Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante


 - Instrumento de percussão como interface



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5.2 - Instrumento de percussão como interface 
 
A  definição  de  um  instrumental  de  percussão  que  contemplasse  a  idéia  de  atuar  como 
interface dentro de um sistema interativo para dance music deu-se a partir de reflexões dentro dos 
conceitos estéticos e performáticos do estilo de música eletrônica definido no projeto, a eletrônica 
dançante.  A  vasta  coleção  de  instrumentos  que  um  percussionista  tem  ao  seu  dispor  expõe 
diversos  caminhos  na  definição  do  instrumento  ideal  para  uma  situação  musical  específica. 
Tambores  variados,  pratos,  gongos  e  efeitos,  além  dos  teclados  de  percussão  habitam  um 
universo  de  escolhas  múltiplas.  Num  sistema  para  performance  de  música  eletrônica  dançante 
incluindo  instrumentos,  uma  formação  com  percussão  vale-se  de  instrumentos  com  uma 


 
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timbrística  que  possa  competir  com  as  sonoridades  eletrônicas  das  drum  machines  e 
sintetizadores,  acrescentando  novos  elementos  sonoros  à  performance.  Comumente,  tambores 
tocados com baquetas, de tomtoms a bongôs, oferecem características interessantes, pois mantém 
a  condução  rítmica  numa  amplitude  sonora  que  encontra  seu  espaço  frente  à  potência  sonora 
elevada, típica na performance da eletrônica dançante.  
Contudo, o presente trabalho seguiu uma direção distinta no que diz respeito à definição 
do instrumental a ser utilizado no sistema interativo proposto. Procurou-se encontrar um tambor 
único,  cujo  campo  de  trabalho  favorecesse  os  aspectos  visuais  inerentes  à  performance  e,  ao 
mesmo tempo, possibilitasse a expansão de seus recursos mediante a inserção de sensores em seu 
corpo. O delineamento instrumental para o projeto segundo esses parâmetros de busca chegou a 
um  tipo  de  tambor,  denominado  frame  drum,  como  instrumento  apropriado  por  suas 
características sonoras, visuais e físicas. 
frame drum é um nome genérico para definir tambor de uma pele e cuja largura é maior 
que  a  profundidade.  Encontrado  em  diversas  culturas  com  nomes  diversos,  o  frame  drum  é 
reputado  como  um  instrumento  dos  mais  antigos.  Com  corpo  tradicionalmente  em  madeira 
apresenta  uma  diversidade  nos  tipos  de  peles  animal,  uso  de  platinelas  e  guizos,  bem  como  a 
presença de esteiras ressonantes. Tipicamente executado com a mão, embora algumas tradições 
apontem o uso de baquetas, o frame drum apresenta-se como um tambor leve e de fácil manuseio, 
características  relevantes  quando  se  intenciona  estender  a  técnica  do  instrumento  através  da 
inserção  de  sensores  de  movimento  e  microfones  convencionais  atados  ao  seu  corpo.  Assim,  o 
projeto definiu um frame drum como interface instrumental para o sistema Tambortec. 
Basicamente, existem três posições de execução na técnica dos frame drums: seguro por 
uma mão, apoiado ao joelho e com mãos livres e posicionado entre as pernas (Fagiola, 2000: 4). 
O  suporte  do  tambor  com  as  mãos  é  a  técnica  comumente    mais  usada  em  diversas  culturas, 
associada a estilos no Oriente Médio, norte da África e sul da Índia. O autor enfatiza aspectos da 
performance  com  essa  posição  onde  “[...]    pode-se  andar  enquanto  se  toca”  (2000:  4).  Glen 
Veléz,  aclamado  artista  na  área  da  percussão  étnica,  aponta  o  papel  da  mãos  nessa  posição  de 
sustentação  do  tambor  (2013:  30  apud.  Robinson)  .  Atribui  à  mão  livre  a  força  dos  toques, 
nomeando-a  “mão  forte”.  Por  sua  vez,  a  mão  que  segura  o  instrumento  realiza  a  rotação  do 
tambor  para  se  acionar  platinelas  ou  “facilitar  movimentos  com  a  mão  forte”.  Também  nessa 


 
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mão,  Veléz  ressalta  as  possibilidades  de  se  alterar  a  altura  do  instrumento,  mediante  pressão 
exercida  sobre  a  pele,  além  de  uma  execução  mais  ampliada  decorrente  da  inclusão  de  toques 
articulados  pelos  dedos  (2013:  31).  A  técnica  na  execução  do  frame drum utilizado no  projeto 
adotou  essa  posição  de  se  segurar  o  instrumento  com  uma  mão,  considerando  a  relevância  da 
mobilidade destacada por Fagiola (2000: 4) e os recursos técnicos apontados por Veléz em sua 
entrevista para N. Scott Robinson publicada na revista Percussive Notes (2013: 30). 
A técnica do instrumento aponta três toques básicos típicos na execução dos frame drums 
presente  em  diversas  culturas:  toque  ressonante  e  grave  próximo  ao  centro  do  tambor,  toque 
agudo  na  borda  do  instrumento  e  um  toque  abafado  e  seco  com  a  palma  da  mão  sobre  a  pele.  
Historicamente, o uso de um solfejo rítmico baseado em uma silábica correspondente aos toques 
sobre a pele tem sido o meio pelo qual ritmos e toques são transmitidos e ensinados em várias 
culturas  musicais  ao  redor  do  mundo  (Fagiola,  2000:  6).  Uma  uniformização  na  nomenclatura 
dos toques dos frame drums é utilizada pelo mencionado autor no livro Frame Drumming (2000), 
sendo adotada na presente pesquisa. A figura 14 exibe as regiões da pele percutidas com os dedos 
correspondentes. 
 
Fig. 14 – Tipos de toque no frame drum 
 
Dum – Sílaba  comum  nas  tradições  do  Oriente  Médio,  Norte  e  Sul  da  Índia  usada  para 
nomear  o  toque  grave  e  ressonante  obtido  com  o  indicador,  anular  ou  polegar  numa  região 
próxima ao centro da pele. Essa área é denominada sweet spot do tambor, onde obtém-se o som 
mais “rico e cheio” do instrumento. 

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