Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante


 -   Análise de uma faixa de tech house



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Análise de uma faixa de tech house 
 
A  faixa  selecionada  para  a  análise  foi  Beverly Hills  do  produtor  suíço  Daniel  Portman 
(1992)  lançada  pelo  selo  Unreleased  Digital  em  2013.  Trata-se  de  uma  produção  dentro  do 


 
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gênero tech house com um andamento original de 126 batidas por minuto e centrada tonalmente 
em Mi bemol menor.  
A  utilização  do  sonograma
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 permitiu  uma  compreensão  da  anatomia  da  peça, 
considerando  a  identificação  visual  das  seções  em  função  do  campo  espectral  exibido 
graficamente. A notação tradicional também foi usada para descrever aspectos rítmicos do groove 
e desenhos melódicos dos fragmentos (hooks).  
A faixa “Beverly Hills” possui 207 compassos numa estruturação típica da dance music
ou seja, apresenta em seu discurso seções bem definidas: introdução, desenvolvimento a partir da 
exposição de hooks, pausa nos elementos rítmicos que conduzem o groove e uma seção final com 
a reapresentação dos fragmentos melódicos. Informações sobre a instrumentação específica usada 
em estúdio para a composição da faixa não se encontra à disposição em referências bibliográficas 
ou sites especializados em música eletrônica dançante. Utilizamos, por conseguinte, a experiência 
pessoal  na  identificação  de  timbres  de  sintetizador  ou  bateria  eletrônica  usados  na  produção  de 
Portman. Um baixo de ataque rápido e uma bateria com timbres que remetem a Roland TR 909 
definem  a  condução  rítmica  que  norteia  toda  a  faixa.  Os  hooks  são  gerados  por  dois 
sintetizadores,  um  de  ataque  percussivo,  e  o  outro  com  um  som    metálico  de  decaimento  mais 
longo e rico em harmônicos. Samplers de voz e de percussão sintética são disparados do decorrer 
das seções. O ruído branco tem uma participação ativa na faixa sendo utilizado pelo produtor nas 
construções  para  transição  entre  seções  (build-ups),  com  uma  manipulação  realizada  por  filtros 
para se produzir uma movimentação ascendente ou descendente no espectro do ruído. Varreduras 
dentro de uma faixa limitada de frequências marcam transições relevantes durante a composição 
e são tipicamente realizadas em filtros do tipo passa baixa (low pass filter)
O  sonograma  de  toda  a  composição  apresenta  visualmente  um  delineamento  das  seções 
(fig.1). Num plano geral, pode-se constatar a anatomia típica da faixa produzida para o uso nas 
pistas de dança, com os elementos facilitadores no trabalho DJ, isto é o acréscimo e decréscimo 
                                            
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   No sonograma, o eixo vertical representa a frequência e o horizontal o tempo. A amplitude é representada 
pela densidade da impressão (um crescimento da amplitude em uma determinada frequência corresponde a 
um  escurecimento  na  impressão).  O  sonograma  associa  os  sons  a  imagens  visuais,  permitindo  o 
reconhecimento  de  objetos  sonoros  individualmente,  contornos  melódicos,  silêncios,  densidade  sonora, 
perfil  sonoro  e  gestos.  Representa  as  mudanças  no  espectro  durante  o  discurso  de  um  trabalho  musical  ou 
performance,  apresentando  contornos  de  frequências  e  amplitudes  próximos  à  experiência  dos  ouvintes 
(Waters; Ungvary, 1990: 160). 


 
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de material sonoro e manutenção da condução rítmica na intro outro. As frequências graves do 
bumbo (em torno de 64 Hz) destacam-se na anatomia do track, sendo definidoras na exposição 
do primeiro e segundo corpo, além do dropout. O corte de frequências na região abaixo de 150 
Hz  também  caracteriza  outras  seções  como  o  breakdown  e a  ponte,  além  de  apontar  as  regiões 
onde ocorrem fill-ins e build-ups, antecedentes à exposição de novos materiais sonoros a cada 8 
ou 16 compassos. Os hooks tem sua ênfase na região de 656 Hz, igualmente caracterizando novos 
blocos. O acréscimo de novas informações durante o decorrer da música pode ser atestado pela 
observações da variação das densidades expostas ao longo do campo espectral. É o que observa-
se na faixa de 10 kHz durante do todo o track, onde as variações de amplitudes são bem definidas 
dentro das seções e representam o acréscimo de um prato de condução ao groove básico de baixo 
e bateria – o hihat
 
fig. 1 – Sonograma de Beverly Hills dividido em seções 
 
A  introdução  da  faixa  apresenta  32  compassos,  sendo  os  oito  primeiros  compassos 
compostos de um groove de bumbo, caixa e chimbal, acrescido de uma nota de baixo e um loop 
de  percussão  que  se  estenderá  ao  longo  da  seção.  A  notação  tradicional  destaca  os  acentos 
presentes no loop e a nota de baixo (A1) que atua quase como um elemento percussivo ao início 
do track, trecho onde ainda não foi estabelecido o centro tonal (fig.2). 


 
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fig. 2  - Groove da introdução 
 
            
O sonograma na figura 3 apresenta o campo espectral na introdução de Beverly Hills. Nos 
oito primeiros compassos, ressalta-se o bumbo em semínimas com uma sonoridade médio-grave 
denotada a partir da supressão de frequências abaixo de 150 Hz (fig. 3a). Uma caixa com ataque 
em  330  Hz  (fig.  2b)  e  o  hihat  (pratos  de  chimbal)  no  contratempo  ocupando  uma  faixa  mais 
ampla do espectro com presença em 1kHz e em 8kHz completam as frequências destacadas na 
bateria  (fig.  3c).  O  loop  de  percussão  em  semicolcheias  acentuadas  ocupa  a  região  média  do 
espectro  –  em  torno  de  500  Hz  -  e  apresenta  um  timbre  similar  a  um  hihat processado  por  um 
filtro passa bandas com ênfase na região média do instrumento e supressões nas regiões graves e 
agudas  (fig.  3d).  O  baixo  completa  o  groove com  uma  nota  na  região  de  110  Hz,  um  Lá1  (fig. 
3e). A explosão inicial no começo do track conta com a adição de ruído branco em decrescendo, 
conforme o espalhamento de frequências entre 1 e 8 kHz (fig. 3f). 
 
fig. 3 – Sonograma de amostra de baixo e bateria da introdução 
 


 
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A  introdução  prossegue  com  16  compassos  expondo  uma  marcação  mais  definida  de 
bumbo a partir da abertura de frequências abaixo de 150 Hz, trazendo mais energia na parte grave 
do espectro (fig. 4). Um novo corte dos sons graves do bass drum em 50 Hz nos oito compassos 
seguintes define o build-up 1, onde a presença um som harmônico (com fundamental em 624 Hz 
-  Mi  bemol  4)  -  longo  e  com  amplitude  em  gradual  crescendo  culminando  no  compasso  17  - 
antecede  a  entrada  de  um  elemento  de  caráter  percussivo  gerado  em  um  sintetizador,  disposto 
ritmicamente com notas mais espaçadas e centradas na mesma frequência do som longo usado no 


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