Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante



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Ta e Na – Sílabas usadas para os sons agudos e ressonantes obtidos na borda do tambor 
pelos  dedos  da  mão  direita  e  esquerda,  respectivamente.  Também  comumente  aplicadas  na 
percussão indiana, mais notadamente no vocabulário das tablas presentes na tradição musical do 
norte do país. 
Tuh – Sílaba  aplicada  ao  toque  fechado  sem  ressonância,  obtido  pela  palma  da  mão  ao 
centro do instrumento e também emprestada da tradição indiana no trabalho de uniformização da 
nomenclatura  de  Fagiola.  A  permanência  da  mão  sobre  a  pele  após  o  toque  por  uma  fração 
infinitesimal de tempo atesta a característica seca do som produzido por esse toque. 
O  frame drum  utilizado  possui  10  polegadas,  é  afinável  em  seis  pontos  e  não  apresenta 
guizos  ou  platinelas  em  sua  constituição  (fig.  13).  A  pele  adotada  foi  um  modelo  plástico  de 
superfície porosa com um círculo preto ao centro, atenuando a ressonância do tambor.  
Rossing (2000) divide os tambores de percussão em instrumentos de altura definida e não 
definida.  Na  primeira  categoria,  inclui  os  tímpanos,  tablas  e  roto-toms.  Os  frame  drums 
encaixam-se na linha onde se situa a maioria dos tambores - instrumentos de percussão de altura 
indefinida, “[...] com um sentido de altura mais fraco [...]” que os tambores inseridos na primeira 
categoria  (Rossing,  2000:  26).  Embora,  apresentem  um  relativo  senso  de  altura,  os  tambores 
exibem um espectro inarmônico e a identificação de uma “fundamental” provém das notas não 
abafadas do instrumento (Schloss, 1985: 86). O autor enfatiza particularidades na percepção das 
alturas em tambores como um estudo teórico à parte, e detêm-se nos picos do espectro dos sons 
abertos e ressonantes como informações suficientes em aplicações relacionadas à transcrição de 
instrumentos de percussão de altura indefinida.  
Os  formatos  de  onda  dos  toques  dum  e  ta  denotam  um  envelope  dinâmico  com  um 
decaimento  de  620  e  430  ms  (fig.  15).  Relacionando  o  tempo  de  queda  da  pressão  sonora  de 
ambos  os  sons,  com  o  decaimento  do  toque  seco  e  curto  do  tuh,  atestamos  a  ressonância 
preponderante no sweet spot e na borda do instrumento. 
 


 
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Fig. 15 – Formatos de onda dos toques dum, ta e tuh 
 
A  representação  gráfica  do  espectro  para  os  toques  abertos  (dum  e  ta)  no  frame  drum 
utilizado no projeto assinala três modos de vibração em relação não harmônica. Primeiramente, 


 
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uma frequência fundamental centrada em aproximadamente 130 Hz (próxima a um C3) mantém-
se no toque dum e nos sons de borda com o toque ta, embora apresentando mais energia no som 
grave do dum. Um pico em torno de 212 Hz e outro em 319 Hz também fazem-se presentes em 
ambos  os  toques.  Os  sons  de  borda  ta e  na expõem  uma  energia  maior  na  primeira  e  segunda 
parcial  se  comparados  aos  sons  do  toque  dum.  A  observação  dos  sonogramas  mostra  um 
decaimento  mais  rápido  na  região  média  do  tambor  a  partir  do  ataque  na  borda,  quando 
equiparado ao som grave ressonante (fig. 16). 
 
 
fig. 16 – Gráfico da amplitude pela frequência (esquerda) e sonograma de 
dois tipos de toque – dum e ta (direita) 
 
Fica  evidenciada  uma  diferença  timbrística,  simplesmente  distinguida  como  grave  e 
agudo,  paralelamente  centro  e  borda,  onde  se  destaca  a  permanência  da  fundamental  e  suas 


 
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parciais inarmônicas durante todos os toques percutidos nessas regiões. A figura 17 mostra uma 
comparação  entre  os  espectros  dos  toques  abertos  dum  e  ta,  evidenciando  a  distinção  das 
amplitude  das  parciais  entre  os  dois  sons.  Portanto,  notas  de  borda  contém  mais  energia  nas 
parciais em torno de 212 e 319 Hz se comparadas à notas geradas no sweet spot que, por sua vez, 
exibem uma amplitude maior na fundamental do que os toques ta
 
 
Fig. 17 – Sobreposição da representação gráfica do espectro dos toques dum  e ta 
 
A  observação  destas  distinções  das  amplitudes  relativas  às  componentes  espectrais  nos 
toques  graves  e  agudos  do  tambor  mostraram-se  relevantes  na  configuração  de  filtros  e 
dispositivos para descrição do áudio usados no projeto e cujo detalhamento será descrito no sexto 
capítulo. 
 


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