Teogonia a origem dos Deuses



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Hesíodo - Teogonia
História de Prometeu 
 
Jápeto desposou Clímene de belos tornozelos  
virgem Oceanína e entraram no mesmo leito.  
Ela gerou o filho Atlas de violento ânimo,  
pariu o sobreglorioso Menécio e Prometeu  
astuto de iriado pensar e o sem-acerto Epimeteu 


 que foi um mal dês o começo aos homens come-pão,  
pois primeiro aceitou de Zeus moldada a mulher  
virgem. Ao soberbo Menécio, Zeus longividente  
lançou-o Érebos abaixo golpeando com fúmeo raio 
 por sua estultícia e bravura bem-armada.  
Atlas sustém o amplo céu sob cruel coerção 
 nos confins da Terra ante as Hespérides cantoras,  
de pé, com a cabeça e infatigáveis braços:  
este destino o sábio Zeus atribuiu-lhe.  
E prendeu com infrágeis peias Prometeu astuciador,  
cadeias dolorosas passadas ao meio duma coluna,  
e sobre ele incitou uma águia de longas asas,  
ela comia o fígado imortal, ele crescia à noite  
todo igual o comera de dia a ave de longas asas.  
O filho de Alcmena de belos tornozelos valente  
Heracles matou-a, da maligna doença defendeu  
o filho de Jápeto e libertou-o dos tormentos,  
não discordando Zeus Olímpio o sublime soberano  
para que de Heracles Tebano fosse a glória  
maior que antes sobre a terra multinutriz.  
Reverente ele honrou ao insigne filho,  
apesar da cólera pôs fim ao rancor que retinha  
de quem desafiou os desígnios do pujante Cronida. 
 
Quando se discerniam Deuses e homens mortais 
 em Mecona, com ânimo atento dividindo ofertou  
grande boi, a trapacear o espírito de Zeus:  
aqui pôs carnes e gordas vísceras com a banha  
sobre a pele e cobriu-as com o ventre do boi,  
ali os alvos ossos do boi com dolosa arte  
dispôs e cobriu-os com a brilhante banha.  
Disse-lhe o pai dos homens e dos Deuses: 
“Filho de Jápeto, insigne dentre todos os reis, 
ó doce, dividiste as partes zeloso de um só!”. 
Assim falou a zombar Zeus de imperecíveis desígnios. 
E disse-lhe Prometeu de curvo pensar 


sorrindo leve, não esqueceu a dolosa arte: 
“Zeus, o de maior glória e poder dos Deuses perenes, 
toma qual dos dois nas entranhas te exorta o ânimo”. 
Falou por astúcia. Zeus de imperecíveis desígnios 
soube, não ignorou a astúcia; nas entranhas previu 
males que aos homens mortais deviam cumprir-se. 
Com as duas mãos ergueu a alva gordura, 
raivou nas entranhas, o rancor veio ao seu ânimo, 
quando viu alvos ossos do boi sob dolosa arte. 
Por isso aos imortais sobre a terra a grei humana 
queima os alvos ossos em altares turiais. 
E colérico disse-lhe Zeus agrega-nuvens: 
“Filho de Jápeto, o mais hábil em seus desígnios, 
ó doce, ainda não esqueceste a dolosa arte!”. 
Assim falou irado Zeus de imperecíveis desígnios, 
depois sempre deste ardil lembrado 
negou nos freixos a força do fogo infatigável 
aos homens mortais que sobre a terra habitam. 
Porém o enganou o bravo filho de Jápeto: 
furtou o brilho longevisível do infatigável fogo 
em oca férula; mordeu fundo o ânimo 
a Zeus tonítruo e enraivou seu coração 
ver entre homens o brilho longevisível do fogo. 
E criou já ao invés do fogo um mal aos homens: 
plasmou-o da terra o ínclito Pés-tortos 
como virgem pudente, por desígnios do Cronida; 
cingiu e adornou-a a Deusa Atena de olhos glaucos 
com vestes alvas, compôs um véu laborioso 
descendo-lhe da cabeça, prodígio aos olhos, 
ao redor coroas de flores novas da relva 
sedutoras lhe pôs na fronte Palas Atena 
e ao redor da cabeça pôs uma coroa de ouro, 
quem a fabricou: o ínclito Pés-tortos 
lavrando-a nas mãos, agradando a Zeus pai, 
e muitos lavores nela gravou, prodígio aos olhos, 
das feras que a terra e o mar nutrem muitas 


ele pôs muitas ali (esplendia muita a graça) 
prodigiosas iguais às que vivas têm voz. 
Após ter criado belo o mal em vez de um bem 
levou-a lá onde eram outros Deuses e homens 
adornada pela dos olhos glaucos e do pai forte. 
O espanto reteve Deuses imortais e homens mortais 
ao virem íngreme incombatível ardil aos homens. 
Dela descende a geração das femininas mulheres. 
Dela é a funesta geração e grei das mulheres, 
grande pena que habita entre homens mortais, 
parceiras não da penúria cruel, porém do luxo. 
Tal quando na colméia recoberta abelhas 
nutrem zangões, emparelhados de malefício, 
elas todo o dia até o mergulho do sol 
diurnas fadigam-se e fazem os brancos favos
eles ficam no abrigo do enxame à espera 
e amontoam no seu ventre o esforço alheio, 
assim um mal igual fez aos homens mortais 
Zeus tonítruo: as mulheres, parelhas de obras 
ásperas, e em vez de um bem deu oposto mal. 
Quem fugindo a núpcias e a obrigações com mulheres 
não quer casar-se, atinge a velhice funesta 
sem quem o segure: não de víveres carente 
vive, mas ao morrer dividem-lhe as posses 
parentes longes. A quem vem o destino de núpcias 
e cabe cuidosa esposa concorde consigo, 
para este desde cedo ao bem contrapesa o mal 
constante. E quem acolhe uma de raça perversa 
vive com uma aflição sem fim nas entranhas, 
no ânimo, no coração, e incurável é o mal. 
 
Não se pode furtar nem superar o espírito de Zeus 
 pois nem o filho de Jápeto o benéfico Prometeu  
escapou-lhe à pesada cólera, mas sob coerção  
apesar de multissábio a grande cadeia o retém. 
 



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