Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante



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5.3 - Protocolo MIDI 
 
No  projeto  Tambortec,  adotamos  o  envio  de  mensagens  MIDI    através  dos  botões  do 
controlador  de  video  games  e  do  pedal  controlador  como  base  da  tradução  das  informações 
relacionadas à performance e às atividades de controle dentro do sistema. Tratando-se portanto, 


 
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de  um  protocolo  fundamental  dentro  do  sistema  musical  proposto,  consideramos  relevante  um 
detalhamento nos conceitos que envolvem essa interface de conexão entre equipamentos digitais.  
MIDI  é  uma  linguagem  de  comunicação  digital,  conceituada  também  como  uma 
especificação  entre  equipamentos  compatíveis  que  permite  a  conexão  entre  instrumentos 
eletrônicos, controladores de performance e computadores, dentre outros aparatos, possibilitando 
uma  comunicação  entre  si  através  de  um  rede  de  trabalho  (Huber;  Runstein,  2005:  302).  A 
tradução de eventos relatos à performance em mensagens digitais tem como propósito o controle 
da geração e reprodução de sons digitais, a transmissão de dados ligados ao tempo, denominado 
timecode  e  o  disparo  de  comandos.  A  rede  de  conexão  promovida  pelo  protocolo  MIDI  é 
enfatizada  por  Huber  e  Runstein,  em  suas  abordagens  sobre  a  tecnologia  aplicada  à  música 
eletrônica: 
 
“A  verdadeira  beleza  do  MIDI  reside  na  sua  capacidade  de  transmitir 
dados  que  podem  ser  facilmente  compreendidos  e/ou  gravados  pelos 
equipamentos  de  hardware    e  pelos  softwares,  com  o  propósito  de 
comunicar digitalmente a linguagem em tempo real da música e o controle 
do  sistema  relacionado,  tudo  através  de  uma  rede  de  conexões”  (2005: 
302). 
Um  cabeamento  entre  portas  de  entrada  e  saída  permite  que  dados  MIDI  sejam 
transmitidos  entre  dispositivos  e/ou  instrumentos  em  até  16  canais.  O  estabelecimento  dessa 
comunicação  realiza-se  com  cabos  MIDI,  via  USB  (Universal Serial Bus)  ou  com  conexão  em 
rede. As portas são os pontos de entrada de informações digitais na conexão entre aparelhos e se 
apresentam como: MIDI in, que recebe mensagens MIDI de uma outra fonte e comunica dados 
de performance, controle e tempo ao dispositivo; MIDI out, que Mensagens de um aparelho para 
outro  e  MIDI  thru  que  recebe  mensagens  como  o  MIDI  in,  porém  permitindo  um  fluxo  dessas 
informações  para  outros  aparelhos  inseridos  numa  cadeia  de  equipamentos  conectados  pelo 
protocolo. 
Enquanto os cabos e portas fazem parte das especificações relacionadas ao hardware, as 
mensagens  que  passam  por  esse  trajeto  também  são  relatadas  como  especificações  MIDI  como 
channel  messages  e    system  messages.  As  channel  messages  podem  ser  transmitidas  pelos 
dezesseis canais disponíveis e são usadas para “[...] transmitir dados da performance em tempo 


 
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real  através  de  um  sistema  MIDI,  informação  gerada  quando  um  instrumento  MIDI  é  tocado, 
selecionado  ou  variado  pelo  performer”  (Huber;  Runstein,  2005:  309).  Essas  mensagens 
transmitidas  entre  canais  e  também  endereçadas  a  dispositivos  do  sistema  de  conexões 
apresentam-se em sete tipos:  
•  Note on – indica  o  começo  de  uma  nota  MIDI  e  é  gerada  a  partir  de  um  disparo  de  um 
teclado,  pad  de  bateria  eletrônica  ou  outro  dispositivo  MIDI.  Este  tipo  de  mensagem 
consiste  em  três  informações  básicas:  canal  MIDI  (channel  number),  altura  (pitch 
number) e velocity, termo para designar o volume da nota. 
•  Note off – indica o fim da nota MIDI, embora não represente um corte do som, mas uma 
mensagem que determina o decaimento do som gerado pela mensagem note on
•  Polyphonic  key  pressure  –  mensagens  transmitidas  por  instrumentos  que  podem 
responder a diferentes pressões nas teclas do instrumento. 
•  Aftertouch  –  mensagens  também  relacionadas  à  pressão  exercida  sobre  a  tecla,  mas 
atribuída  a  outras  variáveis  como  o  pitch  bend  que  infere  sobre  a  altura  da  nota  ou  a 
distribuição espacial do som no equipamento reprodutor (panning). 
•  Program change – informação que modifica o som gerado ou o número de programação 
de um instrumento MIDI, definindo um outro banco de sons, por exemplo. A mensagem 
constitui-se também de duas informações: canal MIDI (channel number) e um número de 
identificação ( ID number). 
•  Control  Change    mensagens  com  informações  sobre  o  controle  de  parâmetros  de  um 
instrumento  MIDI  em  tempo  real,  tais  como  volume,  balanço,  modulações  e 
espacialização.  Três  tipos  de  controle  em  tempo  real  são  usados  para  a  comunicação 
através de mensagens control change , controladores contínuos com valores entre 0 e 127 
(continuous controller),  interruptores  do  tipo  “liga-desliga”  e  controladores  que  enviam 
dados  a  partir  de  teclados  numéricos  ou  setas  de  “sobe-desce”  (up-down)  presentes  em 
equipamentos MIDI. 


 
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•  Pitch bend  -  O  dispositivo  de  pitch bend  é  usado  para  alterar  a  afinação  da  nota;  esses 
dispositivos ficam à esquerda do teclado e podem ter o formato de alavanca, joystick ou 
“roda” (wheel). Outros controles usuais são os pedais de sustain e os controles deslizantes 
e rotativos no painel do instrumento.  
 
As systems messages são mensagens enviadas a todos dispositivos dentro de uma cadeia 
MIDI e independem do canal ao qual se atribui o envio de channel messages. São usadas para a 
transmitir  codificações  do  tempo,  sincronizar  drum  machines  com  equipamento  externo  ao 
sistema, dentre outras funções aplicadas aos aparelhos conectados dentro de um sistema. 
Limitações  são  apontadas  no  protocolo  MIDI,  embora  autores  enfatizem  as  conquistas 
desta  tecnologia  dos  anos  80,  como  Kirk  (1999),  e  Huber  (2005),  nos  aspectos  referentes  ao 
crescimento  da  moderna  indústria  tecnologica  musical  e  nas  facilidades  em  ligar  peças  de 
equipamento  radicalmente  diferentes  entre  si.  As  possibilidades  oferecidas  a  um  novo  tipo  de 
público,  “[...]  pessoas    envolvidas  em  música  que,  de  outra  maneira,  por  limitações  físicas  ou 
falta de acesso ao aparato necessário, poderiam não estar nessa condição” (Kirk, 1999: 114). Os 
questionamentos da especificações MIDI são relacionados a uma largura de banda limitada, numa 
transmissão  de  três  bytes  por  milissegundo  que  pode  ser  impossibilitada  na  transmissão  de 
mensagens do tipo continuou controllers, quando destinadas aos 16 canais (1999:115). As notas 
produzidas  em  torno  de  instrumentos  de  teclado  não  apresentam  características  específicas  de 
outros instrumentos, como  nos instrumentos de sopro com seus vibratos e glissandos. Também 
as possibilidades de codificar o tempo que rege diferentes dispositivos dependentes de um pulso, 
tais como drum machines e sequenciadores, e mantê-los sincronizados gera um fluxo grande de 
informações, o que pode implicar num processamento mais lento (1999:115).  
Apesar  dos  limites  da  linguagem  MIDI,  o  protocolo  permeia  a  indústria  da  música  até 
hoje,    mais  de  30  anos  depois  do  seu  lançamento  em  1983  (Landino,  2013).  Kirk  aponta  um 
futuro  para  o  MIDI  atrelado  à  necessidade  de  estender  o  controle  musical  com  o  uso  de  mais 
portas MIDI de conexão, incorporar a linguagem a protocolos de rede, como Ethernet, ou buscar 
a substituição por protocolos de múltiplas mídias e mais velozes (1999: 115). Contudo, atestamos 


 
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uma valorização da linguagem MIDI na bibliografia consultada e destacamos o panorama traçado 
por Huber e Runstein para a aplicação do protocolo na produção musical: 
 
“Assim que se atribui um canal e porta MIDI para cada instrumento e/ou 
dispositivos  de  efeitos,  você  pode  entrar  na  área  de  atribuir  sons,  editar 
sequências,  mixar  via  MIDI,  sincronizar  vários  tipos  de  mídia  e 
equipamentos  no  seu  sistema  e,  mais  importante,  fazer  música.  Como 
todos  sabemos,  tecnologia  não  é  sempre  transparente  ou  livres  de 
problemas.  Há  muito  a  aprender,  mas  assim  que  se  domina  o  básico  do 
MIDI e da produção eletrônica de música, transforma-se o estúdio em um 
parque”(2005: 346). 
Na  elaboração  do  sistema  Tambortec,  o  protocolo  foi  a  base  da  comunicação  entre  os 
controladores  e  o  computador.  A  eficiência  ressaltada  pelos  autores  foi  demarcada  pelo 
mapeamento  de  várias  açoes  usando  mensagens  MIDI,  assim  como  pelo  escalonamento  de 
valores obtidos em processos interativos para os valores do protocolo, como mencionado entre 0 
e 127. 
 
 


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