Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante



Baixar 15.96 Mb.
Pdf preview
Página28/72
Encontro30.06.2021
Tamanho15.96 Mb.
#13779
1   ...   24   25   26   27   28   29   30   31   ...   72
build-up 1. Aqui introduz-se uma referência timbrística e rítmica aos hooks que permearão toda a 
composição  nas  seções  subsequentes.  Denotamos  também  a  entrada  de  outro  sintetizador  com 
uma  nota  fixa  em  Eb2  e  com  um  desenho  rítmico  similar  ao  do  chimbal  com  colcheias  no 
contratempo.  O  baixo  com  seu  caráter  complementar  ao  loop  desenvolve  uma  movimentação 
rítmica nos dois últimos tempos de cada compasso, mas ainda fixado em A1. Uma varredura feita 
numa  amostra  de  ruído  branco  entre  100  e  8kHz  destaca-se  no  sonograma  juntamente  com  a 
aumento da intensidade sonora do sintetizador com a nota fixa em Eb2 ao final do build-up (fig. 
4). 
 
fig. 4 – Sonograma do final da introdução  
 
 


 
53 
 
A  seção  seguinte  é  caracterizada  pela  repetição  de  blocos  de  8  compassos  com  o 
acréscimo  de  variações  do  hook, notadas  tradicionalmente  na  figura  5.  A  condução  do  groove 
permanece,  entretanto  expondo  um  baixo  atuando  nos  contratempos  e  fixando  uma  nota 
fundamental em Eb1 (fig. 6).  
 
 
fig. 5 – Motivo melódico (hook
 
 
fig. 6 – Linha de baixo e bateria no primeiro corpo 
 
O  primeiro  corpo  contém  um  bloco  intermediário  onde  mantém-se  a  condução,  contudo 
sem  o  fragmento  melódico,  como  exibido  no  sonograma  da  figura  8,  onde  não  se  denota  a 
ocupação  da  faixa  de  frequências  em  torno  de  640  Hz,  onde  se  situam  a  fundamental  desses 
motivos curtos (fig. 7a). As transições entre os blocos que compõem essa seção são produzidos 
com o mesmo som harmonico presente na intro e a supressão das frequências abaixo de 250 Hz 
caracterizam os fill-ins nos compassos antecedentes a cada nova repetição (fig. 7b). O build-up 
produzido nessa seção apresenta as mesmas características da construção do build-up 2 da seção 
introdutória,  porém  diferenciando-se  em  relação  à  duração,  com    cinco  compassos  onde  um 
espalhamento  de  frequências  de  ruído  branco  (entre  1  e  8  kHz)  torna-se  significante  no  último 
compasso (fig. 7c). A partir daí, a curta melodia do hook é retomada e oito compassos depois é 


 
54 
adicionada uma amostra de voz na faixa de 2 kHz que mantém-se até o final do primeiro corpo 
(fig. 7d). 
 
 
fig. 7 – Sonograma do primeiro corpo 
 
Um novo fragmento melódico define a ponte da composição, onde o timbre utilizado nos 
hooks do  primeiro  corpo  funde-se  gradualmente  a  um  sintetizador  de  som  metálico,  realizando 
em uníssono o desenho melódico notado na figura 8. 
 
fig. 8 – Fragmento melódico da ponte 
 
O sonograma da ponte exibe a fusão gradual de timbres do hook, bem como o corte nas 
frequências abaixo de 150 Hz no bumbo, contudo mantendo a linha de baixo em Eb2 (fig. 9a). 
Essa  condução  grave  é  suspensa  no  quinto  compasso  da  ponte,  permanecendo  a  repetição  do 
novo motivo exposto pelo timbre sintético percussivo usado ao longo da composição (fig. 8) em 
uníssono com o timbre metálico de outro sintetizador (fig. 9b). Um ataque de percussão forte em 
torno de 110 Hz no quarto tempo do último compasso da ponte anuncia a próxima seção (fig. 9c). 


 
55 
 
 
Fig. 9 – Sonograma da ponte 
  
 
O  segundo  corpo  é  composto  por  3  blocos  de  8  compassos  com  motivos  melódicos  e 
conduções  de  baixo  e  bateria  já  utilizados  anteriormente.  Observamos  a  repetição  da  idéia  do 
bloco  intermediário  gravado  no  primeiro  corpo  (fig.  7a),  onde  a  supressão  do  hook  e  a 
manutenção das linhas de baixo e bateria juntamente com sintetizador nos contratempos com a 
nota  em  Eb3    ressaltam  o  conteúdo  grave  do  espectro    (fig.  10a).  Portanto  inicia-se  essa  nova 
parte contrastando com a ênfase nas frequências médio-agudas do fim da seção anterior. Nesse 
bloco,  com  um  groove  centrado  na  região  abaixo  de  300  Hz  ocorre  uma  intervenção  de  uma 
célula rítmica com um timbre de percussão em 1500 Hz (fig. 10b). Os outros dois blocos expõem 
o motivo melódico notado na figura 6 como acontece no primeiro corpo. Assinalamos o elemento 
composicional utilizado nos compassos que antecedem os blocos seguintes. O fill-in é o motivo 
melódico registrado na ponte da composição (fig. 8), apresentando igualmente uma suspensão na 
condução  de  baixo  e  bateria  (fig.  10c).  A  reexposição  do  hook  pelo  sintetizador  com  o  timbre 
percussivo  conduz  o  discurso  até  o  um  novo  build-up  produzido  com  os  mesmas  texturas  das 
transições anteriores – varredura com um filtro passa altas em ruído branco agregado a um som 
harmônico fundamentado em 624 Hz (fig. 10d). Destaca-se nessa transição, a suspensão da linha 


 
56 
de baixo e bumbo e um preenchimento sonoro na faixa de 230 khz, realizado por um crescendo 
nos ataques de caixa ritmicamente gravados em colcheias (fig. 10e).  
 
Fig. 10 – Sonograma do segundo corpo 
 
A  produção  desta  faixa  de  tech  house  segue  com  o  breakdown,  seção  usual  nas 
composições  de  dance  music  como  mencionado  anteriormente.  Contudo,  o  repouso  típico 
assinalado  por  Griffiths  (2013:15)  não  ocorre  na  faixa  de  Portman.  A  permanência  de  uma 
condução de bateria com a mesma equalização da introdução, portanto evidenciando o corte de 
frequências abaixo de 120 Hz, destaca-se no início do  breakdown (fig. 11a). A linha de baixo em 
Eb2 (156 Hz) mantém-se no início da seção, mais vai gradualmente perdendo energia (fig. 11b). 
Juntamente  com  esses  elementos  do  groove  superpõe-se  texturas  provenientes  de  modulações 
executadas nos sintetizadores de sons harmônicos de duração longa e com amplitudes variando 
no decorrer da seção. O ruído branco apresenta-se ao início do breakdown, com uma presença na 
região  entre  1  e  8  kHz,  procedimento  que  auditivamente  mascara  a  mencionada  supressão  de 
frequências  no  bumbo  (fig.  11c).  Um  ataque  de  um  som  rico  em  harmônicos  ocorre  no  quarto 
tempo  desse  bloco  em  261  Hz  (C4),  perdura  por  quatro  compassos  e  apresenta  variações  na 
amplitude  das  componentes  espectrais  (fig.  11d).  Esse  ataque  conduz  a  mais  uma  explosão  de 
ruído branco no bloco seguinte, efeito similar ao utilizado no início do breakdown. A partir daí, 
reaparece gradualmente o segundo hook da composição, anteriormente apresentado na ponte (fig. 
5).  O  motivo  melódico  exibe  um  timbre  percussivo  que  vai  se  fundindo  com  uma  textura  mais 


 
57 
metálica, mesmo procedimento adotado na ponte da composição (fig. 11e). Paralelo a essa fusão 
de  timbres,    inicia-se  no  compasso  11  do  breakdown,  um  glissando  de  um  som  harmônico 
proveniente de sintetizador indo de 261 a 622 Hz (C4 a Eb4) . O final do glissando funde-se a 
mais uma varredura no filtro passas altas, atuando sobre o ruído branco (fig. 11f) e finaliza com 
um  ataque  de  percussão  eletrônica  em  torno  de  80  Hz  (fig.  11g).  A  suspensão  do  groove  após 
esse  ataque  por  dois  compassos  realça  o  espectro  na  região  entre  600  e  7000  Hz,  composto  de 
ruído  branco  e  da  reverberação  resultante  do  timbre  do  sintetizador  utilizado  na  exposição  dos 
hooks. O fragmento melódico da ponte é repetido três vezes após o corte de frequências do ruído 
branco e fecha com uma amostra vocal na região grave, entre 80 e 120 Hz (fig. 11h). 
 
 
Fig. 11 – Sonograma do breakdown 
 
A seção de repouso culmina com o dropout, momento da composição no qual o groove é 
retomado.  Em  “Beverly  Hills”,  o  motivo  melódico  notado  na  figura  6,  presente  ao  longo  da 
produção  reaparece  em  blocos  de  oito  compassos  (fig.  12a).  O  mesmo  reforço  da  condução  de 
bateria,  através  do  acréscimo  de  um  hi-hat  mais  brilhante  assinalado  anteriormente,  faz-se 
presente nos blocos subsequentes no dropout, assim como as amostras de vocais já utilizados no 
primeiro  e  segundo  corpo  (fig.  12b).  Os   build-ups e fill-ins apresentam  a  mesma  constituição 
usadas  em  outras  transições  durante  a  composição.  A  seção  final,  o  outro,  caracteriza-se  pelo 


 
58 
típico decréscimo de material sonoro, começando com a simplificação do hook a uma colcheia na 
metade do primeiro tempo (fig. 12c), similar ao desenho rítmico dos blocos inicias da peça. Nos 
blocos  que  se  seguem  o  corte  de  frequências  abaixo  de  150  Hz  no  bumbo  e  o  reforço  na 
amplitude  do  sintetizador  com  uma  nota  fixa  no  contratempo  –  Eb4  –  definem  o  groove  final, 
ponto do track, a partir do qual o disc jockey pode mixar a composição com outra faixa durante 
sua performance (fig. 12d). 
 
Fig. 12 – Sonograma do dropout e do outro 
 
Observa-se na faixa de Daniel Portman uma distribuição definida do espaço ocupado ao 
longo  do  espectro  pelas  frequências  dos  instrumentos  utilizados.  A  base  rítmica  constituída  de 
baixo  e  bateria  ocupa  a  parte  grave  e  sub  grave  até  250  Hz  e  os  fragmentos  melódicos    nos 
sintetizadores situam-se na região média do espectro. As amostras de sons de percussão e vocais 
femininos,  inseridas  ao  longo  do  track  encontram  espaço  para  se  destacaram  dentro  conteúdo 
espectral  na  região  média-alta,  na  faixa  de  2  kHz.  As  modulações  no  ruído  branco  usadas  nas 
transições ocorrem em uma faixa de frequências que vai da parte média, em torno de 1kHz, até a 
região alta do espectro,  especificamente nessa composição, em torno de 8 kHz.  


 
59 
A  faixa  analisada  revelou  uma  abordagem  composicional  em  termos  de  sonoridades  e 
estruturação  que  serviram  de  referencia  na  constituição  do  discurso  proposto  no  projeto. 
Destacamos  o  equilíbrio  dos  diversos  componentes  da  peça  (baixo,  bateria,  efeitos  e 
sintetizadores)  dentro  da  mixagem  e  a  sua  distribuição  no  campo  espectral  da  composição  e 
procuramos seguir um modelo semelhante na constituição do material sonoro em nosso sistema. 

1   ...   24   25   26   27   28   29   30   31   ...   72




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal