Teogonia a origem dos Deuses


História do Céu e de Crono



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História do Céu e de Crono 
 
Quantos da Terra e do Céu nasceram,  
filhos os mais temíveis, detestava-os o pai  
dês o começo: tão logo cada um deles nascia  
a todos ocultava, à luz não os permitindo,  
na cova da Terra. Alegrava-se na maligna obra  
o Céu. Por dentro gemia a Terra prodigiosa  
atulhada, e urdiu dolosa e maligna arte.  


Rápida criou o gênero do grisalho aço,  
forjou grande podão e indicou aos filhos.  
Disse com ousadia, ofendida no coração:  
“Filhos meus e do pai estólido, se quiserdes  
ter-me fé, puniremos o maligno ultraje de vosso 
 pai, pois ele tramou antes obras indignas”.  
Assim falou e a todos reteve o terror, ninguém  
vozeou. Ousado o grande Crono de curvo pensar  
devolveu logo as palavras à mãe cuidadosa:  
“Mãe, isto eu prometo e cumprirei  
a obra, porque nefando não me importa o nosso 
 pai, pois ele tramou antes obras indignas”. 
 
Assim falou. Exultou nas entranhas Terra prodigiosa, 
colocou-o oculto em tocaia, pôs-lhe nas mãos 
a foice dentada e inculcou-lhe todo o ardil. 
Veio com a noite o grande Céu, ao redor da Terra 
desejando amor sobrepairou e estendeu-se 
a tudo. Da tocaia o filho alcançou com a mão 
esquerda, com a destra pegou a prodigiosa foice 
longa e dentada. E do pai o pênis 
ceifou com ímpeto e lançou-o a esmo 
para trás. Mas nada inerte escapou da mão: 
quantos salpicos respingaram sanguíneos 
a todos recebeu-os a Terra; com o girar do ano 
gerou as Erínias duras, os grandes Gigantes 
rútilos nas armas, com longas lanças nas mãos, 
e Ninfas chamadas Freixos sobre a terra infinita. 
O pênis, tão logo cortando-o com o aço 
atirou do continente no undoso mar, 
aí muito boiou na planície, ao redor branca 
espuma da imortal carne ejaculava-se, dela 
uma virgem criou-se. Primeiro Citera divina 
atingiu, depois foi à circunfluída Chipre 
e saiu veneranda bela Deusa, ao redor relva 
crescia sob esbeltos pés. A ela. Afrodite 


Deusa nascida de espuma e bem-coroada Citeréia 
apelidam homens e Deuses, porque da espuma  
criou-se e Citeréia porque tocou Citera,  
Cípria porque nasceu na undosa Chipre,  
e Amor-do-pênis porque saiu do pênis à luz.  
Eros acompanhou-a, Desejo seguiu-a belo,  
tão logo nasceu e foi para a grei dos Deuses.  
Esta honra tem dês o começo e na partilha  
coube-lhe entre homens e Deuses imortais  
as conversas de moças, os sorrisos, os enganos, 
 o doce gozo, o amor e a meiguice. 
 
O pai com o apelido de Titãs apelidou-os:  
o grande Céu vituperando filhos que gerou  
dizia terem feito, na altiva estultícia,  
grã obra de que castigo teriam no porvir. 
 
 


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