Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante



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1.1 - O surgimento de um personagem 
 
No início do anos 90, os sonhos de jovens em se tornar guitarristas ou vocalistas de rock 
estavam mudando. O desejo naquele momento era de se tornar um DJ, capaz de reunir músicas 
em estúdios caseiros com seu próprio computador para mais tarde em clubes de dança, podê-las 
compartilhar  com  pessoas  interessadas  em  dançar.  Todo  essa  euforia  decorreu  do  sucesso 
atingido  pela  música  eletrônica  dançante  nessa  década,  mas  a  história  do  personagem  que 
comandou essa revolução inicia-se quase cem anos antes, quando o gramofone e o  sinal de rádio 
se combinaram e os “primeiros candidatos a DJ apareceram” (Brewster; Broughton, 1999: 26).  
O início da era da reprodução mecânica do som foi marcado pela invenção do fonógrafo 
por  Thomas Edison em 1877, projetando a gravação do registro sonoro com uma agulha sobre 
uma fina folha de estanho cobrindo um cilindro em rotação. Os interesses iniciais em achar fins 
lucrativos para sua invenção não permitiram que Edison pudesse antever as implicações futuras 
do aparelho, fato destacado por Miller em seu artigo para a revista Stylus: 
 
 […]  o  fonógrafo  –  ou  melhor,  as  implicações  estéticas  ,  culturais  e 
comerciais  do  som  gravado  –  transcenderia  a  novidade  de  salão  e 
transformaria,  juntamente  com  outras  formas  de  comunicação,  nada 
menos que o inteiro paradigma da Arte e Cultura do século XX” (2003:1). 
A  popularidade  do  fonógrafo  não  ocorreu  rapidamente.  Buscavam-se  evoluções  nos 
processos  de  transdução  e  novas  patentes  de  aparelhos  similares  foram  aparecendo,  como  o 
gramofone  em  1887.  As  transmissões  radiofônicas  somente  vinte  anos  depois  começaram  a 
incorporar  músicas  ao  seu  sinal.  A  partir  daí,  começa  a  surgir  uma  indústria  fonográfica  que 
ampliou seu repertório dos cantores de ópera com clássicos da música erudita, e mais tarde, com 
a  música  popular  norte  americana  (swing,  blues  e  jazz).  A  unificação  de  um  suporte  de 
reprodução,  o  disco,  introduziu  novas  dimensões  sociais  à  música,  permitiu  a  documentação 
sonora  de  um  repertório  mais  amplo,  englobando  diversas  tradições  e  culturas,  e  possibilitou  a 
compreensão de um material musical, antes só acessível por partituras.  
 A popularização do rádio se deu a partir da evolução da válvula amplificadora e o tubo 
tríodo  que  possibilitaram  uma  efetividade  nas  comunicações,  usadas  essencialmente  nas 


 

transmissões radiotelegráficas e radiofônicas durante a Primeira Guerra Mundial. Nos anos 40, o 
rádio adquiriu o status de um recurso de comunicação destinado a vários propósitos, que iam da 
propaganda  política  à  educação,  mas  teve  no  entretenimento,  um  campo  inédito  na  difusão 
musical,  e  no  disc jockey, o  profissional capaz  de  mediar  todo  esse  processo.  Neste  período,  as 
emissoras  de  rádio  designavam  DJs  para  introduzir  músicas  intercalando-as  com  conversas, 
comédias  ou  outros  tipos  de  performance.  O  termo  disc jockey  foi  usado  pela  primeira  vez  em 
1941 para definir a habilidade do profissional de rádio em manejar discos
1
. A relação inicial com 
setores da indústria da música mostrou-se problemática. Músicos contestavam a perda de espaço 
para  as  transmissões  de  discos  gravados,  gravadoras  apontavam  queda  na  venda  de  discos  e 
organizações ligadas a publicação de gravações reivindicavam os direitos autorais. Entretanto já 
nos anos 50, os DJs começaram a traçar um caminho de ascendência no mercado, como descreve 
Poschardt,  explicando  uma  citação  de  Arnold  Passman  ao  abordar  a  aliança  entre  a  indústria 
fonográfica e o rádio” : 
 
“  [...]  O  rádio  ‘injetou  uma  carga  elétrica  completa  dentro  do  mundo 
fonográfico’,  mas  sem  o  DJ  essa  carga  teria  sumido  sem  uso.  O  rádio,  a 
gravação e o DJ entraram numa simbiose frutífera. O DJ pode montar seu 
programa musical independente de grandes orquestras,  de dificuldades com 
artistas ou improcedências de qualquer tipo. Gravadoras não o contradiziam, 
não  requeriam  direitos  autorais  e  eles  tocavam  qualquer  tipo  de 
música”(1995:41). 
Vencidos os obstáculos nas relações com a indústria musical, fortaleceram-se os produtos 
de entretenimento baseados numa criação musical que incorporava as questões mercadológicas e 
compromissada com a produção de discos para consumo em massa e, nesse cenário, tiveram os 


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