Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante Tambortec: sistema musical interativo para performance de música eletrônica dançante



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loops de bateria, elementos facilitadores na transição entre  tracks. Uma vez apresentados como 
conduções simples e inalteradas,  esses loops introdutórios podem fundir-se naturalmente com os 
loops da faixa previamente tocada pelo DJ. A intro  na dance music é um segmento de 16 ou 32 
compassos,  tipicamente  usado  para  a  mixagem  do  DJ.  Expõe  inicialmente  uma  base  rítmica 
sólida  à  qual  vão  sendo  acrescentado  novos  elementos  rítmicos  normalmente  percussivos, 
“mantendo  sempre  o  sentido  de  mover-se  para  frente”  (Griffiths,  2013:  14).  Esta  montagem 
inicial  do  loop  percussivo    por  meio  da  acréscimo  de  camadas  rítmicas  define  uma  linha 
condutora que discorrerá sobre toda a faixa.  
A  seção  subsequente  à  introdução  é  representada  pelo  o  verso  de  uma  peça  musical 
popular.  Em  canções  com  letras,  essa  seção  constrói  naturalmente  uma  transição  para  o  refrão. 
Na dance music instrumental,  o verso representa a construção  gradual de camadas sonoras pela 
agregação de fragmentos melódicos curtos e repetitivos,  elementos percussivos, novas texturas 
de  sintetizadores  ou  aplicação  de  efeitos  à  música  executada  nos  aparelhos  eletrônicos  de 
reprodução. Ao verso segue-se o refrão, a parte mais energética e cativante da música baseada no 
conteúdo rítmico e melódico do hook, que nessa seção assume o papel de transmitir a mensagem 
ou  tema  principal  da  composição  (Yorobyev,  2013:  2).  A  sequencia  verso-refrão,  típica  na  pop 
music, mostra-se na eletrônica dançante sob uma perspectiva distinta. O significado musical das 
seções,  o  verso  apresentando  tema  e  o  refrão  fixando  uma  mensagem  musical,  é  mantido  do 
discurso da dance music. Contudo, é obtido por procedimentos composicionais que não se valem 
das letras presentes nas canções, mas sim de manipulações do som e uso de efeitos na produção 
da  faixa.  Conceitos  específicos  como  o  dropout,  o  build-up  e  o  fill-in  assumem  um  papel 
relevante na montagem de uma faixa na dance music. O preenchimento de um ou dois compassos 
finais  de  uma  seção  com  variações  rítmicas,  como  por  exemplo  no  groove   de  bateria  e  baixo, 
caracteriza o fill-in, “ [...] indispensável ao adicionar sabor e ao permitir que o ouvinte saiba que 
algo ‘grande’ vai acontecer em poucos milissegundos” (Griffiths, 2013: 15).  Cortes abruptos de 
frequências através do equalizador também são utilizados como fill-ins, assim como a inserção de 
filtros  diversos  -  reverbs,  flangers,  chorus  –  que  contribuem  na  fluência  das  transições  entre 
seções. O build-up representa a construção de um elemento composicional decisivo na transição 
entre  seções.  Tem,  portanto,  a  mesma  função  do  fill-in,  mas  é  construído  de  forma  gradual 


 
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através    “[...]    da  intensificação  sonora,  das  varreduras  nos  filtros  e  dos  sons  repetidos  que  se 
tornam cada vez mais frequentes, tudo para conduzir a platéia ao fervor” (2013: 15).  O build-up 
exerce uma função similar à ponte (bridge) na forma da canção tradicional, isto é, situa-se entre o 
verso  e  o  refrão,  como  elemento  de  transição  (Maddage,  2009:  350).  Na  eletrônica  dançante,  o 
uso de filtragens dentro do espectro de frequências da gravação, representados pela aplicação dos 
filtros  passa  altas  ou  passa  baixas  (high-pass  e  low-pass,  respectivamente),  cria  tensão  e 
movimento, recurso presente nas mais importantes gravações do estilo (Snoman, 2009: 226). Os 
elementos  estruturais  na  composição  de  faixas  para  a  eletrônica  dançante,  o  fill-in e  o  build-up 
colaboram no discurso eletrônico, conduzindo com fluência as seções, reintroduzindo a propulsão 
rítmica do groove a cada nova seção apresentada após a ação desses elementos de preenchimento 
e  construção.  O  termo  drop  é  usado  neste  contexto  para  caracterizar  essa  retomada  do  groove 
dançante,  posterior aos fill-ins  e build-ups. O efeito impactante do drop, descrito por Griffiths 
(2013:15) como “um sentimento explosivo”,  funciona como um elemento importante dentro do 
estilo, pois mantém a força da condução rítmica durante a composição, renovando a atenção do 
ouvinte e a continuidade da dança. 
A seção intermediária, middle eight, aparece nas composições da eletrônica dançante com 
uma terminologia distinta, nesse contexto chamada de breakdown. Focado em texturas com sons 
longos  de  sintetizadores  e  oferecendo  espaço  amplo  para  uso  de  efeitos,  o   breakdown   é  parte 
fundamental  na  construção  de  uma  faixa  para  o  propósito  da  música  eletrônica  de  pista,  isto  é, 
contribui ao conduzir a atividade dançante, alternando-a com momentos de repouso. Nesta seção, 
intenciona-se  um  esvaziamento  das  camadas  de  som,  aferindo  uma  perda  da  força  e  do  peso 
dentro  da  composição.  O  breakdown  baseia-se  na  pausa  dos  elementos  rítmicos  contínuos,  
destacando-se a retirada momentânea do personagem principal da condução percussiva na dance 
music: o bumbo. Griffiths aponta outras características marcantes nessa seção de repouso dentro 
da estrutura da faixa: 
 
“ Um breakdown fornece muitas funções: um espaço no track (e também 
para  o  público!)  para  respirar;  enfatiza  os  elementos  harmônicos  e 
melódicos  e  dá  ao  público  algo  para  esperar,  como  a  reintrodução  do 
groove entusiasmador ” (2013:15). 


 
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Dentro  desse  momento  de  repouso,  a  elaboração  gradual  de  um  clima  para  transição  e 
introdução  de  uma  nova  seção,  papel  atribuído  ao  acima  mencionado  build-up,  transporta  o 
ouvinte na pista de dança a um novo auge, caracterizando o dropout. Com a mesma função do 
drop  de  reintroduzir  o  groove  às  pistas,    o  dropout  atua  como  peça  central  de  todo  o  track,  na 
retomada  da  força  rítmica  após  uma  pausa  seguida  da  construção  de  um  crescendo, 
gradativamente desenvolvido para se atingir o clímax. 
outro é a parte final da faixa, onde os fragmentos melódicos retomados após o dropout 
começam  a  se  diluir,  sendo  cortados  gradualmente,  permanecendo  a  linha  de  baixo  e  bateria 
mantendo groove necessário à mixagem com faixa subsequente durante a performance de música 
dançante. O final de uma peça de dance music pode apresentar, além dessa possibilidade de um 
corte  abrupto  no  groove,  um  diminuendo  em  toda  faixa,  um  gradual  fade  out.  A  principal 
característica do outro, independente da escolha do tipo de finalização, é sua construção baseada 
na situação reversa à intro, apresentando portanto um decréscimo de informação sonora chegando 
à condução rítmica básica (Steventon, 2006: 206). 
Snoman  prefere  adotar  uma  terminologia  para  as  produções  de  eletrônica  dançante  não 
voltada  à  conjugação  com  forma  verso-refrão  das  canções  de  música  popular.  Propõe  assim,  a 
construção de seções através do acréscimo de elementos suportados pelo groove. Nomina essas 
seções de first bodysecond body e main body (primeiro corpo, segundo corpo e corpo principal) 
(2009:  225).  Adotamos  o  termo  traduzido  corpo,  para  nomear  as  seções  construídas  com  a 
inserção gradativa de loops e, ao já mencionado dropout, associamos conceito de corpo principal. 
Portanto,  na  análise  que  se  segue,  constituímos  a  forma  de  uma  faixa  de  dance  music  de 
introdução (intro), primeiro corpo, ponte (bridge), segundo corpo, breakdowndropout e outro
Na transição entre seções utilizamos os termos anteriormente explicados; build-up e fill-in.  
 
 


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