Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante



Baixar 15.96 Mb.
Pdf preview
Página30/72
Encontro30.06.2021
Tamanho15.96 Mb.
#13779
1   ...   26   27   28   29   30   31   32   33   ...   72
4.1 –
 
Música computacional 
 
 A  computação  e  música  apresentam  suas  primeiras  relações  no  final  da  década  de  50, 
uma parceria marcada pela busca de um controle composicional minucioso com implementações 
detalhadas do computador, contudo com as limitações estabelecidas pelo poderio tecnológico das 
máquinas  em  uso.  Pioneiro  da  abordagem  computacional  na  música,  Max  Mathews  trabalhou 
inicialmente com computadores incapazes de lidar com o imenso número de cálculos necessários 
numa  performance  ao  vivo,  máquinas  que  demandavam  horas  de  programação  e  espera  pelo 
resultado sonoro. Seu primeiro trabalho intitulado Music I foi finalizado em 1957, um programa 
para  geração  de  sons  pelo  computador  (Chadabe,  1997:  108).  O  pensamento  de  Mathews  na 


 
61 
música  produzida    por  computadores  apontou  para  questões  relativas  à  performance,  como 
apontam Kirk e Hunt: 
 
“  Enquanto  muitos  compositores  ao  redor  do  mundo  estavam  ocupados 
seguindo  a  filosofia  do  MUSIC  IV  e  se  tornando  programadores,  Max 
Mathews  preocupava-se  com  a  falta  de  interface  para  performance. 
Músicos usando programas da ‘série MUSIC não obtinham uma resposta 
interativa,  portanto  não  podiam  realmente  ‘performar’.  Isso  era  deixado 
inteiramente para o computador ” (1999: 23). 
As  ideias  de  Mathews  prenunciavam  caminhos  a  serem  traçados  na  conectividade  entre 
performer e máquina. Nos anos 60 e princípio dos 70, os computadores ainda eram equipamentos 
de  alto  custo  e  não  preparados  para  geração  sonora  em  tempo  real.  Embora  as  montagens 
envolvessem  ainda  equipamentos  analógicos,  um  novo  campo  se  instaurou,  com  seu  progresso 
dependente da evolução computacional para aumentar seu escopo de conectividade. As palavras 
de  Chadabe  descrevem  suas  impressões  sobre  a  interatividade  na  performance  de  Ideas  of 
Movement at Bolton Landing (1971), um sistema composto de osciladores, filtros, moduladores, 
amplificadores e sequenciadores gerando padrões aleatórios. 
 
“Era  uma  rede  complexa  de  interconexões  modulares  que,  como 
intencionado,  causavam  um  certo  balanço  entre  a  previsibilidade  e  a 
surpresa.  Por  estar  compartilhando  controle  da  música  com 
sequenciadores, eu estava tendo um controle parcial da música, e a música, 
consequentemente,  contendo  elementos  surpreendentes,  bem  como 
previsíveis. A surpresa faz me reagir. A previsibilidade me faz sentir que 
exerço algum controle. É como conversar com um amigo inteligente, que 
nunca  se  chateia,  ou  contrário  é  sempre  responsivo.  Eu  estava,  de  fato, 
conversando  com  um  instrumento  musical  que  parece  ter  sua  própria 
personalidade interessante” (1997: 287). 
O  compositor  refere-se  a  respostas  obtidas  em  processos  que  incluem  o  controle  do 
intérprete,  bem  como  respostas  geradas  randomicamente.  A  reação  do  performer  a  resposta  da 
máquina estabelece um diálogo, ficando assim instalada uma relação interativa. 
A partir da década de 80, a  revolução digital trouxe à tona novas estratégias de produção 
musical. O surgimento de instrumentos digitais com suas possibilidades de comunicação através 


 
62 
do protocolo MIDI provocou mudanças na produção eletroacústica. Na área da música interativa, 
reconhecer  um  sinal  musical,  seguir  uma  partitura,  escalonar  eventos  musicais  e  sequenciá-los 
tornaram-se  tarefas  possíveis  ao  computador  e  determinaram  mais  um  passo  na  elaboração  dos 
sistemas musicais interativos. 
A  versatilidade  e  flexibilidade  das  máquinas  nos  anos  90  permitiram  uma  definitiva 
eclosão  na  música  computacional  em  tempo  real.  Softwares  gráficos  de  programação,  como  o 
Pure Data (Puckette 1996) e o MAX/MSP (Puckette 2002), foram responsáveis por uma vertente 
infinita de possibilidades na criação musical em computadores, “[...] fato marcante na aceitação 
do laptop como instrumento musical” (Jordà, 2007: 94 apud. Collins; d’Escrivan). Inicialmente, o 
processamento  computacional  trabalhava  com  um  fluxo  de  dados  onde  o  protocolo  MIDI  e  a 
criação  de  interfaces  gráficas  desempenhavam  papéis  estruturais.  Ao  final  dessa  década,  o 
cenário  ampliou-se  com  a  possibilidade  de  processamento  de  áudio  em  tempo  real,  função 
outrora  destinada  a  aparelhos  dedicados,  como  samplers  e  processadores  de  efeitos. 
Naturalmente,  músicos  e  compositores  sem  formação  específica  em  programação  passaram  a 
integrar  o  quadro  de  usuários  de  programas  gráficos  voltados  à  criação  artística,  local  antes 
ocupado por pesquisadores em meios acadêmicos. 
 


Baixar 15.96 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   26   27   28   29   30   31   32   33   ...   72




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal