Teogonia a origem dos Deuses



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Hesíodo - Teogonia
Descrição do Tártaro 
 
Nove noites e dias uma bigorna de bronze  
cai do céu e só no décimo atinge a terra  
e, caindo da terra, o Tártaro nevoento.  
E nove noites e dias uma bigorna de bronze  
cai da terra e só no décimo atinge o Tártaro. 
 
Cerca-o um muro de bronze. A noite em torno  
verte-se três vezes ao redor do gargalo. Por cima  
as raízes da terra plantam-se e do mar infecundo. 
 
Aí os Deuses Titãs sob a treva nevoenta 
estão ocultos por desígnios de Zeus agrega-nuvens, 
região bolorenta nos confins da terra prodigiosa. 
Não têm saída. Impôs-lhes Posídon portas 
de bronze e lado a lado percorre a muralha. 
Aí Giges, Cotos e Briareu magnânimo 
habitam, guardas fiéis de Zeus porta-égide. 
 
Aí, da terra trevosa e do Tártaro nevoento  
e do mar infecundo e do Céu constelado,  
de todos, estão contíguos as fontes e confins,  
torturantes e bolorentos, odeiam-nos os Deuses.  
Vasto abismo, nem ao termo de um ano  
atingiria o solo quem por suas portas entrasse  
mas de cá para lá o levaria tufão após tufão  
torturante, terrível até para os Deuses imortais  
este prodígio. A casa terrível da Noite trevosa  
eleva-se aí oculta por escuras nuvens. 
 
Defronte, o filho de Jápeto sustem o Céu amplo 
de pé, com a cabeça e infatigáveis braços 


inabalável, onde Noite e Dia se aproximam 
e saúdam-se cruzando o grande umbral 
de bronze. Um desce dentro, outro vai 
fora, nunca o palácio fecha a ambos, 
mas sempre um deles está fora do palácio 
e percorre a terra, o outro está dentro 
e espera vir a sua hora de caminhar, 
ele tem aos sobreterrâneos a luz multividente, 
ela nos braços o Sono, irmão da Morte, 
a Noite funesta oculta por nuvens cor de névoa. 
 
Aí os filhos da Noite sombria têm morada,  
Sono e Morte, terríveis Deuses, nunca 
o Sol fulgente olha-os com seus raios 
ao subir ao céu nem ao descer o céu. 
Um deles, tranqüilo e doce aos homens, 
percorre a terra e o largo dorso do mar, 
o outro, de coração de ferro e alma de bronze 
não piedoso no peito, retém quem dos homens 
agarra, odioso até aos Deuses imortais. 
Defronte, o palácio ecoante do Deus subterrâneo  
o forte Hades e da temível Perséfone  
eleva-se. Terrível cão guarda-lhe a frente  
não piedoso, tem maligna arte: aos que entram 
 faz festas com o rabo e ambas as orelhas,  
sair de novo não deixa: à espreita  
devora quem surpreende a sair das portas. 
 
Aí habita a Deusa detestada dos imortais 
terrível Estige, filha do Oceano refluente 
a mais velha, longe dos Deuses em ilustre palácio 
coberto de altas pedras, todo ao redor 
com as colunas de prata se apóia no céu. 
Pouco a filha de Espanto Íris de ágeis pés 
aí vem mensageira sobre o largo dorso do mar: 
quando briga e discórdia surgem entre imortais 


e se um dos que têm o palácio Olímpio mente 
Zeus faz Íris trazer o grande juramento dos Deuses 
num jarro de ouro, a longe água de muitos nomes 
fria. Ela precipita-se da íngreme pedra 
alta. E abundante sob a terra de amplas vias 
do rio sagrado flui pela noite negra, 
braço do Oceano, décima parte ela constitui: 
nove envolvem a terra e o largo dorso do mar 
com rodopios de prata e depois caem no sal, 
ela só proflui da pedra, grande pena aos Deuses. 
Dos imortais que têm a cabeça nivosa do Olimpo 
quem espargindo-a jura um perjúrio 
jaz sem fôlego por um ano inteiro
nem da ambrosia e do néctar se aproxima 
para comer, jaz porém sem alento nem voz 
num estendido leito e mau torpor o cobre. 
Quando a doença perfaz um grande ano, 
passa de uma a outra prova mais áspera: 
nove anos afasta-se dos Deuses sempre vivos, 
nem freqüenta conselho nem banquetes 
nove anos a fio. No décimo freqüenta de novo 
reuniões dos imortais que têm o palácio Olímpio. 
Tal juramento os Deuses fizeram de Estige imperecível 
água ogígia que brota de abrupta região. 
 
Aí, da terra trevosa e do Tártaro nevoento  
e do mar infecundo e do céu constelado,  
de todos, estão contíguos as fontes e confins,  
torturantes e bolorentos, odeiam-nos os Deuses. 
 
Aí resplandentes portas e umbral de bronze  
inabalável, embutidos em raízes contínuas 
 nascido de si mesmo. Defronte, longe dos Deuses,  
os Titãs habitam além do Caos sombrio.  
Os ínclitos aliados de Zeus estrondante  
habitam um palácio no alicerce do Oceano,  


Cotos e Giges, a Briareu por sua bravura  
o gravitroante Treme-terra fez seu genro,  
deu-lhe por esposa sua filha Anda-onda 
 

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