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O império e os novos 
bárbaros
De Jean-Cristophe Rufin. 
Record, 1996.
O livro desenvolve a ideia 
de que o mundo próspero 
do “norte” apenas tem 
interesse nas questões 
do mundo pobre para 
ter acesso aos recursos 
econômicos vitais, como 
o petróleo, ou para proteger 
suas fronteiras contra 
os perigos das drogas, 
da imigração clandestina 
e do terrorismo.
LEITURA
As diversas faces do 
terrorismo 
De Paulo Sutti e Sílvia 
Ricardo. Harbra, 2002.
Uma análise abrangente 
do terrorismo de Estado 
e dos grupos radicais até 
os atentados de 11 de 
setembro, rico em fatos 
detalhados e depoimentos 
de algumas vítimas. 
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Unidade 1  |  Etnia, diversidade cultural e confl itos 
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Figura 2.
 Nova York (Estados Unidos), 2001. A sequência das imagens mostra o segundo dos 
dois aviões que atingiram o World Trade Center nos exatos momentos de sua aproximação e 
choque. O ataque foi o maior sofrido pelos Estados Unidos em seu território.
Além disso, a independência política conquistada por esses países não significou 
o fim das interferências externas das grandes potências mundiais – sobretudo dos 
Estados Unidos –, cuja posição sempre foi ambígua. No Oriente Médio, por exemplo, 
o petróleo foi o fio condutor que determinou o apoio estadunidense a um ou outro 
governante, de acordo com as vantagens econômicas e estratégicas que pudessem 
ser obtidas nessa região. 
O resultado das interferências externas no embate entre Estados Unidos e União 
Soviética durante a Guerra Fria no Afeganistão favoreceu o crescimento do grupo 
Talibã e o treinamento de Osama Bin Laden (1957-2011), líder da rede terrorista 
Al-Qaeda, responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2011 (figura 3). Após 
a interferência na Guerra Civil na Líbia (2011) e a invasão e ocupação do Iraque 
pelos Estados Unidos (2003 a 2011), a expansão do terrorismo se propagou numa 
escalada nunca vista em qualquer época. No caso do Iraque, criou as condições 
para o surgimento do Estado Islâmico, o mais temido grupo terrorista da atualidade. 
Figura 3.
 Cartaz de busca por 
Osama Bin Laden exposto no 
distrito financeiro de Nova York 
(Estados Unidos), em 18 de 
setembro de 2001.
FILME
Timbuktu
De Abderrahmane Sissako. 
França/Mauritânia, 2014. 
96 min.
O filme mostra o dia 
a dia de uma pacata 
cidade ao norte do Mali
controlada por extremistas 
religiosos islâmicos. O 
enredo gira em torno da 
imposição de costumes 
religiosos rígidos aos seus 
habitantes, de acordo 
com a visão extremista 
do Islã, e do julgamento 
do personagem Kidame, 
responsável pela morte 
acidental de um pescador. 
STR NEW/REUTERS/LA
TINSTOCK
RUSSELL BOYCE/REUTERS/LA
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Capítulo 3  –  Faces do terrorismo
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AFEGANISTÃO E TALIBÃ
O Afeganistão, composto por uma variedade de etnias rivais, era uma monarquia 
desde 1933. Em 1973, sofreu um golpe de Estado, liderado pelo general Mohammed 
Daud (1919-1978), que transformou o país numa república e assumiu a presidência. 
No período da Guerra Fria, principalmente após a crise do petróleo de 1973, o Afe-
ganistão tornou-se um país estratégico, cujo território passou a ser disputado pelas 
duas superpotências da época. Os soviéticos aspiravam à dominação da região para 
controlar o acesso ao Golfo Pérsico, e os Estados Unidos buscavam inibir a expansão 
soviética no Oriente Médio.
Em 1978, Mohammed Daud foi derrubado e assassinado por membros do Par-
tido Democrático do Povo (comunista). Esse episódio desencadeou a disputa pelo 
poder entre facções do próprio partido e entre grupos guerrilheiros de etnias diversas. 
Hafizullah Amin (1929-1979), líder de uma das facções do Partido Democrático do 
Povo, acabou conquistando a presidência, mas não se mostrou capaz de contemplar 
os interesses soviéticos. No final de 1979, a União Soviética invadiu o país. Hafizullah 
Amin foi assassinado e o presidente nomeado, Babrak Karmal (1929-1996), passou a 
governar o país apoiado pelos soviéticos, que em pouco tempo chegaram a mobilizar 
quase 100 mil soldados para a região.
A resistência contra o regime de Babrak Karmal, por parte dos vários grupos de 
mujahedins (conhecidos como guerreiros da liberdade), foi implacável. Instaurou-se 
no país uma guerra civil, com participação direta da União Soviética, denominada 
Guerra Afegã-Soviética (1979-89). Estados Unidos, Paquistão, China, Irã e Arábia 
Saudita forneceram armas e dinheiro aos guerrilheiros que lutavam contra a ocupa-
ção soviética. Durante a década de 1980, os Estados Unidos estiveram diretamente 
envolvidos no recrutamento e treinamento dos mujahedins (figura 4), entre eles Osama 
Bin Laden, o líder fundador da Al-Qaeda, a organização terrorista mais temida no 
mundo na primeira década do século XXI. 
No final da Guerra Fria, em 1989 – no governo de Mikhail Gorbachev (1931-) –, 
o exército soviético retirou-se do Afeganistão, e a guerra continuou entre as facções 
de grupos muçulmanos que disputavam o poder entre si. Em 1996, o Talibã, grupo 
islâmico ultrarradical, assumiu o governo e o controle de 95% do território afegão, 
tornando o país abrigo do saudita Osama Bin Laden. Os mujahedins, treinados pelos 
Estados Unidos para combater a expansão do comunismo soviético, voltaram-se 
contra seu antigo aliado. 
FILME


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