Tcc fernando Bartholomay Filho Memória Abolição sc 1888-1938



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2. Escravidão, abolição e cidadania: 1888-1930. 

 

Embora  o  estudo  da  escravidão  -  e  da  sua  importância  como  elemento  de  profunda 



influência no desenvolvimento social, econômico e político do Brasil – seja talvez o campo de 

mais  profícua  produção  bibliográfica  e  mais  caloroso  debate  acadêmico  na  historiografia 

contemporânea  do  país,  a  preocupação  com  análises  especialmente  centradas  nas 

conseqüências  de  longo  prazo  do  processo  emancipacionista  e  nas  transformações  sociais 

experimentadas pelas populações de origem africana ao longo dos mais de cem anos desde a 

abolição  do  regime  escravocrata  é  atitude  “relativamente  recente”  entre  os  historiadores 

brasileiros.

2

 



Apesar de ser possível observar com muita clareza uma intensa produção intelectual 

que floresceu nas primeiras décadas após a abolição, e que tinha como principal preocupação 

a  influência  da  “raça”  no  passado  e  nos  destinos  do  Brasil,  a  herança  da  escravidão  levou 

muitos anos até deixar de ser tratada sob uma ótica cientificista por uma elite intelectual assaz 

desejosa de ajustar teorias e conceitos oriundos da Europa ao estudo da sociedade brasileira e 

começar  a  ser  problematizada  com  maior  rigor  metodológico  pelas  diversas  disciplinas  de 

ciências  humanas,  num  processo  que  de  certa  forma  foi  análogo  ao  desenvolvimento  das 

grandes instituições de ensino superior no país ao longo da primeira metade do século XX. 

Isso, no entanto, não quer dizer que os primeiro cinqüenta anos após o treze de maio 

de  1888  sejam  forçosamente  rotulados  como  minguados  de  reflexões  objetivas  sobre  o 

passado escravista do Brasil. Pelo contrário, esse período fornece um rico panorama de como 

não  apenas  as  classes  políticas  e  os  intelectuais  e  homens  de  letras,  mas  também  as 

populações  urbanas  e  rurais  de  origem  africana  do  país  lidaram  com  um  sem-número  de 

problemas que afloraram a partir do momento em que sua condição jurídica, suas relações de 

trabalho,  sua  economia  e  sociedade  foram  radicalmente  transformadas  com  a  extinção  da 

escravidão. 

É  essencial,  portanto,  delimitar  as  principais  experiências  históricas  vividas  entre  a 

abolição  e  os  primeiros  anos  de  existência  do  regime  republicano  no  Brasil,  no  campo  das 

idéias,  do  debate  político  e  na  vivência  coletiva  e  individual  dos  cidadãos  que  estiveram  no 

centro  deste  período  histórico  (grosso  modo  entre  o  ano  de  1888  e  a  segunda  metade  da 

década de 1930), a fim de entender a que ponto as concepções e idéias acerca da experiência 

                                                 

2

 RIOS, Ana Maria Lugão; MATTOS, Hebe Maria. Memórias do cativeiro: família, trabalho e cidadania no 



pós-abolição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. p. 17 


 

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da escravidão foram se modificando até culminar com as comemorações do cinqüentenário da 



abolição, em pleno Estado Novo, no ano de 1938. 

Retornando  à  década  de  1880,  que  sob  todos  os  aspectos  viu  o  definhamento  e 

colapso  final  da  instituição  da  escravidão  no  Brasil,  é  possível  apontar  uma  miríade  de 

disputas e embates que definiriam o tom não apenas da campanha abolicionista da época, mas 

que continham em si a semente de futuras cisões e rupturas que iriam surtir pesada influência 

no futuro do país. 

Tais  embates  não  se  limitaram  às  tribunas  onde  os  intelectuais  abolicionistas 

defendiam sua causa em inflamados discursos, como fez crer a memória que a historiografia 

do  início  do  século  XX  fixou  do  abolicionismo  como  um  movimento  de  pessoas  com 

ilustração superior como Rui Barbosa, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, defendendo os 

escravos  de  uma  instituição  degradante  e  antinatural.  Ao  contrário,  as  grandes  convulsões 

foram  vivenciadas  pelos  escravos  e  ex-escravos  nos  seus  espaços  de  vivência  e  trabalho,  no 

meio  urbano  e  rural.  Aqueles  abolicionistas,  seguidores  do  movimento  iniciado  por  Nabuco 

em  1880  com a  criação da  Sociedade Brasileira  contra a  Escravidão,  tinham  uma idéia  bem 

definida  de  como  deveria  ser  conduzida  a  luta  política  pela  extinção  do  cativeiro.  Suas 

concepções apontavam que 

 

[...]  o  movimento  deveria  se  restringir  ao  âmbito  das  elites  e  das  camadas 



médias urbanas, na busca de uma solução pacífica, deliberada no interior da 

comunidade  de  cidadãos,  entre  os  homens  livres,  em  suma,  de  modo  a  não 

trazer transtornos à ordem social.

3

 



 

Essas  lideranças,  além  disso,  “reprovaram  os  grupos  dissidentes  que  levaram  a 

questão às senzalas, promovendo fugas e levantes”,

4

 exibindo uma preocupação de que a luta 



pela  abolição  acabasse  extrapolando  os  limites  do  debate  político  organizado,  travado  no 

âmbito  das  tribunas  legislativas  e  dos  comícios  e  pelos  representantes  letrados  da  sociedade 

brasileira, e começasse a ser encampado pelos próprios escravos, cujo sentimento de revolta 

com sua condição poderia acabar causando a sempre temida convulsão da “ordem social”. 

Tais  preocupações  revelaram-se  não  apenas  reais,  mas  amplamente  visíveis  ao  se 

levar em consideração o quadro da sociedade brasileira nas regiões que, apesar da lei de 1871 

e das legislações da década de 1880, ainda apresentavam uma grande concentração de cativos, 

como o Recôncavo Baiano, o Vale do Paraíba e as grandes lavouras de café do oeste paulista. 

                                                 

3

 VENTURA, Roberto. Estilo tropical: história cultural e polêmicas literárias no Brasil 1870-1914. São Paulo: 



Companhia das Letras, 1991. p. 133. 

4

 Idem, p. 133. 




 

15

Ao  investigar  as  últimas  décadas  da  escravidão  no  Recôncavo,  Walter  Fraga  Filho 



apresenta um painel das profundas tensões entre a população cativa da região e os senhores de 

engenho, tensões essas que freqüentemente desaguavam em revoltas e crimes que exigiam a 

intermediação da justiça.

5

 



O  Recôncavo  Baiano  de fins  da  década  de  1880 apresentava  uma  mistura  perigosa: 

de um lado, escassez de mão-de-obra escrava, diminuição da produção açucareira, e senhores 

de  engenho extremamente  relutantes em  perder  seu  controle  sobre  os escravos  restantes.  Do 

outro, uma população de cativos pouco dispostos a sofrer passivamente punições ou castigos 

físicos  nas  mãos  dos  senhores  e  cada  vez  mais  imbuídos  de  suas  próprias  concepções  sobre 

trabalho e igualdade, amparados por tribunais de justiça que tendiam a arbitrar as disputas por 

alforrias em favor  dos  escravos,  refletindo  o  sentimento  comum  de  repulsa à  escravidão  das 

classes médias urbanas da Bahia – sentimento esse fortemente reproduzido pela imprensa. 

O  resultado  foi  a  intensificação  de  fugas  das  fazendas  e  de  episódios  de  violência 

contra  senhores  e  feitores,  além  uma  participação  ativa  dos  escravos  remanescentes  no 

Recôncavo  na  diminuição  da  produção  dos  engenhos,  através  da  sua  recusa  em  extrapolar 

aquilo  que  julgavam  ser  uma  jornada  de  trabalho  justa,  diminuindo  de  forma  proposital  o 

ritmo de trabalho e exigindo espaço e tempo para cultivar suas próprias terras. 

Mais do que esse protagonismo dos escravos baianos na construção da sua liberdade, 

os anos de 1887 e 1888 viram o surgimento de uma onda de “abolicionistas de última hora”, 

quando  em  vista  do  já  acentuado  êxodo  dos  cativos  e  da  radicalização  do  movimento 

abolicionista, uma grande quantidade de senhores se puseram a alforriar os seus já minguados 

plantéis  num  esforço  de  tomar  para  si  as  rédeas  de  um  processo  que  naquela  altura  já  se 

mostrava inevitável: 

No final de 1887, os senhores começaram a conceder alforrias coletivas sob 

condição  ou  gratuitas.  Os  jornais  deram  grande  publicidade  a  esses  atos 

como  prova  de  desprendimento  e  de  espírito  humanitário.  Na  verdade,  era 

uma  forma  de  antecipar-se  à  decisão  do  Império  de  abolir  o  cativeiro.  Era 

também  um  meio  de  conter  a  crescente  insatisfação  da  população  cativa  e 

evitar  distúrbios  na  produção.  A  “emancipação  concedida”  no  apagar  das 

luzes  do  cativeiro  foi  uma  tentativa  de  arrancar  o  respeito  e  a  “perene 

gratidão” dos antigos escravos.

6

 



 

No  sudeste  do  país,  um  processo  bastante  parecido  se  desenvolvia  nas  fazendas  de 

café  de  São  Paulo,  cujos  fazendeiros  relutavam  em  serem  alijados  da  sua  força  de  trabalho 

tanto quanto os senhores de engenho baianos. 

                                                 

5

 FRAGA FILHO, Walter. Encruzilhadas da liberdade: histórias de escravos e libertos na Bahia (1870-1910). 



Campinas: Editora da Unicamp, 2006. 

6

 Idem, p. 113. 




 

16

Em  seu  estudo  sobre  a  grande  lavoura  em  Rio  Claro,  Warren  Dean  apresenta  o 



mesmo  quadro  de  fugas,  dando  conta  de  que  entre  junho  de  1885  e  março  de  1887  (um 

período  de  21  meses)  471  escravos  deixaram  de  constar  nos  registros  da  região,

7

 

representando uma média de mais de cinco fugas por semana no referido período. Aliados a 



isso também estavam presentes os conflitos judiciais por alforrias e a resistência ao trabalho, 

sendo que este último fator nos últimos meses de 1887 havia de fato chegado à proporção de 

uma “revolta geral”.

8

 



Diante  dessa  situação  –  decerto  bastante  aterradora  do  seu  ponto  de  vista  -  os 

fazendeiros de café procuravam desesperadamente conter a emancipação dentro dos limites de 

suas  próprias  esferas  de  influência,  desde  a  oferta  de  alforrias  a  termo  até  a  libertação  de 

plantéis  inteiros,  sempre  procurando  neste  caso  dar  a  devida  publicidade  nos  jornais  locais, 

mandando publicar matérias e editoriais em tons triunfalistas. 

Esse  ambiente  de  completa  desorganização  no  mundo  rural  e  de  tentativas  dos 

senhores  de  conquistar  a  gratidão  dos  escravos  concedendo  a  liberdade  que  já  era 

praticamente  um  fato  consumado  e  procurando  enredá-los  novamente  na  teia  do 

patriarcalismo foi um traço definidor tanto do momento da abolição quanto da memória que 

iria  se  formar  posteriormente  sobre  a  luta  que  levou  à  extinção  da  escravidão.  Tocando  no 

ponto específico da província de São Paulo, George Andrews assinala que  

 

Embora  os fazendeiros  pudessem tentar  reivindicar os  créditos da  abolição, 



os  observadores  contemporâneos  e  posteriores  reconheciam-na  como  “uma 

vitória do povo – poderíamos acrescentar – uma conquista dos negros livres 

e  escravos”.  Pela  primeira  vez  na  história  brasileira,  um  movimento  de 

massa triunfou sobre os interesses oligárquicos.

9

 

 



Por todo país, os recém alforriados, a população de libertos e seus descendentes, os 

integrantes  do  movimento  abolicionista  e  o  restante  da  sociedade  rejubilava-se,  tomando  as 

ruas em vibrante agitação. O povo em geral e os ex-escravos encontravam-se num estado de 

tremendo  entusiasmo  e  os  jornais  destacavam  o  caráter  eminentemente  popular  não  apenas 

das comemorações de momento, mas também do próprio movimento em prol da abolição. Na 

Bahia,  as  manifestações  “impressionaram  os  observadores  da  época,  pela  quantidade  de 

pessoas  que  ocuparam a  rua”.

10

  Em  diversas  localidades,  as  festas  chegaram  a  durar  muitos 



dias,  incluindo  romarias  a  sítios  de  devoção  dos  antigos  escravos,  passeatas  dos  clubes 

                                                 

7

 DEAN, Warren. Rio Claro: um sistema brasileiro de grande lavoura, 1820-1920. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 



1977. p. 140. 

8

 Idem, p. 141. 



9

 ANDREWS, George Reid. Negros e brancos em São Paulo (1888-1988). Bauru: EDUSC, 1998. p. 75. 

10

 FRAGA FILHO, 2006, p. 126. 




 

17

abolicionistas,  fogos  de  artifícios,  sambas  organizados  nos  terreiros  dos  recém-libertos  e 



demonstrações  efusivas  de  gratidão  e  afeto  dirigidos  ao  Império,  em  especial  à  Princesa 

Isabel, que logo passou a receber a alcunha de “redentora”. 

Por outro lado, outros contemporâneos do primeiro dia treze revelavam grande receio 

em relação às comemorações e aos significados que a festa poderia tomar no futuro: a súbita 

afluência às ruas de uma multidão de milhares de pessoas, cuja grande maioria experimentava 

a  vida  sem  quaisquer  impedimentos  pela  primeira  vez  era  vista  por  muitos  como  algo 

temerário e que anunciava “funestas conseqüências”.

11

 



Para aqueles que haviam acabado de alcançar sua liberdade, bem como aqueles que 

já  a  experimentavam  há  mais  tempo  e  que  tomaram  as  ruas  do  país  para  comemorar  a  Lei 

Áurea – e em especial para seus filhos e netos que mais tarde iriam experimentar diretamente 

as  conseqüências  do  fim  do  cativeiro  -  o  fruto  daquela  atmosfera  dos  últimos  anos  da 

escravidão  foi  o  desenvolvimento  de  uma  concepção  muito  particular  do  que  significava  a 

liberdade.  Os  anos  de  escravidão  incutiram  nas  gerações  de  cativos  da  segunda  metade  do 

século  XIX  um  profundo  sentimento  de  repulsa  em  relação  a  ameaças,  castigos  físicos, 

execução  de  trabalhos  considerados  degradantes  e  –  acima  de  tudo  –  à  contingência  de  não 

poderem  regular  quando  e  como  iriam  trabalhar.  Tal  sentimento  se  traduziu  em  alguns 

padrões de conduta que a partir de treze de maio de 1888 levariam os ex-senhores de escravos 

por todo o Brasil a ficar genuinamente surpresos. 

 

Em  entrevistas  realizadas  com  netos  e  bisnetos  de  escravos  do  Vale  do  Paraíba 



fluminense  e  mineiro,  a abolição aparece  nas  memórias  dos  descendentes  da  última  geração 

de cativos como “um divisor de águas, verdadeiro recurso de periodização e um marco entre 

dois  tempos:  o  do  cativeiro  e  da  liberdade”.

12

  Longe  de  serem  construções  fortuitas,  essas 



lembranças  passadas  de  geração  em  geração  há  mais  de  cem  anos  traduzem  de  maneira 

bastante  aproximada  o  que  representou  a  lei  de  treze  de  maio  não  somente  para  os  últimos 

escravos, mas também para a toda população de origem africana que já não se via mais eivada 

pela marca da escravidão. 

Na  outra  ponta  das  antigas  relações,  a  abolição  despertou  nos  ex-senhores 

sentimentos  que  iam  desde  o  rejúbilo  oportunista  por  terem  com  suas  alforrias  em  massa 

“antecipado  o  inevitável  e  terminado  com  a  escravidão”,

13

  até  a  mais  profunda  desilusão  ao 



                                                 

11

 FRAGA FILHO, 2006, p. 126. 



12

 RIOS; MATTOS, 2005, p. 44. 

13

 ANDREWS, 1998, p. 73. 




 

18

constatar  que  todo  um  mundo  de  tradições,  calcado  na  obediência  e  gratidão  da  força  de 



trabalho das fazendas havia ruído. No Recôncavo, “houve quem deixasse de achar sentido na 

vida,  a  se  ver  privado  dos  serviços  dos  antigos  cativos”,

14

  enquanto  que  na  zona  rural  do 



estado do Rio, a memória dos descendentes de escravos registra um fazendeiro transtornado 

que se pôs a chorar após transmitir a notícia a seus escravos que dali em diante eram livres.

15

 

No  entanto,  o sentimento  geral  parecia  oscilar entre  a  surpresa e  o ceticismo,  como 



aponta  Walter  Fraga  no  caso  exemplar  da  Bahia,  onde  muitos  dos  senhores  de  engenho  se 

viram  absolutamente  perplexos  como  o  novo  padrão  de  conduta  dos  libertos  e  suas  recém-

adquiridas atitudes e linguagem que feriam de forma contundente regras de comportamento e 

deferência que de tão antigas, pareciam incapazes de deixar de existir: 

 

Em diversos engenhos, os ex-escravos negaram-se a receber a ração diária, a 



seguir  para  o  trabalho  no  canavial  e  a  trabalhar  sem  remuneração.  Ao 

afirmarem  o  status  de  livres,  muitos  passaram  a  expressar-se  numa 

linguagem  que  os  ex-senhores  consideraram  “atrevida”  e  “insolente”. 

Naqueles dias, palavras e atos facilmente ultrapassaram os limites do que os 

ex-senhores  entendiam  como  etiquetas  de  respeito  de  deferência.  Poucos 

senhores  não  guardaram  daqueles  momentos  amargas  recordações  da 

maneira como seus cativos passaram a se comportar.

16

 



 

Nas fazendas de café do Rio de Janeiro, ex-senhores e administradores das fazendas 

de café se mostravam “profundamente despreparados”

17

 para negociar coletivamente com os 



ex-cativos que recusavam as propostas de parceria, os valores do salário e o ritmo de trabalho 

propostos.  Isso  se  dava  porque,  de  forma  geral,  tanto  nas  zonas  rurais  de  grande  lavoura  de 

café no sudeste quanto de açúcar no nordeste, o trabalhador egresso da escravidão se tornara 

“excessivamente exigente e sempre pronto a rechaçar condições de trabalho que lembrassem a 

escravidão”.

18

  No  Recôncavo,  um  fazendeiro  reclamava  das  “cabeças  exaltadas”



19

  dos 


libertos,  pela  dificuldade  de  firmar  acordos  de  trabalho  com  os  mesmos.  Nessas 

circunstâncias,  muitos  deles  –  juntamente  com  suas  famílias  -  abandonaram  ostensivamente 

os engenhos de açúcar do Recôncavo sem dar satisfação aos administradores, prática que em 

anos posteriores foi identificada como forma de pressionar por melhores salários.

20

 

                                                 



14

 FRAGA FILHO, 2006, p. 132 

15

 RIOS; MATTOS, 2005: 214. 



16

 FRAGA FILHO, op. cit., p. 129. 

17

 RIOS, Ana Maria Lugão; MATTOS, Hebe Maria. Para além das senzalas: campesinato, política e trabalho 



rural no Rio de Janeiro pós-Abolição. In: CUNHA, Olívia Maria Gomes da; GOMES, Flávio dos Santos (Org.). 




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