Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante


 –   Sistemas musicais interativos - conceitos



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4.2 –
 
Sistemas musicais interativos - conceitos
 
 
Nos sistemas interativos musicais, as ações do músico são trazidas ao computador através 
de interfaces, gerando um resultado sonoro em resposta a essas ações. Nessa relação, a mediação 
tecnológica  pode  interferir  na  performance  musical,  num  diálogo  que  ultrapassa  os  limites  de 
respostas totalmente previsíveis aos comandos do intérprete. Aos compositores, cabe o papel de 
desenvolver algoritmos para produzirem respostas que venham ao encontro de estéticas musicais, 
guiadas  ou  não  pela  imprevisibilidade,  ampliando  sua  atuação  nas  áreas  de  improvisação 
(Drummond, 2009: 126). 
Os sistemas musicais interativos normalmente não definem um estilo, sendo aplicados em 
diferentes  contextos,  de  instalações  à  criação  de  novos  instrumentos.  De  fato,  são  projetos  que 
entrelaçam “[...] distinções tradicionais entre composição, construção de instrumentos, design de 


 
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sistemas  e  performance”  (Drummond,  2009:  124).  Embora,  sistemas  calcados  na  interatividade 
musical já tivessem sido utilizados desde o fim dos anos 60, o termo  Interactive Composing  foi 
proposto  por  Joel  Chadabe  na  década  de  80,  tentando  descrever  as  mútuas  influências  entre 
instrumentistas e instrumentos interativos na criação de uma resposta musical final e nos diversos 
papéis assumidos pelo compositor, quando do desenvolvimento de tais trabalhos – projetista de 
instrumentos, programador e performer. 
Num  vasto  panorama  de  definições,  autores  classificaram  esses  sistemas  sob  diversas 
óticas, como Robert Rowe (1993: 6) em seu livro Interactive Music Systems, no qual estabelece 
dimensões,  cujos  atributos  são  combinados  buscando  uma  classificação  ainda  “grosseira”, 
segundo o próprio autor. Primeiramente, Rowe define dois sistemas: 
 
•  score-driven, onde  o  computador  previamente  acolhe  a  estrutura  composicional, 
trilha a performance em tempo real, acomodando-se a súbitas variações. 
•  performance-driven, onde os sons captados são os objetos geradores das respostas 
do sistema.  
 
Rowe também classifica essas respostas, subdividindo-as: 
 
•  Respostas  transformativas,  com  um  uso  de  filtragens  diversas,  inversões, 
transposições e sínteses. 
•  Respostas generativas, com geração independente de sons. 
•  Respostas  sequenciadas,  a  partir  de  material  sonoro  já  coletado  e  disposto  à 
execução em sequências.  
 
Rowe chega a sua terceira dimensão classificatória voltando-se ao comportamento de um 
sistema que pode oscilar entre o paradigma do instrumento - onde o funcionamento é similar ao 
instrumento  tradicional  com  controle  direto;  e  o  paradigma  do  executante  –  onde  uma 
independência e autonomia virtual da máquina permite um diálogo com o performer. 


 
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O  autor  define,  de  uma  maneira  bem  simples,  a  anatomia  do  sistema  interativo  em  três 
estágios funcionais, começando com o sensoriamento e seus processos de captação. Em seguida, 
vem o processamento feito no computador pela aplicação de algoritmos e, por fim, o estágio de 
resposta através da síntese  e do processamento, ambos em tempo real. 
 
 
No primeiro estágio (aquisição), coleta-se dados capturados da performance. Nessa etapa 
inclui-se  todo  o  sortimento  de  dispositivos  para  a  entrada  de  dados  -  de  controladores  MIDI  a 
sensores diversos. A leitura e interpretação do material enviado ao computador marca o segundo 
estágio,  o  processamento.  A  cadeia  final  concretiza-se  na  resposta,  onde  o  sistema  exibe  uma 
saída  musical,  por  sua  vez  ampla  em  possibilidades  que  vão  da  simples  conversão  analógico-
digital ao comando de instrumentos externos agregados ao projeto. 
O mapeamento dos gestos, a criação de interfaces e a extração de informações a partir de 
sons e movimentos começaram a fazer parte dos novos caminhos na composição desses sistemas. 
As  decisões  tomadas  nas  reações  musicais  pelos  intérpretes  passaram  a  fazer  parte  do  âmbito 
composicional, posicionando  questões  sobre  performance e  improvisação no foco de  atividades 
do  compositor.  A  colaboração  dos  instrumentistas  nessas  tarefas  contribuiu  para  a  criação  de 
sistemas mais dinâmicos, com projetos de instrumentos eletrônicos interativos, além de melhores 
traduções  colaborativas  dos  gestos  musicais  nos  mapeamentos  necessários.  Num  sistema 
interativo,  o  performer  não  está  com  o  controle  de  tudo;  “[...]  algumas  forças  externas  e 
imprevisíveis, não importando sua real origem ou força, afetam o sistema e a saída é resultante 
dessa  permanente  luta”  (Jordà,  2007:  95  apud.  Collins;  d’Escrivan).  O  centro  de  atenção  do 
performer  para  um  detalhamento  em  todos  os  níveis  é  aguçada  na  surpresa  e  no  diálogo  da 
imprevisibilidade.  A  vértebra  da  música  Ocidental,  a  nota,  torna-se  uma  opção  cercada  pela 
macroestrutura da forma e pela microestrutura do sons. O diálogo entre músico e instrumento é 


 
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enfatizado nos sistemas interativos, produzindo resultados inesperados, seja pela não linearidade, 
pela aleatoriedade ou pela inapreensível complexidade (Wrinkler, 1998). 
 
 
 

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