je suis Charlie, símbolo de solidariedade às vítimas dos ataques 
ao jornal Charlie Hebdo, é mostrada na tela de celular em 
7 de janeiro de 2015.
Je suis Charlie
O polêmico Charlie Hebdo é um jornal satírico de esquerda 
criado na década de 1980 em Paris (França), diferenciado por suas 
críticas ácidas à sociedade, à política e às religiões. Em 2011, 
publicou uma caricatura de Maomé com a frase “100 chibatadas 
se você não morrer de rir”. Sofreu protestos, ameaças e uma bomba 
incendiária foi lançada no prédio da sua sede. Assim mesmo o 
Charlie Hebdo não deixou de poupar Maomé em suas caricaturas. 
Para os muçulmanos a representação de Alá ou do profeta Maomé 
é considerada blasfêmia, isto é, uma difamação contra eles. 
Em janeiro de 2015, jihadistas ligados à Al-Qaeda do Iêmen 
realizaram um massacre na sede do jornal: gritavam “vingamos 
o profeta!” enquanto assassinavam 12 pessoas. Depois do aten-
tado, o designer francês Joachim Roncin postou no Twitter a frase 
Je suis Charlie  (“Eu sou Charlie”) em homenagem aos colegas 
assassinados.
AL-QAEDA
A rede Al-Qaeda, criada no contexto da Guerra Afegã-Soviética (1979-1989) 
com a fusão de facções islâmicas ultrarradicais que lutavam contra os soviéticos, 
inaugurou o “terrorismo de espetáculo”, de grandes dimensões e projeção inter-
nacional. Essa nova face do terror foi revelada na sucessão de ataques aos Estados 
Unidos, em 11 de setembro de 2001. 
Seu líder, Osama Bin Laden, morto em 2011 em uma ação militar das forças de 
operações especiais estadunidenses, proclamava a união de todos os muçulmanos 
para lutar pela formação de uma única nação islâmica. Contra a interferência da 
penetração de valores ocidentais nos países muçulmanos, conclamava aos seus 
seguidores promover uma guerra santa (jihad) contra os Estados Unidos e o seu 
principal aliado no Oriente Médio, o Estado de Israel. 
18 Veja a seção Entre aspas, na página 79.
ROB STOTHARD/GETTY IMAGES
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Unidade 1  |  Etnia, diversidade cultural e conflitos 
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ESTADO ISLÂMICO
Em 2004, um ano após a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, foi 
formada a Al-Qaeda no Iraque comandada por Abu Musab al-Zarqawi (1966-2006), 
uma força relevante entre os insurgentes que lutavam contra a ocupação estrangeira. 
Na situação de caos e desordem política que vivia o país, Zarqawi via as condições 
ideais para o estabelecimento de um Estado Islâmico imediatamente, diferente do 
que pensava a Al-Qaeda de Osama Bin Laden, que via a criação de um Estado regido 
pelas leis islâmicas como um objetivo futuro. 
Em 2006 foi criado o Estado Islâmico (EI) com a fusão de membros da Al-Qaeda 
no Iraque, que se dissolveu, e outras organizações terroristas insurgentes sunitas 
combatentes contra as forças de ocupação e as do governo iraquiano. Hoje, as rela-
ções entre a Al-Qaeda e o Estado Islâmico estão rompidas.
Sunitas e xiitas
Os sunitas e os xiitas constituem a principal divisão do islamismo, criada após a crise sucessória 
ocorrida com a morte do profeta Maomé, no século VII. O império islâmico deixado por Maomé dividiu-se em 
quatro califados. Abu Bakr, amigo de Maomé e um dos quatro califas, foi considerado pela maioria muçul-
mana o seu sucessor e os seus adeptos são chamados de sunitas. Os xiitas formam o ramo do islamismo 
que, desde essa época, defendem como legítimo sucessor do profeta o seu primo, o califa Ali ibn Abi’alib. 
Essa divisão semeou diversas batalhas históricas entre os grupos islâmicos e está por trás da 
disputa pela liderança regional no Oriente Médio entre Arábia Saudita (sunita) e o Irã (xiita). 
No Iraque, a maioria da população é xiita e foi reprimida durante a 
ditadura sunita de Saddam Hussein (1937-2006), até a sua deposição 
em 2003 pelas tropas de coalização internacional liderada pelos Estados 
Unidos. Em 2011, o primeiro-ministro em exercício no Iraque, o xiita Nouri 
al-Maliki (1950-), passou a perseguir a população sunita, logo após a saída 
das tropas estadunidenses do país. Nesse contexto de repressão, o Estado 
Islâmico cresceu e ganhou admiração de fudamentalistas sunitas de boa 

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